(por Rafael Lima) Como um time que para muitos tem o melhor quarterback da NFL, possui um fator campo determinante, tem tradição e um elenco regular, foi eliminado tão precocemente na temporada? É essa pergunta que vou tentar responder neste texto.Em setembro, o Green Bay Packers estava entre os cinco maiores favoritos ao título em todas as principais bolsas de apostas. Um Aaron Rodgers saudável no comando, a proteção de David Bakhtiari e um novo alvo do calibre de Jimmy Graham, faziam o ataque ser temido pelo restante da liga. Com a chegada de Mike Pettine, um draft focado em reforçar a posição de cornerback, com Jaire Alexander e Josh Jackson, e o reforço de Tramon Williams na posição de safety, mostraram que havia uma preocupação em melhorar a secundária e a expectativa era de sanar o problema defensivo contra o passe. Mike McCarthy vinha pressionado por campanhas abaixo do planejado nos últimos anos, mas com Rodgers zerado, a esperança era de revisitar a dobradinha de sucesso da temporada 10/11.O início não poderia ser mais promissor. Uma vitória diante de uma defesa monstruosa de Chicago, liderada por Khalil Mack, com a assinatura de um genial Aaron Rodgers, que saiu contundido, voltou, e transformou um 0-20 na metade do terceiro período, em um 24-23 no final.A partir daí, um Rodgers com dores passou a atuar, mas esse não era o maior problema da equipe. Veja qual foi a união de fatores que fez uma temporada com altas expectativas terminar numa derrota contra o Arizona Cardinals, um dos piores times da liga, na semana 13. O ATAQUEAaron Rodgers foi o quarterback que sofreu mais sacks até aqui (48) e a culpa não é só de seus protetores, pois em muitos momentos Rodgers segurou demasiadamente a bola. Com uma porcentagem de passes completados de 62.3% e um rating de 97.8, o quarterback teve uma temporada abaixo da média. Além disso, mas também por isso, um Rodgers abatido foi visto nos campos, a expectativa de conquistar mais um anel e se unir a outros quarterbacks históricos foi se transformando em decepção a cada derrota, isso estava estampado no rosto do astro. A espera pelo segundo campeonato foi para oito anos e isso parece pesar para A-Rod. [[{“type”:”media”,”view_mode”:”media_large”,”fid”:”2169″,”attributes”:{“class”:”media-image size-full wp-image-8473 aligncenter”,”typeof”:”foaf:Image”,”style”:””,”width”:”3910″,”height”:”2558″,”alt”:””}}]] Mesmo com todas as questões envolvendo Rodgers, o problema ofensivo de Green Bay está longe de ser seu quarterback. A ausência de um jogo corrido decente, as falhas de Mason Crosby (o kicker poderia ter transformado pelo menos três resultados negativos em positivos), a falta de rendimento de Jimmy Graham, que não se adaptou aos Packers, chamadas no mínimo esquisitas em momento cruciais feitas pelo técnico Mike McCarthy, demitido após a fatídica derrota na semana 13, entre outras razões, culminaram nesse desempenho aquém da capacidade do ataque liderado pelo espetacular QB. A DEFESAEsse tem sido o calcanhar de Aquiles de Green Bay nos últimos anos. Como já foi dito, a direção se preocupou em contratar peças para a secundária tentando sanar as falhas crônicas contra o jogo aéreo, mas e o pass rush? Uma equipe que pressionou menos o QB adversário do que foi pressionada e teve um envelhecido Clay Matthews na função atacar os quarterbacks, fatalmente permitiu mais chances de pontuação aos times que enfrentou, isso independentemente da qualidade ofensiva adversária, pois sofreu 30+ pontos dos “poderosos”ataques de 49ers, Lions, Redskins e Jets. Resultado? A prioridade do draft de 2019 deve ser a defesa. UM LEÃO NO LAMBEAU FIELD E UM GATINHO FORA DE LÁO Green Bay Packers sempre foi muito forte dentro de seus domínios, mas quando atuava como visitante, sempre transmitia medo e respeito aos seus adversários. Porém, em 2018, o time não conseguiu se impor, em nenhuma partida se sentiu à vontade, deixou-se levar pelo nervosismo em diversos momentos com um número muito alto de turnovers, talvez fruto da instabilidade entre os jogadores e o técnico Mike McCarthy. Isso se refletiu no recorde de 1-7 “on the road”, sendo a única vitória contra o fraquíssimo NY Jets, na prorrogação, depois de ter sofrido 38 pontos, quando já estava eliminado, isso sob a batuta de Joe Philbin. POR FIM, MIKE McCARTHY [[{“type”:”media”,”view_mode”:”media_large”,”fid”:”2170″,”attributes”:{“class”:”media-image size-full wp-image-8471″,”typeof”:”foaf:Image”,”style”:””,”width”:”2700″,”height”:”1519″,”alt”:””}}]] McCarthy foi o único técnico na carreira profissional de Aaron Rodgers. O casamento teve seu ponto alto na conquista do Super Bowl em 2011, mas de uns dois anos para cá, vinha muito desgastado. Chamadas de jogadas diferentes do que Rodgers imaginava, principalmente em terceiras descidas nesta temporada, geraram discussões e “caras-feias” na sideline, e isso foi minando a relação.O treinador, por sua formação, obviamente tem mais familiaridade com o ataque, mas isso não o exime da culpa de em 12 anos não ter conseguido formar um corpo técnico defensivo decente (alô Dom Capers!). O time sempre foi ruim em parar o jogo terrestre e pior ainda contra o passe. Em 2018, a defesa de Mike Pettine esteve longe do nível esperado, mesmo com o bom desempenho de Alexander. E, com a demissão de McCarthy, não deu pra ver se a dobradinha entre HC e DC iria evoluir. Demitir Mike McCarthy no meio da temporada deu mais tempo para a direção se organizar na busca por um novo técnico. Aaron Rodgers deve ser ouvido e será determinante na escolha de um novo nome. Um head coach que consiga rapidamente a química com o quarterback (que ouça mais o Rodgers) e seja especialista em montar defesas, pode fazer o Green Bay se reencontrar com seus melhores momentos. Quarterback, material humano, torcida e tradição não faltam pelos lados de Wisconsin.
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