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Série Decepções da Temporada – Atlanta Falcons

(por João Zarif)Um time que perdeu o Superbowl depois de estar vencendo o New England Patriots por 28-3, duas temporadas atrás, e na temporada passada foi eliminado na semifinal de conferência, fora de casa, por 15-10, pelo Philadelphia Eagles, que seria campeão da NFL na temporada, tinha tudo para chegar longe mais uma vez. Seriam os Falcons os primeiros a disputar o Superbowl em seu próprio estádio? Não dessa vez. A temporada que parecia animadora em Atlanta se transformou em pesadelo ao longo das semanas, e aqui eu explico porque Matt Ryan e cia. vão receber o Superbowl em seu quintal mas não irão participar da festa.Steve Sarkisian: o homem que substituiu Kyle Shanahan no comando ofensivo do timeUma obra-prima. Esse era o ataque de Kyle Shanahan. Pra quem não sabe, os Falcons chegaram voando no Superbowl contra os Patriots há quase dois anos atrás. O ataque de Shanahan com Matt Ryan sendo coroado MVP da liga, era ovacionado pela capacidade criativa nas chamadas. Após o sucesso e saída de Shanahan para os 49ers, Sarkisian assumiu o cargo na equipe. Uma temporada de estréia com números abaixo de Shanahan e certa constestação em alguns momentos, o coordenador teria a chance de se consolidar no cargo nesse ano. Um ataque recheado de estrelas, com Julio Jones, Matt Ryan e Devonta Freeman davam esperanças aos torcedores de Atlanta. Doce ilusão. Com a lesão de Freeman, que jogou apenas na semana 1 e na semana 5, Tevin Coleman assumiu a titularidade como running-back e teve alguns ótimos momentos, mas o problema não era individual. O ataque dos Falcons não conseguia produzir em momentos decisivos. A falta de criatividade nas chamadas de Sarkisian ficaram escancaradas quando a equipe chegava à red zone. Julio Jones era acionado em quase todas as jogadas, e com isso as defesas estavam preparadas para impedir os passes quase certos na direção do camisa 11. Jogadores como Calvin Ridley, Austin Hooper e Mohammed Sanu, que seriam ótimas adições a quase todos os times da liga, foram sub-utilizados. Principalmente Calvin Ridley, um daqueles talentos que todo treinador quer ao seu lado. E se têm uma coisa que facilita a vida das defesas na NFL é: saber o que o ataque adversário irá fazer. Jones é um dos alvos mais confiáveis de liga, porém você precisa utilizar outras arma de seu ataque para acionar seu melhor-alvo na hora certa. Não é nenhuma surpresa, que entre a semana 10 e 14, quando os Falcons tiveram 5 derrotas seguidas, o time não tenha feito mais de 20 pontos em nenhum dos jogos. [[{“type”:”media”,”view_mode”:”media_large”,”fid”:”2176″,”attributes”:{“class”:”media-image size-full wp-image-8535 aligncenter”,”typeof”:”foaf:Image”,”style”:””,”width”:”1200″,”height”:”800″,”alt”:””}}]] Ninguém está feliz com o trabalho de Sarkisian, e seria uma surpresa o coordenador manter seu emprego durante a offseason. Ele foi responsável por acabar com a máquina de pontos de Shanahan e isso não deverá passar despercebido.Jogo corrido pífio: se você não corre com a bola, sua defesa irá sofrerNa NFL uma frase constuma imperar entre os conhecedores do jogo: para você ter um time competitivo, você precisa controlar o relógio. O controle do relógio costuma ser resultado de um ataque com bom jogo corrido, que fica em campo por muito tempo e, consequentemente, dá tempo para a sua defesa descansar. Os Falcons tiveram dificuldades em se manter em campo durante toda a temporada. Seja por causa da lesão de Devonta Freeman, running-back titular, seja pelo péssimo trabalho da linha ofensiva, com as ausências de Adam Levitre e Brandon Fusco, ou pela incapacidade do coordenador ofensivo Steve Sarkisian, o fato é que o time teve em média menos tempo de controle de bola que seus rivais, fruto das lamentáveis 1464 jardas terrestres conquistadas em 15 jogos. O 6º pior jogo corrido da liga, fez o time se debruçar em cima do jogo aéreo. Apenas 36% das jogadas ofensivas do time foram corridas. Resultado? Pouco tempo em campo, defesa cansada, e bola na mão dos adversários. Se você perguntar a um técnico da NFL como vencer com esse problemas, você irá receber como resposta apenas uma palavra: impossível.Lesões: o inimigo invisível dos times não poupou o Atlanta FalconsGrande parte dos elencos estelares da liga que não têm sucesso foram assolados por uma série de lesões. [[{“type”:”media”,”view_mode”:”media_large”,”fid”:”2177″,”attributes”:{“class”:”media-image size-full wp-image-8536 aligncenter”,”typeof”:”foaf:Image”,”style”:””,”width”:”3200″,”height”:”1680″,”alt”:””}}]] Com Atlanta não foi diferente. Ricardo Allen, Devonta Freeman, Brandon Fusco, Keanu Neal, Andy Levitre e Derrick Shelby na injured reserve. Grady Jarrett, Calvin Ridley, Matt Bryant, Mohamed Sanu e Deion Jones passaram também pela enfermaria do time. Repor jogadores desse quilate é muito difícil em um temporada tão curta e dinâmica como a da NFL, e isso explica também o sub-rendimento do time durante o ano.Derrotas fora de casa: Atlanta foi um ótimo visitante, para os adversáriosTudo que foi dito no texto até agora culmina em algo inevitável: o Falcons jogou mal fora de casa a temporada inteira. Apenas duas vitórias em 7 jogos até aqui quando esteve fora de seus domínios. Em uma liga onde os mandantes fazem a festa, se sobressaem as equipes que conseguem campanhas no mínimo regulares quando viajam para visitar seus adversários. Um dos grandes fatores que contribuem para você vencer fora de casa? O jogo terrestre. Como já sabemos nessa altura do texto, esse fator não auxiliou o time em nenhum momento. Além disso, o calendário da equipe não ajudou. Atlanta teve que jogar fora de casa contra 4 equipes que são excelentes mandantes: New Orleans Saints, Philadelphia Eagles, Pittsburgh Steelers e Green Bay Packers. Resultado? 4 derrotas em 4 jogos.Apesar da temporada ruim, com apenas 6 vitórias até agora, o técnico Dan Quinn têm motivos para acreditar que conseguirá fazer um trabalho melhor no ano que vêm. Com um novo coordenador ofensivo, e com menos lesões no elenco, a equipe pode voltar a sonhar alto na liga. Basta saber se os Falcons conseguirão dar a volta por cima, pois desde os 2:12 restando no relógio do 3º quarto do Superbowl LI, quando o placar marcava 28-3 pro time de Atlanta, as coisas parecem que começaram a dar errado, e não pararam até agora.