No dia 17 de setembro de 2000, uma data inesquecível marcou para sempre a vida do astro do futebol mundial Lionel Messi e do Barcelona, há 25 anos atrás. Acompanhado por seu pai, Jorge, a jovem promessa argentina desembarcou no aeroporto de El Prat, na Catalunha, vindo de Buenos Aires. As passagens de avião haviam sido custeadas por Josep María Minguella, ex-dirigente do clube catalão, responsável pelas contratações do clube e figura conhecida por ter levado grandes craques ao Camp Nou, como Diego Maradona, Hristo Stoichkov e Rivaldo.
Antes de se tornar peça fundamental do Barcelona nas conquistas de La Liga e da Champions League, Messi viria a conquistar 35 títulos com os “Culés” até sua saída inesperada em 2021, consolidando-se como maior artilheiro da história do clube com 672 gols, além de inúmeros recordes individuais. Após a passagem pelo PSG, já aos 38 anos, continua brilhando no Inter Miami e na seleção argentina, com a qual finalmente levantou títulos de peso: a Copa América de 2021 e 2024 e a tão sonhada Copa do Mundo em 2022.
Essas conquistas para o meia-atacante, ainda lhe renderam mais dois prêmios Ballon d’Or, elevando seu total a oito. Para muitos, Messi é simplesmente o maior jogador de todos os tempos, e tudo começou naquele desembarque no Barcelona, há 25 anos. Dias antes, olheiros argentinos haviam informado o intermediário Horacio Gaggioli sobre o prodígio do Newell’s Old Boys, que o River Plate cogitava contratar. O obstáculo era o alto custo do tratamento hormonal necessário para corrigir um problema detectado ainda aos oito anos de idade.
Naquela primeira noite no Barcelona, Messi ficou hospedado com o pai no quarto 546 do Catalonia Plaza Hotel, com vista para a Plaza España. Joaquín Rifé, ex-jogador e então técnico das categorias de base, convidou o jovem para um treino junto a garotos de sua idade, como Cesc Fàbregas e Gerard Piqué. Apesar de impressionar, sua fragilidade física gerava dúvidas, e o clube aguardou o retorno de Carles Rexach, que estava em Sydney observando atletas para as Olimpíadas. Assim que voltou, marcou-se um teste no Campo 3 para 2 de outubro — e, a partir daí, os acontecimentos ganharam velocidade.
O momento decisivo para o jogador, viria no dia 14 de dezembro, no lendário episódio em que o contrato foi firmado em um guardanapo de papel no restaurante Pompeia Tennis Club, reduto de Minguella. O acerto oficial com o clube catalão ocorreu em 8 de janeiro de 2001, garantindo emprego ao pai de Messi nas categorias de base e cobrindo o tratamento médico do garoto. Finalmente, em 6 de março de 2001, Messi assinou seu primeiro contrato como jogador do Barcelona. Ali nascia a lenda.

De Rosario a Barcelona: a infância de um prodígio
Antes de ser ídolo global, Lionel Andrés Messi já deixava sua marca em Rosario, sua cidade natal. Nascido em 24 de junho de 1987, começou a jogar aos 5 anos no pequeno clube Grandoli, sob a orientação de seu pai. Mesmo sendo o menor entre os colegas, chamava a atenção pela habilidade com a bola. Em 1995, ingressou no Newell’s Old Boys, onde brilhou nas categorias de base e fez parte da famosa “Máquina 87”, uma geração campeã que acumulava goleadas expressivas. Messi era o destaque, encantando com jogadas improváveis e gols em sequência.
Contudo, sua carreira quase foi interrompida: aos 11 anos, foi diagnosticado com deficiência de hormônio do crescimento. O tratamento era caro, e nem o Newell’s nem o River Plate, que chegou a considerá-lo, assumiram os custos.Foi então que empresários argentinos, conectados ao futebol espanhol, enviaram vídeos de Messi a Minguella e Carles Rexach, dirigentes do Barcelona.
Ambos reconheceram imediatamente que se tratava de um talento fora do comum. Assim, em setembro de 2000, o jovem e seu pai embarcaram rumo à Catalunha. O clube não só ofereceu o tratamento médico, como abriu espaço para que Messi integrasse as divisões de base. Era o primeiro passo rumo a uma trajetória lendária.

O surgimento de um gênio no Barcelona
A estreia de Messi pelo time principal do Barcelona em 2004 não deixou dúvidas: ele não era apenas promissor, mas revolucionário. Sua capacidade de unir dribles desconcertantes, visão de jogo e precisão nos arremates mudou a forma de jogar do clube. Ainda muito jovem, já mostrava que podia decidir partidas sozinho: driblava vários adversários, criava jogadas improváveis e marcava gols de ângulos quase impossíveis. Essa habilidade única o transformou rapidamente em peça-chave.
Sua consistência na Catalunha também impressionava. Ano após ano, manteve desempenho excepcional, quebrando recordes de gols, assistências e partidas consecutivas. Tornou-se não só o motor ofensivo, mas também um emblema da filosofia do Barcelona: posse de bola, criatividade e coletividade. Messi não era apenas um atacante, era o líder que inspirava os mais jovens e decidia títulos.
Ao todo, conquistou 35 troféus pelo Barcelona, incluindo quatro Champions League, além de dezenas de recordes individuais. Sua influência ultrapassou o campo: tornou-se um ídolo mundial, símbolo de talento, disciplina e amor pelo futebol.

Depois do Barcelona: o impacto de Messi no PSG e Inter Miami
Após 21 anos de glórias no Barcelona, Messi iniciou uma nova etapa em agosto de 2021, ao assinar com o PSG, ao lado de nomes como Neymar e Kylian Mbappé. Apesar de um período inicial de adaptação, o argentino logo se consolidou como protagonista, somando gols e assistências que ajudaram o clube francês a conquistar a Ligue 1 e seguir competitivo na Champions League. Sua chegada também projetou ainda mais o clube no cenário internacional, atraindo novos torcedores e patrocinadores.
Em 2023, surpreendeu ao aceitar o desafio de jogar no Inter Miami, nos Estados Unidos. O impacto foi imediato: dentro de campo, elevou o nível do time e da própria Major League Soccer; fora dele, atraiu multidões aos estádios e aumentou a relevância da liga no cenário mundial. Mesmo fora do Barcelona, Messi manteve sua essência transformadora, capaz de revolucionar clubes e inspirar gerações. Sua trajetória reafirma seu lugar como um dos maiores, se não o maior , jogador da história do futebol.
(Foto: Getty Images)