A presença de jogadores brasileiros na Europa nunca foi novidade. O Brasil sempre exportou talentos para clubes de todos os níveis – dos mais modestos aos gigantes do futebol europeu.
Historicamente, dirigentes do Velho Continente demonstraram grande interesse pelos atletas sul-americanos, especialmente argentinos, brasileiros e uruguaios, atraídos pela versatilidade, astúcia, ginga e refinada técnica desses jogadores.
Desde cedo, os clubes europeus contaram com uma rede de olheiros atentos para identificar atletas que se encaixassem tanto nos esquemas táticos dos treinadores quanto na cultura dos clubes.
Nesse processo, até jogadores sem tanto brilho por aqui conseguiram grande destaque na Europa, especialmente em ligas como La Liga e Serie A, que dominaram o cenário futebolístico por muito tempo no século XX.
Quando a FIFA ainda permitia que jogadores defendessem diferentes seleções em Copas do Mundo, alguns desses brasileiros se naturalizaram para representar os países onde atuavam.
O primeiro caso emblemático foi o de Filó, ponta-direita que saiu do Corinthians para a Lazio. Lá, naturalizou-se italiano, adotando o sobrenome Guarisi, e sagrou-se campeão mundial com a Itália em 1934, tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar uma Copa do Mundo.
Logo depois, os brasileiros perderam um pouco de protagonismo na Europa, especialmente se compararmos com o auge das décadas de 1980 e 1990, quando nossos craques abriram caminho para o modelo atual de elencos internacionais e supercompetitivos.
Esse movimento migratório, no entanto, tem seu lado preocupante: muitos jovens saem do país precocemente e, ao chegarem em grandes clubes, são enviados aos times B ou emprestados para equipes menores como parte de um período de teste. Muitos não conseguem se firmar, voltam desvalorizados e, em alguns casos, até desistem da carreira.
Mesmo assim, o Brasil mantém viva sua tradição de revelar nomes que, de forma surpreendente ou não, se tornam ídolos na Europa – sejam pioneiros, esquecidos, artilheiros, craques ou astros lendários.
Atualmente, são muitos brasileiros brilham como grandes estrelas na Europa. Além de alguns que atuam em protagonistas do cenário europeu, outros estão em equipes de médio ou pequeno porte, muitas vezes até países com pouca tradição no esporte.
Apesar disso, seguem tentando a sorte em diversos cantos do continente, mostrando a relevância do brasileiro para a “sustentação” de um esporte tão globalizado como o futebol.
No passado o cenário era diferente, com menos atletas exportados, mas da mesma forma com protagonismo. Entre os exemplos notáveis, temos Evaristo de Macedo, Canário, José Altafini (Mazzola), Julinho Botelho e Jair da Costa. Conheça esses cinco craques brasileiros que fizeram história exclusivamente no futebol europeu e hoje são pouco lembrados no Brasil.
5 Craques Brasileiros Esquecidos que Viraram Ídolos na Europa
Muito antes de nomes como Neymar, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno, Adriano, Kaká e Rivaldo brilharem, outros brasileiros escreveram capítulos memoráveis em grandes clubes da Europa — embora raramente sejam lembrados atualmente. Cada um à sua maneira, eles se destacaram em times de peso e competições importantes no continente. Veja a seguir suas trajetórias:
1. Evaristo de Macedo
Clubes: Barcelona (1957–1962), Real Madrid (1962–1965)
Foi o primeiro brasileiro a se destacar no Barcelona na Europa e autor do gol histórico que eliminou o Real Madrid da Champions League de 1960 – a primeira vez que os merengues foram desclassificados. Evaristo, como era conhecido, foi o único jogador na história da seleção a fazer 5 gols em uma única partida, na vitória de 9-0 sobre o Peru, no sul-americano de 1957, disputado em Lima, capital do Peru.
Números:
Barcelona: 114 jogos, 105 gols
Real Madrid: 19 jogos, 6 gols
Títulos: 2 La Ligas (Barcelona), 3 La Ligas e 1 Copa do Rei (Real Madrid)
Curiosidade: Ficou fora da Copa de 1958 porque o Barcelona não o liberou – perdeu a chance de ser campeão mundial.
2. Canário (Darcy Silveira dos Santos)
Clubes: Real Madrid (1959–1962), Zaragoza (1962–1968), Mallorca (1968–1970)
Ponta-direita rápido e habilidoso, jogou com lendas como Di Stéfano e Puskás no Real Madrid. Mais tarde, brilhou no Zaragoza e depois passou pelo Mallorca na Espanha.
Números:
Real Madrid: 35 jogos, 5 gols
Zaragoza: 122 jogos, 22 gols
Títulos: 1 Champions League, 2 La Ligas (Real Madrid); 2 Copas do Rei (Zaragoza)
Curiosidade: Campeão da Champions 1959–60, mas raramente lembrado entre os brasileiros vencedores da competição.
3. José Altafini (Mazola)
Clubes: Milan (1958–1965), Napoli (1965–1972), Juventus (1972–1976)
Ídolo em três grandes clubes italianos, José Alfatini, mais conhecido como Mazzola marcou 216 gols e é um dos maiores artilheiros da história da Serie A, principalmente com as camisas de Milan, Napoli e Juventus.
Ele detinha o recorde de maior número de golos em uma única edição da Liga dos Campeões da Europa, com 14 golos na temporada 1962-63. O recorde foi quebrado por ninguém menos que Cristiano Ronaldo, na Champions 2013/2014, com 17 gols.
Números:
Milan: 246 jogos, 120 gols
Napoli: 180 jogos, 71 gols
Juventus: 74 jogos, 25 gols
Títulos: 1 Serie A e 1 Champions League (Milan); 2 Serie A (Juventus)
Curiosidade: Defendeu o Brasil na Copa de 1958 (campeão) e a Itália em 1962.
4. Julinho Botelho
Clube: Fiorentina (1955–1958)
Considerado um dos maiores pontas-direitas do futebol brasileiro, foi ídolo absoluto da Fiorentina, seu único time da Europa em sua carreira e parte fundamental na conquista do primeiro título italiano do clube.
O lendário jogador está no “Hall da Fama” da “Viola”, e eternizado nos corações dos torcedores do time da cidade de Florença.
Números:
Fiorentina: 89 jogos, 27 gols
Títulos: 1 Serie A (1955–56)
Curiosidade: Recusou disputar a Copa de 1958 por lealdade à Fiorentina.
5. Jair da Costa
Clubes: Inter de Milão (1962–1967, 1968–1972), Roma (1967–1968)
Peça-chave da lendária “Grande Inter” de Helenio Herrera, brilhou com sua velocidade e técnica, ajudando o clube a conquistar títulos europeus e mundiais.
Números:
Inter de Milão: 260 jogos, 54 gols
Títulos: 4 Serie A, 2 Champions League, 2 Mundiais Interclubes
Esses craques abriram caminhos e deixaram marcas profundas no futebol europeu, mesmo que pouco reconhecidos em seu país natal.
(Foto: Getty Images)