O GP da Holanda entregou exatamente o tipo de corrida que uma temporada tão equilibrada precisava. Lando Norris venceu pela segunda vez consecutiva depois de também triunfar na Hungria, enquanto a Mercedes colocou Kimi Antonelli e George Russell no pódio. A Ferrari terminou com Lewis Hamilton em quarto e Charles Leclerc em quinto, Fernando Alonso levou a Aston Martin ao nono lugar e a Red Bull viveu mais um fim de semana complicado, coroado pelo abandono de Max Verstappen.
No resultado final, Norris terminou 11,5 segundos à frente de Antonelli, com Russell a 15,9 segundos. Hamilton e Leclerc completaram o top 5. Mas os números contam apenas uma parte da história. Zandvoort deixou algumas respostas importantes e também várias perguntas para as próximas corridas.
A McLaren voltou a ser uma ameaça real na briga pelo título
Se havia alguma dúvida sobre a recuperação da McLaren, Zandvoort tratou de diminuí-la bastante. Lando Norris chegou à Holanda depois de vencer na Hungria e voltou a sair de um fim de semana com pole position e vitória. Mais importante do que isso: a McLaren mostrou velocidade em diferentes condições e conseguiu superar uma Mercedes que havia vencido o Sprint com George Russell.
Norris não ganhou simplesmente porque largou na frente. Ele perdeu a liderança para Antonelli após a relargada, passou boa parte da corrida procurando uma oportunidade e precisou esperar até a segunda metade da prova para recuperar a posição.
Quando a chance apareceu, porém, o britânico foi decisivo. A ultrapassagem sobre Antonelli aconteceu no momento em que o italiano se aproximava de Lewis Hamilton, e Norris aproveitou o espaço para atacar por fora e recuperar a liderança. Depois disso, abriu vantagem de forma impressionante.
Esse é talvez o principal sinal de evolução da McLaren: o carro agora parece capaz de vencer mesmo quando a corrida não se desenvolve de acordo com o plano original. Depois de um começo de ano complicado e de uma série de atualizações, a equipe finalmente parece ter colocado o MCL40 em uma janela competitiva muito mais ampla e Norris está aproveitando.
A Mercedes não venceu, mas continua sendo a referência
A Mercedes não levou a vitória no domingo, mas sair de Zandvoort com segundo e terceiro lugares, além da vitória de Russell no Sprint, está longe de ser um resultado ruim. Pelo contrário. Kimi Antonelli continua liderando o campeonato e mostrou mais uma vez que consegue disputar diretamente com Norris. O italiano chegou a assumir a liderança da corrida e permaneceu na frente durante uma parte significativa da prova.
George Russell, por sua vez, teve um fim de semana particularmente forte. O britânico conquistou a pole do Sprint, venceu a prova curta e depois largou na primeira fila do GP. No domingo, terminou em terceiro, atrás apenas de Norris e Antonelli. A própria F1 destacou como a Mercedes chegou a Zandvoort em uma disputa extremamente apertada com McLaren e Ferrari, com diferenças mínimas na classificação.
Isso mostra uma coisa importante para a sequência do campeonato: a Mercedes não depende mais de dominar um fim de semana para sair com um grande resultado. Mesmo quando Norris encontra um pouco mais de desempenho, a equipe alemã continua colocando dois carros na briga. E isso pode ser decisivo na disputa pelo campeonato de construtores.
A Ferrari continua rápida mas a estratégia ainda gera dúvidas
A Ferrari talvez seja o caso mais curioso de Zandvoort e o carro claramente tinha desempenho. Charles Leclerc foi segundo no Sprint e terminou o GP em quinto. Lewis Hamilton, que havia tido dificuldades durante o fim de semana, conseguiu terminar em quarto.
Ou seja: os dois carros ficaram entre os cinco primeiros. Mas, novamente, ficou a sensação de que a Ferrari poderia ter conseguido mais. A equipe chegou a colocar Hamilton e Leclerc em situações estratégicas diferentes, especialmente na parte final da corrida, enquanto os dois buscavam aproveitar diferentes janelas de pneus e posições de pista.
O problema é que Zandvoort é um circuito no qual posição de pista vale ouro. Ultrapassar é difícil, e qualquer decisão que faça um piloto perder tempo atrás de outro carro pode custar muito.
Isso ficou evidente na luta envolvendo Hamilton, Leclerc e os pilotos da Mercedes. A Ferrari até conseguiu manter seus carros competitivos, mas não teve a mesma eficiência estratégica que a McLaren demonstrou quando a oportunidade decisiva apareceu.
E esse é o ponto que a equipe precisa resolver. A Ferrari já mostrou que consegue vencer, Hamilton conquistou a primeira vitória da equipe em 2026 na Espanha, em uma corrida na qual a estratégia foi um dos destaques. Portanto, não é falta de capacidade. O desafio é conseguir repetir esse nível de execução com maior frequência.
Velocidade a Ferrari tem. O que falta é transformar essa velocidade em resultados mais consistentes.
Alonso prova que a Aston Martin ainda pode roubar pontos importantes
Fernando Alonso terminou o GP da Holanda em nono lugar, resultado que pode parecer discreto quando comparado ao desempenho das equipes de ponta. Para a Aston Martin, entretanto, vale muito mais do que isso.
Foi o melhor resultado de Alonso na temporada até aqui e veio justamente em um momento no qual a equipe precisa aproveitar qualquer oportunidade para marcar pontos. O espanhol não tinha um carro capaz de disputar diretamente com Mercedes, McLaren ou Ferrari. Mesmo assim, conseguiu permanecer na luta pelo top 10 e sair de Zandvoort com dois pontos importantes.
A F1 confirmou Alonso em P9, atrás de Nico Hülkenberg e à frente de Pierre Gasly. Esse tipo de resultado pode acabar fazendo diferença no campeonato de construtores.
E também reforça uma característica que continua acompanhando Alonso mesmo em uma fase menos competitiva de sua carreira: quando aparece uma oportunidade, ele raramente precisa de duas chances para aproveitá-la. A Aston Martin ainda está distante da disputa por pódios, mas Zandvoort mostrou que existe espaço para crescer através de consistência.
A Red Bull e Verstappen precisam de respostas, e rápido
Se McLaren, Mercedes, Ferrari e Aston Martin saíram da Holanda com motivos para olhar para frente, a Red Bull deixou Zandvoort com muito mais preocupações. Max Verstappen abandonou sua corrida em casa depois de perder o controle do carro em condições ainda parcialmente úmidas, encerrando de forma frustrante um fim de semana que já vinha sendo difícil.
Antes disso, o tetracampeão havia largado apenas em sétimo. E o problema não parece ser exclusivamente Zandvoort.
Verstappen já havia explicado que o RB22 sofre com falta de equilíbrio e inconsistência ao longo das curvas. Segundo o próprio piloto, a equipe está enfrentando problemas mais fundamentais no carro, e não simplesmente dificuldades de acerto para determinados circuitos. Isso é preocupante porque significa que a Red Bull não pode simplesmente chegar à próxima pista, mudar algumas configurações e esperar uma transformação.
A equipe precisa encontrar desempenho estrutural. E o contraste com a McLaren ficou ainda mais evidente: enquanto Norris acumula duas vitórias consecutivas, Verstappen continua tentando extrair o máximo de um carro que, em vários momentos, não parece capaz de acompanhar os líderes.
Zandvoort deixou um recado claro
O GP da Holanda não mudou completamente o campeonato, mas reforçou algumas tendências que podem definir a segunda metade de 2026. A McLaren voltou definitivamente à conversa. A Mercedes continua extremamente consistente. A Ferrari tem velocidade, mas precisa executar melhor. A Aston Martin mostrou que ainda consegue aproveitar oportunidades. E a Red Bull precisa encontrar respostas antes que a distância para os líderes fique grande demais.
No centro de tudo está Norris. Depois de um começo de temporada no qual a McLaren parecia precisar correr atrás das principais rivais, o britânico agora venceu duas corridas seguidas e colocou seu carro novamente no grupo dos favoritos.
E talvez essa seja a maior lição de Zandvoort: o campeonato que parecia estar caminhando para um domínio da Mercedes ganhou um novo protagonista. A temporada ainda tem muita coisa para acontecer mas, depois da Holanda, ignorar Lando Norris e a McLaren na briga pelo título seria um erro.



