Na noite desta quinta-feira (19), Flamengo e Peñarol se enfrentaram pelo jogo de ida das quartas de final da Libertadores no Maracanã.
O Mengão eliminou o Bolívar nas oitavas de final, vencendo em casa por 2 a 0 e perdendo na Bolívia por 1 a 0. Já os uruguaios chegaram às quartas após golear o The Strongest por 4 a 0 em casa e sofrer uma derrota pelo placar mínimo no estádio Hernando Siles.
Vindo de um empate no clássico contra o Vasco, o Flamengo buscava deixar para trás os resultados ruins recentes no Brasileirão e garantir uma boa vantagem no confronto de ida.
Tite não contou com os lesionados Viña, Everton Cebolinha, Pedro, Michael, Luiz Araújo e Gabigol. Em compensação, De la Cruz estava recuperado e iniciou jogando, assim como Alex Sandro e Plata. O Rubro-negro foi à campo com: Rossi; Varela, Fabrício Bruno, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, De la Cruz e Arrascaeta; Gerson, Plata e Bruno Henrique.
Do lado do Peñarol, Diego Aguirre não pôde contar com Damián Suárez, ex-Botafogo, pois o lateral não havia sido regularizado. A principal dúvida do treinador era quanto ao esquema tático, já que Javier Méndez poderia atuar tanto como zagueiro quanto como volante. Léo Fernández, ex-Fluminense e destaque do time, estava confirmado entre os titulares.
Aguirre mandou a campo: Aguerre; Milans, Rodríguez, Méndez e Olivera; García e Darias; Cabrera, Léo Fernández e Báez; Silvera.
Peñarol sai na frente
O Maracanã estava lotado, a torcida rubro-negra empurrava o Flamengo desde o primeiro toque na bola, mas o início de jogo mostrou uma realidade diferente. Os minutos iniciais foram marcados por uma troca lenta de passes, com as duas equipes claramente se estudando.
Porém, o Peñarol não demorou muito para assustar os cariocas. Aos 7 minutos, em uma bobeira de Erick Pulgar, Garcia interceptou um passe arriscado, percebeu Rossi adiantado e, sem hesitar, arriscou no meio-campo. A bola passou perigosamente à direita da meta, arrancando suspiros da torcida visitante e sorrisos nervosos dos flamenguistas.
O que era um susto inicial logo se transformou em pesadelo. Aos 12 minutos, um contra-ataque rápido dos uruguaios pegou o Flamengo completamente desorganizado. Leo Fernández lançou Báez, que cruzou com perfeição para Silvera ajeitar no peito. Cabrera apareceu livre, chutou meio mascado, mas com sorte: a bola beijou a trave e morreu no fundo do gol.
O Flamengo tentou responder de imediato. Aos 15 minutos, Fabrício Bruno fez um cruzamento preciso da meia-direita, e Plata, em um belo mergulho, testou a bola que passou raspando a trave direita. A torcida rubro-negra começava a acreditar.
O jogo se manteve equilibrado, com o Peñarol apostando nos contra-ataques e o Flamengo tentando impor seu ritmo. Pulgar, querendo se redimir do erro inicial, arriscou de longe aos 21 minutos, mas Aguerre, seguro, defendeu no canto direito.
Aos 25’, os uruguaios mostraram que não estavam apenas jogando para segurar o resultado. Leo Fernández novamente mostrou sua visão de jogo ao inverter para Cabrera, que ajeitou de cabeça para Silvera. O atacante girou bem, mas chutou para fora, desperdiçando uma boa chance.
O clima ficou tenso aos 31 minutos. Rodríguez chutou a bola após o jogo já estar parado, atrapalhando uma cobrança rápida do Flamengo. A torcida e Tite se irritaram, pedindo punição mais severa, mas o árbitro apenas advertiu verbalmente o jogador uruguaio. Tite chegou a invadir o campo para reclamar, mostrando sua insatisfação com a postura do adversário e da arbitragem.
O Flamengo teve a chance do empate aos 38 minutos. Em um contra-ataque rápido, Arrascaeta achou Bruno Henrique na área. O atacante cabeceou firme, à queima-roupa, mas Aguerre fez uma defesa espetacular, mantendo o Peñarol na frente. A pressão rubro-negra crescia.
Aos 42 minutos, a equipe de Tite teve sua última chance no primeiro tempo. Em uma recuperação no campo de ataque, Arrascaeta avançou pelo meio e soltou a bomba de fora da área. Aguerre, novamente impecável, voou no canto direito e evitou o empate. O intervalo chegava com o placar favorável aos uruguaios, mas o Flamengo ainda mostrava que tinha poder de reação para o segundo tempo.
Flamengo pressiona, mas não consegue superar Aguerre
O segundo tempo começou quente no Maracanã, e logo de cara uma polêmica incendiou a partida. Cabrera cruzou da direita, Leo Fernández ajeitou de cabeça, e Pulgar, ao tentar dividir com Báez, acabou tocando a bola com o braço. O Peñarol reclamou intensamente pedindo pênalti. Porém, após consulta na central do VAR, a decisão de campo foi mantida: toque involuntário, sem penalidade.
O primeiro ataque do Rubro-Negro veio aos 10 minutos. Léo Pereira, em um raro avanço ao ataque, cruzou da meia-esquerda e encontrou Pulgar na segunda trave. O chileno subiu bem, mas cabeceou por cima do gol. O Flamengo tentava, mas a precisão faltava.
O Peñarol não estava apenas jogando para segurar a vantagem. Aos 15 minutos, a defesa rubro-negra se desorganizou e Silvera, em grande forma, girou com facilidade sobre Léo Pereira. Ele invadiu a área e só não ampliou o placar porque Fabricio Bruno, em uma intervenção providencial, travou o chute. A bronca de Tite em Alex Sandro, que falhou na marcação, foi visível no banco de reservas.
O Flamengo, então, começou a subir suas linhas e a pressionar mais. Aos 21 minutos, Alcaraz teve uma boa chance ao pegar um rebote no meio da área, mas a defesa uruguaia apareceu no momento certo para travar o chute.
E se o time carioca subiu a intensidade, Aguerre subia o nível de suas defesas. Aos 29 minutos, Bruno Henrique, após belo passe de Wesley, finalizou cruzado. O goleiro uruguaio caiu rapidamente para defender. A torcida rubro-negra já começava a mostrar impaciência, mas o Flamengo ainda acreditava.
A pressão aumentava nos minutos finais, e o time da casa se lançou completamente ao ataque. Aos 39, novamente Bruno Henrique apareceu pela esquerda, chutou para o meio da área, mas Aguerre, em mais uma grande defesa, evitou o empate. A frustração começou a tomar conta do Maracanã.
E as chances continuaram a aparecer. Aos 42 minutos, Ayrton Lucas fez um cruzamento perigoso buscando Carlinhos, mas Aguerre se esticou todo e afastou com um tapa providencial. O Flamengo não desistia, e a torcida tentava empurrar o time para o empate.
Aos 45 minutos, veio a melhor oportunidade do segundo tempo. Bruno Henrique invadiu a área pela esquerda, cortou para o pé direito e chutou rasteiro. Aguerre, com reflexo apurado, espalmou. No rebote, Carlinhos, com o gol aberto, mandou por cima. A chance desperdiçada provocou uma irritação coletiva no estádio.
Nos acréscimos, a pressão continuou. Gerson e Wesley ainda tentaram, mas ambos os chutes saíram sem direção. O apito final veio, e com ele a frustração de uma derrota em casa no jogo de ida das quartas de final da Libertadores. O Flamengo, mesmo com muita posse e tentativas, não conseguiu superar Aguerre, o heroi do Peñarol.
Tite, que já vinha sendo cobrado, foi hostilizado por boa parte da torcida rubro-negra. Vaias ecoaram pelo Maracanã, além do tradicional grito de “Ei, Tite, vai…”, enquanto o técnico deixava o campo com expressão abatida.
FT: Flamengo 0 x 1 Peñarol

Como ficam as equipes?
Se tem revolta de um lado, tem felicidade de outro. O resultado é muito bom para a equipe uruguaia, que terá a vantagem de decidir a classificação em casa. O confronto de volta está marcado para a próxima quinta-feira (26), às 19h (horário de Brasília), no estádio Campeón del Siglo.
O Flamengo volta a campo no domingo (22), às 18h30 (horário de Brasília), para enfrentar o Grêmio, fora de casa, pelo Campeonato Brasileiro. Já o Peñarol visita o Cerro, às 19h, pelo Campeonato Uruguaio.
(Foto: Mauro Pimentel/AFP)