Edu comemora o gol com Papadopoulos e Matip
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Esquecidos, mas brilhantes: o Schalke 04 da temporada 2010/2011

Nesta série da Playmaker Brasil, vamos relembrar times que tiveram grandes campanhas, mas acabaram esquecidos pela memória dos amantes do futebol. Para começar, trazemos uma equipe que hoje vive um momento de declínio, mas que brilhou na temporada 2010/11 ao alcançar a semifinal da Champions League: o Schalke 04.

O Campeonato Alemão nos anos 2010 não oferecia muita competitividade, com as taças nacionais quase sempre destinadas ao Bayern de Munique. No entanto, surgiu uma equipe que, tirando os Bávaros, parecia capaz de desafiar essa hegemonia. O Schalke 04 mostrou ter um elenco aguerrido, com jogadores talentosos que, anos depois, ainda brilhariam no futebol mundial.

Conheça o elenco dos Die Königsblauen (Os Azuis Reais):

Elenco do Schalke 04 para a temporada 2010/2011.
Elenco do Schalke 04 para a temporada 2010/2011. Créditos: Schalke 04/Official Site — Reprodução. 

 

No gol, a titularidade era ocupada por ninguém menos que Manuel Neuer, que mais tarde se consagraria como um dos melhores goleiros de todos os tempos. Natural de Gelsenkirchen (cidade da qual abriga a equipe), o arqueiro passou mais de uma década nas categorias de base do Schalke 04 e conquistou a vaga de titular apenas um ano depois de subir para os profissionais, em 2005. Com o passar das temporadas, Neuer se destacou debaixo das traves e protagonizou momentos épicos, como a defesa espetacular no chute de Tarik Sektioui, do Porto, nas oitavas de final da Champions League 2007/08. Sua participação foi fundamental para que o Schalke chegasse tão longe na competição de 2010/11. Seus reservas eram Lars Unnerstall e Mathias Schober, sendo este último o mais experiente entre aqueles da posição.

No setor defensivo, o Schalke contava com opções conhecidas, que demonstraram uma solidez poucas vezes vista pelos torcedores. Nas laterais, o elenco tinha Uchida e Hoogland pela direita, enquanto na esquerda as alternativas eram Sarpei, Schmitz, Danilo Avelar e Sergio Escudero. A dupla titular costumava ser formada por Uchida e Schmitz, dois jovens promissores na época, com o japonês se tornando um dos futuros xodós da torcida.

No miolo de zaga, Felix Magath tinha à disposição Joel Matip, Benedikt Höwedes, Christopher Metzelder e Kyriakos Papadopoulos. Todos eles viriam a ganhar notoriedade nos anos seguintes: Matip se tornaria multicampeão pelo Liverpool, Höwedes foi lateral-esquerdo titular da Alemanha na conquista da Copa do Mundo de 2014, Metzelder teve passagens por Real Madrid e Borussia Dortmund, sendo vice-campeão mundial em 2002, e Papadopoulos foi peça fundamental do Schalke ao longo da década de 2010, atuando tanto como zagueiro quanto como volante.

No meio-campo, o Schalke contava com um leque de opções extensas e renomadas, especialmente em nível de seleções nacionais. O principal pilar de sustentação da equipe era o alemão Peer Kluge, peça fundamental na engrenagem do time titular. Ao seu lado, o setor podia ser formado por nomes de qualidade, como Ivan Rakitic, José Manuel Jurado, Jermaine Jones, Jefferson Farfán, Christoph Moritz e Ciprian Deac.

Além disso, uma joia da base havia acabado de ser promovida aos profissionais e gerava grande expectativa entre os torcedores dos Die Knappen (Os Mineiros): Julian Draxler. O jovem meia alemão mais tarde faria carreira em clubes como Paris Saint-Germain, Wolfsburg e Benfica, além de seguir os passos de Höwedes ao se consagrar campeão mundial com a Alemanha na Copa de 2014.

O ataque do Schalke 04, assim como o meio-campo, contava com nomes conhecidos, mas um deles se destacava de maneira especial e deixou sua marca na história da Champions League: Raúl González. A lenda do Real Madrid e eterno camisa 7, mesmo em fase final de carreira, brilhou com a camisa do Schalke, mostrando toda sua classe e liderança. Saindo do clube merengue em 2010, Raúl tornou-se titular absoluto e foi decisivo em partidas importantes naquela campanha europeia.

Ao seu lado, o elenco ofensivo contava com Klaas-Jan Huntelaar, Alexander Baumjohann, Edú e Angelos Charisteas. Huntelaar, que teve passagens por Milan, Real Madrid e Ajax, tornou-se ídolo do Schalke pela sua artilharia e faro de gol. Baumjohann e Edú, por sua vez, têm ligações com o futebol brasileiro: o primeiro, apesar de alemão, jogou no Brasil por influência da esposa, Tatiane, e passou por clubes como Vitória e Coritiba. Já Edu foi revelado no Brasil, com passagens pelas categorias de base de Santos, São Paulo e Guarani, antes de se profissionalizar pelo Náutico em 2003. Na Europa, atuou principalmente no futebol alemão, vestindo as camisas do Bochum, Greuther Fürth, Mainz 05 e, claro, do Schalke.

Por fim, um nome que muitos podem não lembrar, mas que tem um feito histórico no futebol europeu: Angelos Charisteas. O atacante grego foi o herói improvável da Eurocopa de 2004, marcando o gol do título da Grécia na surpreendente vitória sobre Portugal na final daquele torneio.

A rigidez do comando técnico de Felix Magath

Magath à beira do campo para comandar o Schalke 04. Detalhe para Raúl González ao fundo.
Magath à beira do campo para comandar o Schalke 04. Detalhe para Raúl González ao fundo. Foto: Getty Images — Divulgação.

 

O treinador que deu início à jornada épica do Schalke 04 foi Felix Magath. De ascendência porto-riquenha, Magath já possuía um currículo de respeito quando chegou a Gelsenkirchen. Seu nome ganhou destaque no cenário alemão após conquistar o “Duplo” (Bundesliga e DFB-Pokal) em 2004/05 e 2005/06 pelo Bayern de Munique, o que lhe rendeu a fama de treinador copeiro. No entanto, sua façanha mais impressionante veio na temporada 2008/09, quando levou o modesto Wolfsburg ao inédito título da Bundesliga, surpreendendo toda a Alemanha com uma equipe competitiva e bem organizada.

Apesar de seus sucessos, Magath era um técnico controverso, especialmente no que diz respeito à sua gestão de grupo. Conhecido por sua disciplina rígida e cobranças intensas, ele cultivou uma reputação de treinador linha-dura, focado no preparo físico extremo de seus jogadores. Seus métodos eram tão intensos que lhe renderam apelidos como “Saddam” (em referência ao ditador Saddam Hussein) e “Quälix” – uma fusão entre seu nome, Felix, e o verbo alemão quälen (“torturar”).

Taticamente, Magath montava o Schalke no esquema 4-4-2, com dois meias centrais mais criativos e outros dois mais abertos, que avançavam para apoiar o ataque. No setor ofensivo, a referência era sempre Raúl, que formava dupla com um parceiro escolhido conforme a necessidade da partida. No entanto, dentro da estrutura do time, um dos atacantes sempre atuava como segundo atacante, se movimentando mais atrás do centroavante principal para articular jogadas e dar suporte à criação.

Nas tramas ofensivas, muitas vezes as jogadas eram baseadas em uma ligação com o pivô e a aproximação de um terceiro homem para a finalização. Nessa triangulação, os arremates podiam vir dos meias centralizados ou dos extremos. Uma orquestração simples, mas que era efetiva e fatal.

Em outras ocasiões, o trabalho dos meias mais abertos era de utilizar o poder de ultrapassagem de Farfán e Jurado, jogadores de velocidade e chutes precisos. Nesta situação, o trabalho do atacante que faria o pivô era acionar a rapidez dos velocistas e assim gerar complicações para os laterais adversários.

Por fim, havia uma especificidade que chamava a atenção: a utilização de um defensor pelo setor de meio campo. Diversas vezes nos onze iniciais, sempre se observava o posicionamento de Matip como um dos integrantes da segunda linha de quatro. Além do camaronês, foram também usados nessa função “improvisada”, Papadopoulos e Höwedes.

Magath, na campanha, comandou o Schalke 04 desde a fase de grupos até as oitavas de final. A diretoria e a torcida estavam insatisfeitas com o desempenhos dos Azuis Reais na Bundesliga, mesmo com a classificação para as quartas de final da Champions. Para seu lugar, uma das grandes mentes do futebol moderno foi chamada: Ralf Rangnick, o pai do Gegenpressing.

O revolucionário alemão Ralf Rangnick

 

Ralf Rangnick orientando seus jogadores em jogo do Schalke 04.
Ralf Rangnick orientando seus jogadores em jogo do Schalke 04. Créditos: GettyImages — Reprodução.

 

Quando falamos de mudanças no futebol moderno em termos técnicos e táticos, pensamos sempre nos mesmos nomes: Pep Guardiola e Marcelo Bielsa. São figuras impactantes, responsáveis por transformar a maneira como o jogo é planejado. No entanto, enquanto esses personagens fizeram história em clubes de maior expressão, Ralf Rangnick construiu sua reputação revolucionando equipes de divisões inferiores.

Influenciado por Helmut Gross, Ernst Happel e Arrigo Sacchi, Rangnick foi o treinador que desafiou o pragmatismo do futebol alemão dos anos 80 e 90. Em suas formações táticas, ele recusava o uso de líberos, mesmo que a Alemanha tivesse ícones de sucesso nessa função, como Franz Beckenbauer e Lothar Matthäus. Essa abordagem inovadora entrou em choque com o sistema tradicional e gerou resistência na imprensa alemã.

Outro ponto marcante em seus times era a rejeição à marcação individual ou “homem a homem” na defesa. Rangnick foi um dos pioneiros na implementação da marcação por zona em solo alemão, estratégia que evitava o desgaste excessivo dos jogadores ao obrigá-los a seguir adversários por todo o campo.

Entretanto, a principal inovação do treinador – e talvez a mais influente no futebol moderno – foi a pressão intensa na saída de bola, conhecida pelo termo alemão Gegenpressing. Esse conceito transformava seus jogadores em verdadeiros “cães de guarda”, impedindo que os adversários saíssem jogando com tranquilidade. Dessa forma, a marcação alta e a precisão nos momentos de interceptação resultavam em contra-ataques rápidos e letais.

No Schalke 04, Rangnick, apesar de ter assumido o comando apenas a partir das quartas de final, conseguiu uma vitória histórica ao eliminar a atual campeã da Champions League, a Inter de Milão. Em pleno Giuseppe Meazza, os Azuis Reais golearam os Nerazzurri por 5 a 2, em uma atuação de gala do meio de campo alemão. A marca do treinador ficou evidente na estatística da partida: sua equipe registrou 30 interceptações, 22 desarmes e 11 finalizações no alvo. Ao analisar esses números, fica claro o impacto do Gegenpressing e da transição rápida para o ataque – conceitos que, anos depois, se tornariam referências fundamentais no futebol mundial.

A fase de grupos

A fase de grupos daquela edição contou com excelentes duelos para além do grupo dos Koenigsblauen. Destaque para a chave A, C e G.
A fase de grupos daquela edição contou com excelentes duelos para além do grupo dos Koenigsblauen. Destaque para a chave A, C e G. Créditos: GettyImages — Reprodução.

 

Na fase de grupos, o Schalke 04 caiu em um grupo equilibrado, ao lado de Benfica (POR), Lyon (FRA) e Hapoel Tel Aviv (ISR). Apesar da presença de potências do futebol francês e português, os Königsblauen não encontraram grandes dificuldades para avançar. Com quatro vitórias, um empate e apenas uma derrota, a equipe alemã garantiu a liderança com autoridade. Um dos destaques dessa campanha foi a vitória expressiva por 2 a 1 sobre o Benfica, em pleno Estádio da Luz – um feito notável, já que os Encarnados são historicamente muito fortes diante de sua torcida. A única derrota do Schalke na fase de grupos veio contra o Lyon, na França, em um jogo decidido por um gol “chorado” de Michel Bastos.

Schalke corta as asas dos Morcegos nas oitavas de final

Raúl comemora o gol de empate marcado no Mestalla. O gol dos alemães permitiu que tudo ficasse em aberto para o duelo da volta.
Raúl comemora o gol de empate marcado no Mestalla. O gol dos alemães permitiu que tudo ficasse em aberto para o duelo da volta. Créditos: Getty Images — Reprodução.

 

Já na fase eliminatória, o nível da competição subiu consideravelmente. O primeiro adversário foi o Valencia, comandado por ninguém menos que Unai Emery. O time dos Murciélagos contava com o artilheiro Roberto Soldado, que vivia grande fase, além de destaques como Éver Banega, Aritz Aduriz e Joaquín. As apostas do técnico – que anos depois se tornaria o “Rei da Europa League” – consistiam em formar um trio de ataque com Soldado, Aduriz e Álex Domínguez, um desafio e tanto para a jovem zaga do Schalke 04.

No primeiro jogo, no Estádio Mestalla, o duelo foi equilibrado, com o Valencia buscando impor seu ritmo diante de sua torcida. Na pressão inicial, os anfitriões abriram o placar com o artilheiro Soldado, que completou uma boa jogada de linha de fundo de Mathieu. O primeiro tempo terminou com vitória parcial dos espanhóis, mas o cenário mudou na segunda etapa. Logo após o intervalo, Raúl — como nos velhos tempos — mostrou sua estrela e empatou para os comandados de Felix Magath. O gol do camisa 7 teve importância vital, pois, além de ser um gol fora de casa, dava uma tranquilidade maior ao Schalke para o jogo da volta.

Em Gelsenkirchen, os espanhóis pareciam prontos para estragar a festa dos alemães quando Ricardo Costa abriu o placar aos 17 minutos — curiosamente, a mesma minutagem do gol de Soldado no jogo de ida. No entanto, ainda antes do intervalo, o peruano Farfán balançou as redes e igualou o placar agregado. Na segunda etapa, o Schalke voltou com tudo, e Gavranovic marcou o gol da virada logo aos sete minutos. Atrás no placar, o Valencia não teve outra alternativa senão se lançar ao ataque. Unai Emery promoveu mudanças e colocou Soldado — que, surpreendentemente, havia começado no banco —, Tino Costa e o brasileiro Jonas. Mas, como todo amante do futebol sabe, quando um time se expõe em busca do empate, os espaços na defesa surgem. Foi exatamente nesse cenário que Farfán escapou em velocidade e, de cavadinha, decretou a classificação dos Azuis Reais para as quartas de final.

 A batalha das cores: azul e preto contra azul e branco

Höwedes e Raul comemoram a classificação diante da torcida, momento único vivido pelo Schalke 04 no século.
Höwedes e Raul comemoram a classificação diante da torcida, momento único vivido pelo Schalke 04 no século. Créditos: Getty Images — Reprodução.

 

No próximo “round”, o Schalke passou por um momento conturbado: Felix Magath foi demitido devido aos maus resultados na Bundesliga — a equipe ocupava apenas a 11ª posição. A fase não era boa, e receber a notícia de que os alemães haviam enfrentariam a atual campeã da Champions League, a Inter de Milão, só colocou um toque de incerteza do Schalke para o restante da temporada. Diante desse desafio, o clube precisava de um treinador com mentalidade ofensiva e capaz de extrair o melhor dos jogadores disponíveis. A resposta veio de forma certeira: Ralf Rangnick. Considerado o pai do novo pensamento futebolístico alemão, ele chegava com a missão de conduzir os Azuis Reais a momentos ainda mais gloriosos.

O duelo contra os Nerazzurri prometia ser complicado, principalmente com nomes como Samuel Eto’o, Diego Milito e Wesley Sneijder do outro lado. E o início não poderia ser mais difícil: logo no primeiro minuto, Dejan Stankovic abriu o placar com um golaço. O sérvio acertou um chute de primeira do meio de campo, aproveitando um erro de Neuer, que havia se adiantado para afastar o perigo. O time de Rangnick não se abalou e manteve sua proposta de jogo. Aos 17 minutos, após cobrança de escanteio e um bate-rebate na área, Joel Matip aproveitou a sobra para empatar a partida. O duelo seguiu intenso, e Diego Milito recolocou os Biscione em vantagem com uma assistência primorosa de Esteban Cambiasso. No entanto, para adicionar ainda mais emoção ao confronto, o brasileiro Edu marcou o segundo gol do Schalke, deixando tudo igual novamente antes do intervalo, coroando um primeiro tempo eletrizante.

O segundo tempo pode ser definido como puro “Rangnickismo”, pois os Mineiros deram um verdadeiro show. Logo aos oito minutos, Raúl marcou o gol da virada, consolidando ainda mais sua lenda na Champions League. Pouco depois, Ranocchia acabou traindo o próprio patrimônio ao marcar contra, ampliando a vantagem dos visitantes. Para fechar a noite mágica, Edu fez o seu segundo gol na partida e foi abraçado efusivamente pelos companheiros, especialmente por Raúl, sua dupla de ataque naquele confronto. Um momento inesquecível para o paulistano. Placar final: Inter de Milão 2 x 5 Schalke 04.

No jogo da volta, a goleada aplicada na ida garantia uma vantagem confortável, mas havia um fator interessante: o vencedor do confronto já sabia que enfrentaria o Manchester United na fase seguinte. Com isso, o lendário Alex Ferguson marcou presença nas tribunas para observar o embate entre os Nerazzurri e os Königsblauen. No primeiro tempo, Raúl, mais uma vez, mostrou seu faro de gol e sua frieza característica ao driblar Júlio César e abrir o placar na Arena AufSchalke. Já na etapa final, Thiago Motta descontou para a Inter, mas a resposta veio em grande estilo: Raúl, em um lampejo de genialidade, descolou uma assistência de três dedos para Höwedes, que apareceu como elemento surpresa no ataque e decretou a classificação. Naquela noite, a festa foi longa em Gelsenkirchen.

O fim do conto de fadas diante dos Diabos Vermelhos

A decepção estampada no rosto de Uchida e Baumjohann. Ambos os jogadores desolados e ao chão, demonstrando tristeza pelo fim do sonho dos Azuis Reais.
A decepção estampada no rosto de Uchida e Baumjohann. Ambos os jogadores desolados e ao chão, demonstrando tristeza pelo fim do sonho dos Azuis Reais. Créditos: Getty Images — Reprodução.

 

Chegar às semifinais já era um feito inacreditável para os torcedores do Schalke. Mas imaginar a equipe em uma final? Esse era o sonho que pulsava na Arena AufSchalke, onde milhares de vozes se uniram para apoiar o time diante do Manchester United, comandado pelo lendário Alex Ferguson.

Porém, o que se viu naquele dia foi um domínio absoluto dos ingleses, e os donos da casa mal conseguiram articular uma jogada de perigo. No primeiro tempo, o United criou ao menos três chances claras para abrir o placar, mas Neuer esteve impecável para salvar o Schalke.

Na segunda etapa, o bombardeio dos Red Devils continuou, e os Mineiros não resistiram. Aos 22 minutos, Wayne Rooney encontrou Ryan Giggs na entrada da área; o galês infiltrou-se entre os zagueiros e, com frieza, tocou na saída de Neuer para inaugurar o marcador. A resiliência demonstrada contra a Inter não se repetiu diante do time de Ferguson. O golpe foi sentido imediatamente, e apenas dois minutos depois, Rooney ampliou. Naquele momento, o estádio estava atônito e os torcedores temiam pelo pior.

No jogo da volta, Rangnick apostou em mudanças táticas e armou a equipe no 4-2-3-1. Julian Draxler – uma das surpresas na escalação – atuou aberto pela esquerda, enquanto Farfán ocupou a direita. Baumjohann, que antes jogava pelas beiradas, foi deslocado para a armação central, municiando Raúl, o homem de referência no ataque.

Com a bola rolando, porém, a história não mudou: o United seguiu encontrando espaços com facilidade e levando mais perigo. O primeiro golpe veio com Antonio Valencia, aos 26 minutos da etapa inicial. Em seguida, Darren Gibson ampliou em um chute forte, contando ainda com uma falha de Neuer. Jurado até descontou para os Königsblauen, mas já não havia ânimo para reação. No segundo tempo, o brasileiro Anderson marcou duas vezes e decretou a classificação dos ingleses para mais uma final de Champions League.

Saldo positivo?

O capitão Manuel Neuer ergue a taça da Pokal 2011
O capitão Manuel Neuer ergue a taça da Pokal 2011. Créditos: Getty Images — Reprodução;

 

Mesmo com o atropelo no agregado para o Manchester United, a temporada seguiu, e a torcida permaneceu orgulhosa da trajetória na Champions League. Afinal, o Schalke jamais havia chegado tão longe na competição europeia. Os Azuis Reais ainda tiveram motivos para celebrar meses depois: conquistaram a Copa da Alemanha com uma goleada por 5 a 0 sobre o Duisburg e iniciaram a temporada seguinte erguendo a Supercopa, superando o Borussia Dortmund nos pênaltis.

Essas são as memórias de um time que, para muitos, caiu no esquecimento, mas que para os torcedores Königsblauen seguirá eterno. Uma campanha brilhante, uma jornada épica e, talvez, a última grande alegria de um clube que hoje tenta se reencontrar nas profundezas da segunda divisão alemã.

Créditos da foto de capa: Getty Images