O Real Madrid, nesta temporada, vem enfrentando diversos problemas físicos no elenco. No total, são cinco desfalques de peças consideradas titulares, sendo quatro delas no setor de defesa. Para evitar que mais jogadores de desgastem, era esperado que a diretoria fosse ao mercado em busca de reforços para a zaga, no entanto, isso não foi concretizado.
Diante disso, o que se vê é a utilização de jovens da base, aos exemplos de Jacobo Ramón e Raul Asencio e também improvisações de outros jogadores, como Aurélien Tchouaméni. Mas, a pergunta que fica é: Como o time de Carlo Ancelotti vai se postar em campo?
A janela “corajosa” do Real Madrid
As ausências de David Alaba, Dani Carvajal, Antonio Rüdiger, Éder Militão e Eduardo Camavinga e a postura de não contratar nenhuma reposição são os motivos para que Carlo Ancelotti esteja enfrentando “dores de cabeça” para armar o time. Nessa situação, o jovem Raul Asencio, criado nas categorias de base do clube, vem recebendo oportunidades no time titular para mostrar o seu valor, assim como Jacobo Ramón, estreante no último jogo pela Copa do Rei contra o Leganés.
Porém, essas chances dadas pelo técnico podem ter efeitos colaterais, como a precipitação de colocá-los em situações arriscadas. Isso põe em risco a qualidade do jogador e também aumenta a pressão sobre eles, podendo causar ansiedade e, por conseguinte, gerar erros que não lhes são característicos. Isso pôde observado no duelo contra o Leganés, na última quarta-feira (05).
Na situação, Jacobo Ramón estreou como titular e sua atuação não foi uma das mais agradáveis. O nervosismo do garoto foi notório e os adversários fizeram leituras corretas ao explorar a fragilidade no setor ocupado por Jacobo. Nessa situação que o zagueiro acabou cometendo o pênalti que resultou em um dos gols do adversário. Por sorte, o Real Madrid conseguiu mostrar resiliência e o ataque merengue decidiu, e colocou a equipe na próxima fase.
Além de Jacobo, Asencio também tem ganhado minutos com o treinador italiano. Há mais tempo nos profissionais, Raul teve um pouco mais de “lapidação” comparado a seu colega de canteras. Apesar das atuações na fase de liga da Champions League e também no Campeonato Espanhol entrando com frequência, ainda sim é um defensor em formação e é um fardo muito pesado de se carregar, principalmente estando no maior clube do mundo.
As cartadas podem até dar certo, mas colocando sempre em risco a carreira de alguém muito promissor. Essa situação poderia ser muito mais facilitada, caso tivessem buscado reforços. Assim, aliviaria essa pressão e teria mais cautela ao promover jogadores da base.
Análise tática do Real Madrid sem suas peças titulares
É preciso esclarecer que, antes mesmo da temporada começar, os Blancos tiveram problemas em se organizar ofensivamente, pelo fato de que seu principal articulador de jogadas se aposentou: Toni Kroos. O alemão funcionava como um metrônomo da equipe, ditando sempre o ritmo da pressão em seus adversário sem a posse da bola e também regulando a rapidez da troca de passes quando estivessem com a bola. Nesse sentido, o Real Madrid teve de reorganizar sua saída e encontrou em Bellingham essa característica de orquestração.
“Belligol” é um dos destaques do Real Madrid nos últimos anos, um meia com capacidade de criação e também de infiltração na área, gerando chances de gol. Porém, com essa reformulação tática, o inglês foi recuado e nesta temporada, joga um pouco mais próximo dos defensores para fornecer uma saída com mais qualidade.
Ao ver que esta se tornou uma possibilidade para progredir ao campo de ataque, os adversários que enfrentam o Madri sobem a marcação para sufocar não apenas Bellingham, mas também Valverde, que funcionaria como articulador caso Jude estivesse marcado. Diante disso, a alternativa merengue tem sido ligações diretas para o ataque, buscando sempre Vinicius Júnior e Kylian Mbappé em velocidade. O brasileiro é sempre visado para ser aproveitado no 1 contra 1 e o drible em velocidade, já o francês é observado para extrair o poder de um atacante veloz que ataca bem os espaços vazios.
Esta tem sido a tônica de um Real Madrid sem um meio campista com o atributo de um “primeiro passador”. Mas, essa configuração tática vem mudando em virtude dos zagueiros considerados titulares estarem fora, isto é, sem Rüdiger e Éder Militão.
Nessa ocasião, Militão e Rudiger dispõem de um passe vertical mais refinado, comparado a Asencio, Jacobo e até mesmo Tchouaméni quando este está improvisado como zagueiro. Estes suplentes podem optar por não fazerem essa distribuição em progressão – sempre para frente, recusando passes laterais. Para quem é considerado “novato”, um passe de segurança vai ser sempre uma boa alternativa para evitar problemas maiores.
A movimentação dos meias
Para o Real Madrid organizar suas saídas de jogo e avançar para uma trama ofensiva, surgem as figuras de Luka Modric e Federico Valverde. Estes irão funcionar como um subterfúgio dos zagueiros, quando retraem um pouco seu posicionamento e oferecem uma opção de passe para os defensores. Nesse deslocamento, a movimentação é rápida e confunde a pressão adversária, que irá balançar por diversas vezes e, assim, surgem os espaços nas costas dos adversários.
Este será o momento em que os Merengues vão buscar um lançamento para seus atacantes ou até mesmo Bellingham quando posicionado como um meia ofensivo. Desse modo, cria-se uma oportunidade de aproveitar as lacunas deixadas pelos rivais e até mesmo põe o Madri em vantagem numérica no campo de ataque.
A configuração tática para o restante da temporada?
Por fim, por mais que esta seja uma disposição momentânea – pensando que só está em vigor em virtude dos contundidos – foi uma tônica nos jogos com Espanyol, pela La Liga, e contra o Leganés, pela Copa do Rei. O fato é que o desafio tem se tornado cada vez mais árduo para Carleto extrair o melhor de seu elenco. O próximo desafio será o clássico da capital contra Atlético de Madrid, no próximo sábado (08), no Santiago Bernabéu.