Nesta última quinta-feira (6), Palmeiras e Corinthians se enfrentaram no Campeonato Paulista. A partida que aconteceu no Allianz Parque terminou com o placar de 1 a 1, sendo um resultado considerado “inesperado”, pelo futebol apresentado por parte dos mandantes. Entretanto, o esporte é isso, questão de quem aproveita mais as oportunidades que possui.
Depois de algumas fracas atuações do Verdão nos últimos jogos, o time de Abel Ferreira parece ter encontrado uma nova forma de trabalhar. O confronto diante do Guarani fez com que o Palmeiras trabalhasse mais com jogadores de habilidade no quarteto de ataque, sem a presença de um centroavante. Essa movimentação causou bastante dor de cabeça para o Corinthians na quinta.
Com Maurício, Raphael Veiga, Estêvão e Facundo Torres no setor ofensivo, a equipe do Timão simplesmente não conseguia acompanhá-los. Muitas mudanças de posição, com velocidade e pontualidade nas jogadas, fizeram com que Cacá, Matheusinho, Hugo e André Ramalho batessem cabeça em alguns momentos. Levando Hugo Souza ao estresse máximo, mordendo a luva de goleiro e até xingando.
Os ataques do Verdão eram dinâmicos, sem perder muito tempo, conseguiram abrir o placar com Maurício. Numa bela jogada em que o meia entra na área, segurando um pouco a passada, fica na posição perfeita para soltar o pé esquerdo. Com força e direção, Hugo Souza não teve chances de segurar a abertura do placar, que já era uma situação considerada iminente.
Com Estêvão recebendo bola na direita, depois na esquerda, em seguida infiltrado entre os defensores. Sempre sobrava um atleta do Palmeiras de muita habilidade para articular e encontrar o companheiro, sem esquecer das vezes em que os laterais subiam para o setor ofensivo, principalmente Piquerez, marcando uma exímia presença no confronto.
Mole do Palmeiras

A insatisfação de Ramón Díaz na beira do gramado era explícita, porque o Palmeiras havia pego os dois controles e não deixava o Corinthians jogar. Memphis Depay ia receber bola no setor defensivo, para ver se conseguia criar alguma coisa, mas não havia espaço, os donos da casa estavam simplesmente espetaculares. Abel Ferreira tomou conta do meio de campo.
Apesar de algumas problemas com a arbitragem, o treinador português não tinha o que reclamar dos seus profissionais nos primeiros 40 minutos. Entretanto, a situação do Timão era bem fácil de ler, iriam aguentar até ter um espaço ou oportunidade que fosse. Dito e feito, com 42 minutos, Richard Ríos resolveu dar uns dos moles que já se tornaram comuns nesta temporada, e na passada.
O colombiano recebeu a bola como se estivesse num resort, de férias, sem aceitar os moles num clássico, Memphis bateu a carteira do volante. O holandês já olhou para Yuri Alberto em profundidade, colocou o atacante para correr, e sem desperdiçar novamente, o artilheiro do Brasileiro na última campanha, balançou as redes pela primeira vez em 2025.
Essa jogada já havia acontecido antes, com três chances no primeiro tempo, o Timão assustou o Palmeiras em duas, e na terceira, igualou o placar. Pouco presente no ataque, mas fatal quando necessário, jogando um balde de água fria nas costas de Abel e do elenco do Verdão inteiro. Chances para estender a vitória houveram, mas o vacilo de Ríos colocou todo o planejamento no chão.
Segunda etapa de Palmeiras x Corinthians

Depois de ter suado bastante, era esperado que o Corinthians ouvisse alguns pontos levantados por Ramón Díaz para o Palmeiras não ter tanta tranquilidade no ataque. Ajustes foram feitos, porém, o empate trouxe memórias, após Yuri deixar tudo igual, o atacante foi comemorar com um voadora na bandeirinha do escanteio, o que rendeu um amarelo para ele.
No início da segunda etapa, o atacante simula uma falta e toma o segundo de Raphael Claus, que colocar o Timão com um a menos no confronto. Nesse momento, tudo o que foi dito pelo treinador argentino para segurar o ataque avassalador do Palmeiras foi jogado fora, porque estariam precisando conter um forte grupo ofensivo com um atleta a menos.
Nesse momento que a situação fica complicada para um dos lados. Apesar do Corinthians ter ficado um a menos, o Palmeiras demorou muito para mexer no elenco. A noção de retranca por parte dos visitantes foi ideal, não permitindo que os mandantes se criassem no embate, diante disso, o tempo começou a passar, e não havia grandes perigos para o Timão.
É claro que o ataque estava morto, Memphis Depay não conseguia correr como Yuri. A bola quando chegava no holandês era ele tendo a expectativa de alguém na velocidade para ser acionado, mas com a diferença numérica, nunca havia espaço para o futuro camisa 10 pensar, ou encontrar um companheiro.
Reta final do Palmeiras
Os momentos cruciais do Palmeiras no jogo chegaram, nos últimos minutos, o Verdão se encontrou na necessidade de fazer algo. Seguindo os pedidos de Abel, os ataques pelos lados, com o quarteto sendo acionado em alta escala ocorria, porém, a bola não entrava, Hugo fazia seu papel, junto de Cacá e André Ramalho se doando para não serem vazados.
A questão é que, o Verdão não parava, até que teve a oportunidade de coroar a vitória. Num pênalti sofrido por Estêvão, o mesmo foi para a bola. Diante de Hugo Souza, a pressão parece ter dominado o jovem camisa 41, que já apresentou em diversos momentos, a sua calma para decidir. Entretanto, dessa vez foi diferente, Hugo simplesmente cresceu e pegou o pênalti do ponta-esquerda, fazendo o empate valer como uma vitória para o Corinthians, ainda mais pela forma como o confronto foi.
Conclusão de Palmeiras x Corinthians

Ramón Díaz foi simplesmente exposto no duelo, Abel Ferreira castrou todas as possibilidades do Corinthians. Não teve um final perfeito porque o resultado foi o empate, mas as táticas do Timão foram ideais, caindo o trabalho para o lado dos jogadores em si. Se Richard Ríos não tivesse falhado, é bem difícil de imaginar que os visitantes teriam outra chance de empatar, antes do Palmeiras colocar um 2 a 0 no placar.
Entretanto, o português não foi perfeito, porque demorou bastante para aproveitar a diferença numérica, principalmente diante de um adversário que não conseguia dar dois passes no sistema defensivo, muito menos no meio de campo. A vitória era justa para o Palmeiras, porém, quando você não consegue furar a defesa do adversário, que está com 10 atletas, não dá para jogar todos os problemas para cima.
Foto: Ettore Chiereguini/AGIF