Pep Guardiola parece ter sentido o primeiro e mais potente baque sobre a sua temporada no Manchester City. Depois de ter sido engolido pelo Real Madrid no jogo de volta dos playoffs da Champions League, o técnico espanhol apresentou alguns pontos que abrem espaço para algumas teorias da conspiração, ou apenas pensamentos sobre seu futuro e o do clube inglês.
Após longas conversas sobre uma renovação de contrato com os Cityzens, Guardiola tomou uma grande decisão em sua carreira, de continuar seu trabalho na Inglaterra. O título da Premier League da campanha passada, poderia ter sido o ponto final de uma exímia era do futebol mundial, mas um vencedor sempre terá sede de vitórias.
Diante dessas escolhas e decisões, alguns pontos são iminentes e evidentes. A partida de ontem, foi marcada por algumas expressões interessante de Pep Guardiola, onde ele simplesmente parecia apático e exausto, vendo seus profissionais serem dominados pelo Real Madrid de um imparável Kylian Mbappé.
Quem observava os embates anteriores ao jogo de volta, não sonharia com esse resultado. Os merengues estavam chegando de um empate contra o Osasuna por 1 a 1 em Madrid, enquanto o Manchester City de Pep Guardiola, atropelou o forte Newcastle sem mais, nem menos, num solene 4 a 0 com show de Marmoush.
Só que no final das contas, Ancelotti e Guardiola escalaram suas equipes, o italiano foi capaz de segurar os jogadores do espanhol, e ele simplesmente não teve uma resposta para resolver essa situação. E o resultado foi um adeus à Champions League, e um grande ponto de interrogação sobre os próximos passos do treinador que recentemente, estendeu seu vínculo com os Cityzens.
Guardiola e a iminente transição do elenco

O Manchester City se movimentou no mercado da bola, para suprir algumas saídas e renovar certos pontos do gramado. Entretanto, ainda conta bastante com peças que não tiveram um novo rumo em suas carreiras, como Kevin De Bruyne, Bernardo Silva e Gundogan. São três jogadores que caminharam ao lado de Guardiola, mas hoje, não entregam a mesma coisa do que no passado.
O belga que já foi destaque e esteve presente em nominações para melhor do mundo, não tem tido mais condição para chamar a responsabilidade. O City sendo eliminado da Champions League, e De Bruyne nem entrou em campo, apesar de ter começado como reserva, porque não colocá-lo no decorrer, na busca por uma reação?
O que leva a pensar, na possibilidade de “aquele” camisa 17, não ter o que oferecer dentro das quatro linhas, com tanto domínio do Real sobre Guardiola. Já com um gol de vantagem, vindo do Etihad Stadium em favor dos merengues, a partida foi pro intervalo com 2 a 0 para os donos da casa, e mesmo assim, o técnico espanhol só havia feito uma mudança no primeiro tempo, com a saída do lesionado John Stones, para Aké entrar.
O banco de reservas foi utilizado no 3 a 0, depois de Mbappé já ter feito um hat-trick, e Guardiola ter tido certeza que o seu papo dado no intervalo, não havia dado certo. Com 77 minutos, Kovacic entrou no lugar do Gundogan, McAtee no de Foden, dois atletas que são vitais para o Manchester City atual, mas não tiveram forças para trabalhar no meio de campo.
Além dos veteranos citados inicialmente, Kyle Walker também era um nome muito utilizado por Guardiola, mas o tempo acabou vencendo o inglês. Em seguida de uma longa insistência, o lateral-direito, que já foi capitão e já quebrou galho na zaga, foi mandado para o Milan, e teve o jovem Khusanov para ocupar seu lugar, sendo uma das reposições da diretoria.
Esse trabalho tem sido de forma lenta, mas assim como parece que o Manchester City não tem forças ou peças para manter o nível que procura. Dá para colocar uns pontos nas costas de Pep Guardiola, porque a imagem tirada do confronto contra o Real Madrid, é de alguém completamente abatido, conformado com o seu time sendo debulhado pelo oponente.
Apatia de Guardiola

Para um time que precisava de uma vitória simples sobre o maior campeão da Champions League, Guardiola se portava de uma forma não convencional quanto ao confronto. A derrota no Etihad foi uma grande surpresa para os Cityzens, melhores no confronto, mas sofrendo as consequências de um apagão contra o estrelado elenco de Carlo Ancelotti.
Com quatro minutos, já sofreram um golaço de Kylian Mbappé, aumentando a pressão que já não era pouca. Para não dizer que demorou para mudar o time, com oito minutos já teve alteração, porém, ela foi necessária por conta de uma lesão de John Stones, sendo uma mudança de defensores. Não tem como não falar sobre um apático Guardiola, que parece ter aceitado com facilidade o resultado.
Na presença de um visual cansado, e poucas substituições no elenco titular do jogo contra o Newcastle para o Real Madrid, tirando a ausência de Erling Haaland de última hora e Rico Lewis na lateral-direito na Premier League, e na Champions, Khusanov em seu lugar. O treinador espanhol poderia ter tentado algo no intervalo, mas decidiu por manter tudo como estava.
Assim como o treinador, o meio de campo também parecia exausto na segunda etapa. Com peças como Matheus Nunes, Rico Lewis, Doku, tem como mudar o que está sendo feito, pelo menos tentar. Apesar dessa questão, decidiu por continuar da forma como estava, uma opção seria colocar essas três peças nos lugares de Khusanov, Bernardo Silva e Gundogan.
O uzbeque tava tomando um calor danado do Vini Jr, invertia Gvardiol para segurar o brasileiro, ou pelo menos tentar. Rico Lewis invertido na esquerda por conta da realidade, não haveria muito o que fazer para deixá-lo mais confortável, pelo menos seria alguém com mais energia para tentar pegar o Rodrygo, e dar apoio. Doku na esquerda aberto, e o Matheus para recuperar a vitalidade também no meio de campo.
Qualquer coisa dava para esperar, um Haaland sem condições pelo desespero, o pouco utilizado Kevin De Bruyne, só o mesmo time que seria uma parada complicada. E no final das contas, foi essa a decisão tomada por ele.
Análise de Guardiola em 2024/25

Partindo de alguém de fora, não dá para imaginar que Pep Guardiola esteja no melhor dos seus momentos, dentro e fora de campo. Os resultados nas quatro linhas não são bons em grande parte da temporada, apesar da grande vitória sobre o Newcastle United, mas em 2024/25, o treinador espanhol tem tido difíceis decisões para serem tomadas.
A dúvida quanto ao seu futuro no Manchester City tinha uma questão: seu casamento. O tempo dado pelo treinador aos Cityzens, era tão grande, que a situação dentro de casa não era das melhores, não é atoa que a renovação de contrato, contou com um divórcio entre Guardiola e sua ex-esposa, deixando clara uma decisão dele sobre seu futuro.
A questão é que, hoje, são 17 pontos de diferença para o líder Liverpool, sem contar no fato de estar com um jogo a mais que os Reds na Premier League. Longe da Champions League, o foco vai ser completamente voltado para o campeonato nacional, que neste próximo final de semana, já terão de encontrar com os comandados de Arne Slot.
O começo foi bem fraco, mas o tempo acabou melhorando a situação do City, que não teve seu pilar: Rodri. O volante espanhol e atual Bola de Ouro, não participou de nenhum confronto do clube inglês nesta campanha, desde sua lesão na Eurocopa, na final contra a Inglaterra. Esse foi meio que o estopim dos problemas, porque uma dor de cabeça extrema se instaurou para encontrar um substituto, e ainda teve a queda expressiva de rendimento dos defensores.
As chances de Guardiola terminar essa campanha sem um título é enorme, mas só o tempo dirá. Caso nenhuma conquista apareça, a dúvida sobre seu futuro voltará a crescer, apesar de ter renovado seu contrato, não é certo imaginar que uma aposentadoria surja, porque ele precisará de muita paciência e tranquilidade, para ver uma nova reformulação em seu elenco.
Foto: Getty Images