Billie Jean King comemora 50 anos de igualdade de prêmios no US Open Foto: Jennifer Pottheiser/ USTA
Tenis

Igualdade de prêmios no tênis: a longa luta das mulheres contra a desigualdade no esporte

A luta pela igualdade de prêmios no tênis não é de hoje. O assunto foi para as manchetes pela primeira na década de 70. Billie Jean King fez história na “Batalha dos Sexos”, ao derrotar Bobby Riggs. Na época, com 55 anos e já aposentado, o ex-tenista afirmou que o tênis feminino era muito inferior.

Para o ex-atleta, ele seria capaz de vencer a número 1, BJK. O jogo aconteceu em 20 de setembro de 1973 e foi amplamente televisionado, principalmente por conta dos comentários polêmicos de Riggs. Em três sets, Billie venceu por 6/4, 6/3 e 6/3.

Desde então, os valores das premiações começaram a se igualar. O US Open foi o primeiro a tomar essa atitude, por conta da pressão feita por BJK e outras tenistas, ainda em 1973.

Luta pela igualdade de prêmios no tênis

Four decades after the Battle of the Sexes, the fight for equality goes on  | Tennis | The Guardian
Billie Jean King e Bobby Riggs três meses antes da “Batalha dos Sexos”. Foto: Bettmann/Bettmann Archive

Não é uma surpresa que sempre houve uma grande diferença nos valores dos prêmios para as disputas femininas e masculinas. Em 1966, Billie Jean venceu Wimbledon pela primeira vez e apenas 750 libras como prêmio. Rod Laver, também campeão naquele ano, ganhou 2 mil libras.

O final dos anos 60 e começo dos anos 70, foi uma época de muitas mudanças e havia um grande foco no feminismo. Ao tentar lutar contra essa onda, muitos rebatiam com machismo, o que é o caso de Bobby Riggs.

O ex-tenista nunca escondeu sua opinião de que o esporte feminino era inferior. No passado, já havia sido número 1 e foi campeão em Wimbledon, em 1939, e US Open, em 1939 e 1941. Se mantendo com fama, em 1973, disse que até ele seria capaz de vencer qualquer jogadora.

Primeiro, lançou o desafio de uma partida contra Billie Jean, que recusou. Margaret Court então foi a primeira a jogar contra Riggs. Com 30 anos, a australiana foi campeã no Australian Open e Roland Garros naquele ano. No entanto, o duelo contra o ex-tenista garantia um valor de R$ 20 mil.

Essa quantia foi maior do que ganhou ao vencer em dois Grand Slams. Court perdeu de forma rápida, por 2 a 0, com parciais de 6/2 e 6/1.

BJK aceita desafio

Billie Jean King waves to the crowd as she is carried on a throne by four men into the Houston Astrodome.
Entrada de Billie Jean para a “Batalha dos Sexos”. Foto: Associated Press

No tênis, Billie Jean King já era uma importante figura na briga por igualdade. Após a vitória contra Court, Bobby continuou com suas provocações contra as mulheres e Billie resolveu aceitar a partida. O jogo seria transmitido pela ABC e foi já chamado de “Batalha dos Sexos”. O vencedor receberia o prêmio de R$ 100 mil.

Com 29 anos, a vitória de King trouxe ainda mais controvérsias. De um lado, havia a comemoração feminina e daqueles que apoiavam a luta pela igualdade. Do outro, diversos homens tentaram diminuir a importância do jogo. Muitos afirmaram que Riggs entregou a partida ou lembravam que ele era 26 anos mais velho que a tenista.

No fim, essas opiniões não importaram e a vitória de Billie causou um impacto mundial. Ainda em 1973, a tenista ameaçou não participar do US Open daquele ano, caso a desigualdade continuasse. A organização do torneio a ouviu e se tornou o primeiro Grand Slam a oferecer premiação igual entre homens e mulheres.

Premiações igualitárias em Grand Slam

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Madison Keys é a mais recente campeã em Grand Slam, atualmente, todos possuem igualdade de prêmios. Foto: Getty Images

A escolha do US Open de igualar as premiações surpreendeu o mundo. Em 1972, o campeão do simples masculino, Ilie Nastase, recebeu R$ 25 mil, enquanto Billie Jean King ganhou R$ 10 mil. Havia uma significativa diferença entre os valores.

11 anos depois, em 1984, o Australian Open fez o mesmo, mas reverteu a decisão em 1996. O argumento é que havia mais pessoas assistindo aos jogos masculinos. No entanto, logo voltou atrás e, em 2001, retornou com as premiações iguais entre homens e mulheres.

Venus Williams teve um papel fundamental para que essa decisão também acontecesse em Wimbledon e Roland Garros. Em 2005, a tenista foi campeã de Wimbledon, só que, um dia antes da final, participou de reunião que teve como um dos focos a igualdade nas premiações dos majors britânico e francês.

Surgiu efeito e, em 2006, Roland Garros ofereceu o mesmo prêmio para os campeões. No ano seguinte, começou a equiparar os valores em todas as fases do torneio. Wimbledon foi o último Grand Slam a se unir ao movimento, mas também passou a ter as mesmas premiações a partir de 2007.

Equiparação em outros torneios

Tennis: Cincinnati Open
Aryna Sabalenka foi campeã no Cincinnati Open 2024, onde não há igualdade de prêmio. Foto: Sam Greene/USA Today Sports

Atualmente, além de Grand Slam, também é comum que torneios de ATP e WTA 1000 ofereçam a mesma premiação. Indian Wells é um exemplo disso e, desde 2012, oferece a mesma premiação para homens e mulheres.

Outros, como o Miami Open que será disputado na sequência, também dá o mesmo prêmio. Isso acontece desde 2006 e é algo que se tornou comum para as disputas que possuem jogos femininos e masculinos.

Em 2023, a WTA anunciou estratégia para que a desigualdade em eventos combinados, em nível WTA 1000 e 500, acabasse. O plano é que, até 2027, esses torneios tenham os mesmos prêmios para homens e mulheres. Mas, para as disputas não conjuntas, a promessa é de igualdade até 2033.

Apesar disso, ainda há competições com uma grande diferença. Em 2024, por exemplo, o Masters 1000 de Cincinnati pagou mais de R$ 1 milhão para Jannik Sinner, campeão. Já a campeã, Aryna Sabalenka, recebeu pouco mais de R$ 500 mil.

Nesse caso, vários argumentos contrários a igualdade caem por terra. O Cincinnati Open é disputado na mesma semana, no mesmo lugar e todos, homens e mulheres, jogam em melhor de três sets. Mesmo assim, as mulheres receberam menos.

Ao longo dos anos, tenistas de cada geração lutaram para a evolução da igualdade no tênis. E os resultados são notáveis na atualidade. No entanto, ainda há uma longa disputa pela frente.

Foto: Jennifer Pottheiser/USTA