Tudo terminou bem em Cincinnati. Após meses de indefinição do futuro de Tee Higgins, o Cincinnati Bengals finalmente anunciou a renovação contratual do wide receiver. E de quebra também confirmou a extensão contratual de Ja’Marr Chase. Os Bengals pagaram seus recebedores – e muito bem, por sinal.
Ainda em 2024, Tee Higgins deixou claro a sua intenção de deixar o Cincinnati Bengals, devido a falta de acordo sobre um possível novo contrato. Atuando na temporada passada com uma ‘franchise tag’, o recebedor novamente não recebeu a proposta que queria da franquia.
Era esperado que Higgins fosse um dos nomes mais disputados do período de agentes livres, com tudo para receber um contrato “gordo” de várias equipes. Mas isso não aconteceu. Os Bengals acionaram a ‘franchise tag’ do jogador pelo segundo ano consecutivo – algo que visto como negativo na NFL, por privar o atleta de avaliar seu valor no mercado.
Contudo, Tee Higgins foi finalmente pago. O wide receiver assinou por mais quatro temporadas com os Bengals, no valor de US$ 115 milhões, sendo os dois primeiros anos garantidos. Mas o Cincinnati Bengals não parou por aí.
Para não repetir o mesmo erro de Higgins, a franquia já acelerou o processo para Ja’Marr Chase, e o recebedor também assinou novo vínculo com o time. Com contrato de quatro anos no valor de US$ 161 milhões, sendo US$ 112 milhões garantidos, Chase se tornou o jogador não-quarterback mais bem pago da liga. Além disso, com a chance de receber US$ 30 milhões por temporadas (com incentivos), Chase entra no top-5 de wide receivers mais bem pagos da NFL.
O Cincinnati Bengals resolveu a sua principal questão da offseason de 2025, ao acertar a questão contratual de Ja’Marr Chase e Tee Higgins. Mas a que preço, literalmente?

Financeiro
A decisão de segurar Higgins até 2028 e Chase até 2029 é a certa, até porque você mantém junto um dos principais trios ofensivos – se não o principal – da NFL, com Joe Burrow, Higgins e Chase. Mas isso não é nada barato.
Segundo o ‘Spotrac’, a folha salarial atual do Cincinnati Bengals é cerca de US$ 273.5 milhões. Apenas o trio (Burrow, Higgins e Chase) soma cerca de US$ 124 milhões por temporada.
Com os novos contratos de Chase e Higgins, os Bengals agora lideram a NFL em dinheiro investido por temporada em seu quarterback titular e nos dois principais wide receivers do elenco (US$ 124 milhões por ano). Em segundo lugar vem o Miami Dolphins (Tua Tagovailoa, Tyreek Hill e Jaylen Waddle) com US$ 111.4 milhões, seguido pelo Philadelphia Eagles (Jalen Hurts, DeVonta Smith e A.J. Brown) com US$ 108 milhões. Dallas Cowboys (Dak Prescott, CeeDee Lamb e Kavontae Turpin), com US$ 98.5 milhões, e Detroit Lions (Jared Goff, Amon-Ra St. Brown e Jameson Williams), com US$ 88.3 milhões, fecham o top-5 da liga.
Levando em consideração a renovação do tight end Mike Gesicki (três anos, US$ 25.5 milhões) e outros movimentos no ataque, o Cincinnati Bengals tem US$ 163 milhões investidos em seu ataque. Mas é aí que começa o problema: e a defesa?

Desequilíbrio
Como já dito antes, os Bengals têm cerca de US$ 163 milhões alocados somente ao ataque, mas esse valor é muito superior ao investido atualmente na defesa. O sistema defensivo da equipe soma o valor de US$ 97 milhões. A diferença é de cerca de US$ 66 milhões. Para 2025, o Cincinnati Bengals tem que equilibrar esse número, para evitar que o mesmo que aconteceu em 2024 se repita na nova temporada da NFL.
No ano passado, o ataque dos Bengals foi um dos melhores da liga, com destaque para a dupla Joe Burrow (4,918 jardas lançadas, 43 touchdowns e nove interceptações) e Ja’Marr Chase (127 recepções para 1,708 jardas e 17 touchdowns), até porque Tee Higgins (73 recepções para 911 jardas e 10 touchdowns) perdeu parte da temporada por lesão. O ataque fez sua parte, mas a defesa se provou a grande fraqueza da equipe.
Enquanto o ataque produziu 27.8 por jogo na temporada regular de 2024, a defesa cedeu 25.5 pontos. Além disso, os Bengals tiveram 55 touchdowns a seu favor, porém cederam 52. Ou seja, o time atacava bem, contudo sofria ao se defender. E, ao que tudo indica, isso deve piorar em 2025.

Cincinnati Bengals em 2025
A disparidade entre o ataque e a defesa do Cincinnati Bengals tende a ser maior na nova temporada de 2025. Com base no atual elenco, a equipe conta com vários destaques no ataque, principalmente no jogo aéreo; contudo, a defesa é carente de nomes de peso em quase todas as posições.
Trey Hendrickson está em seu último ano de contrato, e a equipe, recentemente, já permitiu que o defensor fosse atrás de um time interessado em trocar por ele. Porém, após as renovações de Chase e Higgins, as chances de Hendrickson conseguir um novo contrato aumentaram bastante. O líder da NFL em sacks na temporada passada (17.5), porém, é o único nome de destaque na defesa dos Bengals.
Logan Wilson permanece no elenco até 2027, enquanto B.J. Hill assinou uma extensão recentemente, mas além deles, os Bengals contam com muitos jogadores jovens em determinadas posições, como é o caso de Myles Murphy, Daxton Hill e Kris Jenkins. E a secundária, nesse momento, é formada por vários novatos.
Até o momento, o 2025 do Cincinnati Bengals parece que será marcado novamente por um ataque extremamente explosivo, com muitas jardas lançadas e touchdowns recebidos. Enquanto isso, a defesa tentará segurar as “pontas” do jeito que der. Mas não é assim que você tem sucesso na temporada e muito menos nos playoffs.
(Foto: Matthew Pearce/Icon Sportswire via Getty Images)