Em 1999, a Libertadores chegava a sua 40ª edição e ficou marcada na eternidade na história do Palmeiras. O clube paulista, que havia sido vice nas edições de 1961 e 1968, conquistou a glória eterna após superar o Deportivo Cali nas finais do torneio continental.
Apesar de contar com um bom time, o Alviverde contou com o brilho de dois nomes que se tornaram os heróis daquela conquista: o goleiro Marcos e o meia Alex. Ambos, que até hoje são considerados ídolos dos torcedores, foram decisivos para que o Palmeiras conquistasse seu primeiro dos três títulos que tem na Libertadores.
Palmeiras dos anos 90: a “Era Parmalat”
Em 1992, começava uma das parcerias mais bem sucedidas do clube, que ganhou a alcunha de “Era Parmalat”. A empresa alimentícia italiana investiu no Palmeiras durante oito anos e, nesse período, o clube conseguiu contratar diversos jogadores e encerrar o jejum de títulos no clube. Destaque para o bicampeonato brasileiro (1993 e 1994), além da Copa do Brasil de 1998, que inclusive rendeu ao clube a classificação para a Libertadores do ano seguinte.

Em 1999, o Palmeiras tinha no elenco jogadores como Evair, Oséas, Euller, Paulo Nunes, Alex, Júnior Baiano, Arce e Marcos. O comandante daquela equipe era Luiz Felipe Scolari, o “Felipão”, que havia se consagrado campeão da Libertadores em 1995 com o Grêmio.
Fase de grupos do Palmeiras na Libertadores de 1999
Naquela edição, o regulamento era um pouco diferente e o número de equipes participantes era menor. O Palmeiras caiu no Grupo 3 da competição ao lado do grande rival Corinthians, além dos paraguaios Cerro Porteño e Olímpia. Na primeira fase – onde três clubes de cada grupo avançavam – o Alviverde se classificou na segunda colocação. Destaque para as vitórias por 1 a 0 sobre o Corinthians com gol de Arce e por 5 a 2 no Cerro Porteño com dois gols do zagueiro Júnior Baiano.
No entanto, a vaga veio sob certa dificuldade. Isso porque, nas três partidas seguintes, o Palmeiras foi derrotado por Olímpia e Corinthians, além de ter empatado com os paraguaios em casa. O revés para o Corinthians, porém, fez com que surgisse um herói improvável: Velloso, então titular da meta Alviverde, se lesionou e deu vaga ao reserva Marcos, que não sairia mais do gol do Palmeiras.
Na última rodada, o Palmeiras venceu novamente o Cerro pelo placar de 2 a 1 com gols dos defensores Arce e Júnior Baiano. Com isso, a vaga para a próxima fase estava consolidada, mas com os desafios prestes a aumentar.
Campanha no mata-mata
O adversário das oitavas de final seria ninguém menos do que o Vasco da Gama. Atual campeão da Libertadores, ele já estava garantido no mata-mata de acordo com o antigo regulamento da competição. O jogo de ida terminou com um empate por 1 a 1 e, no Rio de Janeiro, brilhou a estrela de Alex. O jovem meia marcou dois gols e ajudou o Palmeiras a vencer pelo placar de 4 a 2.
Nas quartas de final, novos confrontos contra o Corinthians. O primeiro duelo terminou com o placar de 2 a 0 para o Palmeiras, com Marcos sendo o grande destaque da partida, fechando o gol com uma série de defesas difíceis. Na partida de volta, o goleiro teve outra boa atuação, mas os rivais venceram por 2 a 0, levando a disputa da vaga para os pênaltis. Marcos, mais uma vez, salvou o Palmeiras e ajudou a levar o time para as semifinais. Ao defender a cobrança de Vampeta, ele se ajoelhou no gramado e agradeceu a Deus. A partir dali, ganharia força a alcunha de “São” Marcos.
As semifinais reservaram um encontro com o River Plate. No primeiro duelo, vitória dos argentinos pelo placar mínimo de 1 a 0 que só foi possível graças a mais uma grande atuação de Marcos. Já no duelo de volta, o Alviverde reverteu o resultado com uma vitória por 3 a 0 com dois gols do meia Alex.
Final contra o Deportivo Cali
Os colombianos chegaram às finais determinados a fazer história. Tanto é que venceram a primeira partida pelo placar de 1 a 0 com gol do atacante Victor Bonilla. Com isso, o Palmeiras precisava reverter o resultado e, para isso, contou com o apoio da sua torcida no Palestra Itália.
Em um jogo muito truncado, os gols saíram apenas no segundo tempo. Evair e Oséas marcaram para o Palmeiras, mas Zapata fez para o Deportivo Cali e, com isso, o campeão daquele ano seria conhecido após a disputa de pênaltis. Zinho desperdiçou a primeira cobrança e ali, muita gente acreditava que o Alviverde sairia mais uma vez derrotado.
No entanto, Júnior Baiano, Roque Júnior, Rogério e Euller acertaram suas tentativas, enquanto Bedoya e Zapata desperdiçaram. Com isso, o Palmeiras conquistava seu primeiro título de Libertadores e entrava para a galeria de campeões da competição.
Sem sombra de dúvidas, todos os jogadores tiveram uma participação considerável naquela conquista. No entanto, “São” Marcos e Alex podem ser considerados os grandes heróis do Palmeiras no título da Libertadores de 1999 e até hoje são celebrados pela torcida alviverde.
(Foto de capa: Daniel Augusto Jr./LANCE!)