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Futebol Brasileirão

Palmeiras termina Paulistão com atuações abaixo do esperado e precisa se encontrar com ‘novo estilo’

O Palmeiras perdeu sua hegemonia no Paulistão ao ser derrotado pelo Corinthians na final, com o segundo jogo acontecendo nesta quinta-feira (27). Embora muitas expectativas tenham surgido com a chegada de Vitor Roque à equipe, o time ainda busca encontrar o melhor caminho para o início do Brasileirão. A partida contra o Timão mostrou que ainda há um longo caminho a percorrer.

Nesta temporada, o Palmeiras deixou um pouco de lado seu estilo de jogo mais “reativo”, buscando aproximar Raphael Veiga e Estêvão da área. Para isso, Abel Ferreira está utilizando seus laterais de forma mais ofensiva e tentando uma construção de jogo mais rápida, mesmo com o aumento considerável na posse de bola em relação ao ano passado.

No entanto, esse estilo de jogo ainda não se consolidou, e o Palmeiras terminou o Paulistão com atuações abaixo do esperado, culminando em um vice-campeonato decepcionante para seu maior rival. Neste texto, vamos analisar todos os problemas enfrentados pelo Palmeiras na temporada até agora.

Contratações, perdas e a mudança no estilo de jogo

Para esta temporada, o Palmeiras focou suas contratações no setor ofensivo, principalmente devido à saída de Endrick no ano passado, o que deixou um vazio na posição de atacante. Por isso, o Verdão acertou a contratação de Paulinho, vindo do Atlético-MG, e de Vitor Roque, que chegou do Barcelona. A equipe ainda buscou Lucas Evangelista, do RB Bragantino, e Facundo Torres.

No entanto, o time também reforçou o meio de campo e a defesa, contratando Bruno Fuchs, também do Atlético-MG, e o zagueiro Micael, que estava no Houston Dynamo, da MLS. O volante Emiliano Martínez, vindo do futebol dinamarquês, também chegou para ser titular sob o comando de Abel.

Por outro lado, a equipe perdeu jogadores importantes. O principal deles foi o zagueiro Vitor Reis, que acertou com o Manchester City, deixando uma lacuna que está sendo preenchida, por enquanto, por Micael. Embora as atuações do defensor de 24 anos tenham agradado, há uma certa desconfiança por parte dos torcedores.

O novo estilo do Palmeiras

Todas essas contratações transformam o Palmeiras em um time mais propositivo, já que Emiliano Martínez é um ótimo construtor de jogadas e tem um passe refinado. Ele atua ao lado de Aníbal Moreno, um volante box-to-box que dá segurança ao meio de campo. Isso permite que Raphael Veiga jogue mais avançado, aproximando-se de Vitor Roque e Estêvão.

A mudança no perfil do atacante também foi pensada para favorecer Estêvão e Paulinho (quando estiver saudável), permitindo que ambos se aproximem mais da área. Vitor Roque tem muito mais mobilidade do que Flaco López, o que faz com que ele jogue mais próximo de Raphael Veiga na construção de jogadas, liberando espaço para os pontas infiltrarem na área.

Essa nova dinâmica também envolve a projeção dos laterais. Tanto Marcos Rocha quanto Joaquín Piquerez têm liberdade para avançar, especialmente quando Martínez está em campo, pois ele pode recuar e formar uma linha de três defensores, permitindo que os laterais subam mais. Isso está alinhado com o objetivo de Abel Ferreira: manter Estêvão próximo da área.

Entretanto, esse novo estilo de jogo ainda não trouxe os resultados esperados. O Palmeiras teve um aumento na posse de bola em relação ao Brasileirão do ano passado, passando de 53,7% para quase 56% no Paulistão deste ano. No entanto, isso não se refletiu em um aumento na média de gols por jogo, que permaneceu praticamente inalterada: 1,55 no Paulistão deste ano contra 1,56 no Brasileirão passado.

Se o Palmeiras deseja ser um time mais ofensivo, é esperado que sua média de gols também aumente, especialmente contra equipes de menor expressão. No entanto, o Verdão tem desperdiçado mais chances de gol e finalizado menos, um problema preocupante considerando os altos investimentos em atacantes.

É preciso dar tempo ao tempo

Embora o Palmeiras esteja enfrentando dificuldades neste início de temporada, o novo estilo de jogo pode render bons frutos quando todas as peças estiverem saudáveis e adaptadas. Paulinho ainda não estreou, e Vitor Roque acabou de chegar. Resta saber se Abel Ferreira manterá essa proposta de jogo mesmo após a saída de Estêvão para o Chelsea ou se uma possível mudança para um esquema com três zagueiros fará o treinador retornar a um estilo mais reativo.

Contra o Corinthians, ficou evidente que ainda existem problemas. O controle do meio de campo não é o mesmo, e, mesmo com Estêvão mais próximo do gol, ele ainda tem a tendência de buscar a bola mais próximo da lateral do que pelo centro, que é onde Abel deseja que ele jogue. Assim, é necessário um tempo para que o elenco se entrose e os jogadores se acostumem às novas funções.

Contudo, com a perda do Campeonato Paulista para seu maior rival e com a diretoria e Abel sendo questionados, esse tempo será concedido? O Brasileirão começa no fim de semana, e a resposta pode precisar ser mais rápida do que o esperado.

(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)