São Paulo x Alianza Lima
Futebol Libertadores

São Paulo vacila em casa e cede empate ao Alianza Lima após segundo tempo desastroso

O São Paulo deixou escapar dois pontos preciosos em casa na noite desta terça-feira, ao empatar por 2 a 2 com o Alianza Lima pela segunda rodada do Grupo D da Libertadores. A atuação do time no MorumBIS foi um espelho de duas faces.  Se no primeiro tempo o Tricolor mostrou domínio absoluto, com intensidade, organização e dois gols do inspirado Ferreira, a segunda etapa foi marcada por queda de rendimento, apatia tática e más decisões que permitiram a reação dos peruanos.

O resultado obriga o São Paulo a buscar pontos fora de casa e acende o alerta em relação à consistência da equipe de Luis Zubeldía. Com o empate, o Tricolor soma quatro pontos e ocupa a segunda colocação do grupo, atrás do Libertad, que venceu na rodada e chegou a seis pontos. O Alianza Lima, por sua vez, somou seu primeiro ponto e mostrou que, mesmo tecnicamente inferior, pode ser um adversário indigesto quando subestimado.

O jogo

O São Paulo começou o jogo com postura agressiva, ocupando o campo ofensivo e pressionando desde os primeiros minutos. A torcida empurrava e o time respondia com intensidade nas transições e nas investidas pelas pontas, especialmente pela direita, onde Ferreira parecia um veterano em sua estreia na Libertadores. O atacante foi o grande nome do primeiro tempo, participando diretamente das melhores jogadas e marcando dois gols com categoria.

O primeiro saiu aos 31 minutos. Após jogada construída pela esquerda, Luciano acionou Ferreira, que invadiu a área, driblou o marcador e finalizou com sutileza. A bola desviou no defensor e enganou o goleiro Viscarra, que nada pôde fazer. Pouco depois, Ferreira ampliou. Em cruzamento de Marcos Antônio, o camisa 11 se antecipou à marcação e cabeceou no canto para fazer 2 a 0, consolidando a superioridade são-paulina no primeiro tempo.

Além de Ferreira, Calleri, Luciano e Enzo Díaz foram bem no setor ofensivo, ajudando a criar e manter a posse no campo adversário. Do outro lado, o Alianza Lima pouco ameaçava, com exceção de uma jogada isolada de Barcos, que quase encobriu Rafael com uma cavadinha que acertou o travessão.

O cenário era promissor para uma vitória tranquila, mas tudo mudaria na etapa final. O que se viu no segundo tempo foi um São Paulo completamente diferente. A intensidade desapareceu, as linhas defensivas recuaram e o meio de campo perdeu controle. A equipe de Zubeldía pareceu confortável demais com a vantagem, e as substituições do treinador — que tinham a intenção de refrescar o time — surtiram o efeito contrário: desorganizaram o sistema de marcação e diminuíram o ímpeto ofensivo.

O Alianza Lima, que havia terminado o primeiro tempo apagado, voltou com postura mais agressiva e passou a encontrar espaços entre as linhas são-paulinas. Aos 20 minutos, após boa tabela na entrada da área, Castillo recebeu na direita e bateu rasteiro na saída de Rafael: 2 a 1. O gol inflamou os visitantes e deixou o São Paulo nervoso.

A pressão peruana aumentou, e dois minutos depois Lavandeira quase empatou com uma cabeçada perigosa. Aos 31, a virada emocional se concretizou: Huamán cruzou da direita e Quevedo, entre os zagueiros, acertou uma bicicleta — ainda que de canela — que foi parar no canto, sem chances para Rafael. Um golaço que calou o MorumBIS e expôs os problemas de postura e organização do São Paulo na segunda etapa.

Zubeldía tentou reorganizar o time com André Silva e Cédric, e o São Paulo até pressionou nos minutos finais. Calleri teve a chance da vitória nos acréscimos, após jogada de Cédric, mas sua finalização explodiu na trave. O empate ficou como castigo justo para quem parou de jogar antes do apito final.

O peso de dois pontos perdidos para o São Paulo

A grande lição do empate contra o Alianza Lima é a velha máxima do futebol sul-americano: Libertadores não perdoa desatenção. O São Paulo dominou o primeiro tempo, mostrou superioridade técnica e poderia ter matado o jogo com mais um gol. Mas ao escolher administrar com 45 minutos restantes, acabou dando espaço para uma equipe que, mesmo inferior, soube reagir.

O erro de Zubeldía nas substituições também entra em pauta. O treinador mexeu mal, desmontou o meio de campo e não conseguiu corrigir a queda de rendimento. A equipe perdeu profundidade, criatividade e compactação. Com os setores espaçados, virou presa fácil para os contra-ataques e infiltrações do Alianza.

Apesar do tropeço, ainda há espaço para recuperação. O São Paulo segue em boa posição no grupo, mas os próximos compromissos serão mais complicados — especialmente fora de casa. Para seguir com chances reais de liderar o grupo, será necessário mais do que um bom primeiro tempo. Será necessário competir com intensidade durante os 90 minutos.

A atuação de Ferreira foi um alento. Se mostrou pronto para assumir papel de protagonismo em jogos grandes. Mas o futebol coletivo do São Paulo ainda precisa amadurecer para ser competitivo na reta final da competição. No MorumBIS, a lição foi dura: quem vacila, paga. E na Libertadores, às vezes, o preço é a própria classificação.

(Foto: Miguel Schincariol/SPFC)