O Nottingham Forest segue fazendo história na atual edição da Premier League. Neste sábado, o time comandado por Nuno Espírito Santo venceu o Tottenham por 2 a 1 em pleno Tottenham Hotspur Stadium, em Londres, e chegou a 60 pontos, reassumindo a terceira colocação da tabela e se consolidando como um dos grandes destaques da temporada. Em contraste com o caos vivido pelos Spurs, o Forest mostra consistência, organização e, principalmente, uma identidade de jogo clara — algo raro entre os clubes fora do “Big Six”.
Com o resultado, o Tottenham permanece em 16º lugar, com 37 pontos, e apesar de ainda ter alguma folga sobre a zona de rebaixamento, se vê em um momento delicado. Já o Nottingham Forest segue fazendo uma temporada surpreendente, alcança os 60 pontos e reassume a terceira colocação, firme na briga por uma vaga na próxima Champions League.
O jogo
O que se viu no Tottenham Hotspur Stadium foi um primeiro tempo completamente dominado pelo Nottingham Forest. Em um intervalo de menos de 15 minutos, os visitantes liquidaram o confronto.
O primeiro gol veio em um belo chute de fora da área de Anderson, que acertou o canto e não deu chances para Vicario. O segundo, poucos minutos depois, foi do já tradicional Chris Wood, de cabeça, aproveitando mais uma falha defensiva do Tottenham — algo recorrente na temporada. O atacante, inclusive, chegou a marcar mais um pouco depois, mas o gol foi anulado por impedimento.
O time da casa parecia sem reação, nervoso e desconectado entre os setores. O meio-campo, desorganizado, não conseguia conter as transições rápidas do Forest e tampouco criar com eficiência.
No segundo tempo, o Tottenham até tentou esboçar uma pressão, especialmente nos minutos finais. Richarlison, o mais lúcido entre os ofensivos dos Spurs, já havia parado em uma grande defesa de Sels, goleiro do Nottingham. Mas conseguiu deixar o seu: em cruzamento de Pedro Porro, o brasileiro apareceu bem na área e completou de cabeça, diminuindo o placar para 2 a 1.
Apesar do gol, o Tottenham não conseguiu empolgar o torcedor. Faltou intensidade, sobrou nervosismo. Mesmo com mudanças feitas no segundo tempo, como a entrada de Solomon e Lo Celso, o time não teve volume ofensivo suficiente para buscar o empate. O Nottingham, por sua vez, se defendeu com organização e administrou o resultado até o apito final.
Forest mostra novamente consistência na Premier League
O que mais impressiona na campanha do Forest é a clareza na proposta de jogo. Nuno Espírito Santo encontrou um equilíbrio raro: um time que pressiona, ataca com agressividade, mas que também sabe sofrer sem a bola. O sistema defensivo é sólido, o meio-campo tem intensidade, e o ataque, com Chris Wood, Anderson e Gibbs-White, é versátil.
Anderson, aliás, tem se revelado uma grata surpresa. Contratado sem muito alarde, o meia tem contribuído com gols, assistências e uma leitura de jogo acima da média. Já Chris Wood, aos 32 anos, vive um renascimento: é um dos artilheiros da equipe, referência na bola aérea e jogador de confiança em jogos grandes.
A campanha até aqui não é fruto do acaso. O Forest tem aproveitamento consistente contra equipes médias e pequenas e já arrancou pontos importantes dos gigantes — incluindo vitórias sobre Manchester United e Chelsea. A atuação contra o Tottenham, apesar da fragilidade atual dos Spurs, reforça que o time sabe se impor mesmo longe de casa.
Vale lembrar que, na temporada passada, o Nottingham Forest brigou contra o rebaixamento até as rodadas finais. A permanência veio com sofrimento, mas a diretoria manteve Nuno Espírito Santo no cargo, deu reforços pontuais e confiou no processo. A estabilidade gerou frutos.
Hoje, o clube ocupa a terceira posição, à frente de times como Arsenal, Liverpool e Manchester United, e tem totais condições de garantir uma vaga na Champions League. Com seis rodadas para o fim do campeonato, o Forest depende apenas de si para alcançar o feito.
Por outro lado, a derrota para o Nottingham Forest não é um acidente isolado, mas parte de um padrão preocupante do Tottenham na temporada. A equipe já soma 18 derrotas, número que só fica atrás das 19 registradas nas temporadas 1993/94 e 1994/95 — os piores desempenhos da história do clube na era Premier League.
Mais do que o número absoluto de derrotas, preocupa a falta de identidade em campo. O Tottenham é um time previsível, com falhas recorrentes defensivas, pouca variação ofensiva e sem qualquer consistência tática. A insistência em um jogo mais reativo, mesmo atuando em casa, parece desconectada da necessidade da equipe de ser protagonista.
O técnico Ange Postecoglou, que começou a temporada com boas impressões, vê seu trabalho derreter sob a falta de resultados e queda no rendimento coletivo. Mesmo com nomes de qualidade no elenco, o time parece sem comando e sem confiança.
(Foto: Ryan Pierce/Getty Images)