Jon Jones
Lutas UFC

Já passou da hora de Jon Jones ser destituído do cinturão dos pesados do UFC

Jon Jones é, indiscutivelmente, um dos maiores lutadores da história do MMA. Dominante por anos no peso meio-pesado, invicto de fato desde que pisou no octógono pela primeira vez no UFC e campeão de duas divisões, o americano construiu um legado que poucos conseguem igualar. Mas, no momento, Jones não está ajudando o UFC, e muito menos a divisão dos pesos pesados.

Desde que venceu Stipe Miocic no UFC 309, em novembro de 2024, Jon Jones não voltou ao octógono. A luta contra Miocic foi tratada como uma espécie de “legado”, dois veteranos se enfrentando pela história, com o cinturão em jogo. Só que o título linear ficou parado desde então. Jones não apenas ainda não tem data para voltar, como vem evitando sistematicamente uma luta contra Tom Aspinall, atual campeão interino da categoria.

O problema é que esse tipo de comportamento desorganiza toda a divisão. Enquanto o cinturão linear permanece nas mãos de um lutador inativo, os demais nomes da elite dos pesados ficam em compasso de espera, ou se enfrentando por um título que deveria ter se tornado o principal.

A ascensão de Aspinall e o desrespeito com o campeão interino

Desde que Tom Aspinall nocauteou Sergei Pavlovich em menos de dois minutos no UFC 295 para conquistar o cinturão interino, ele deixou claro que queria enfrentar Jon Jones o quanto antes. Mostrou respeito pelo campeão linear, mas também deixou evidente que sua intenção era unificar os títulos e deixar para trás qualquer dúvida sobre quem é o verdadeiro dono da categoria.

Só que, para Jones, o confronto não parece ser uma prioridade. Em diversas entrevistas, o americano minimizou Aspinall, disse que sua prioridade era Miocic e até cogitou a aposentadoria. Depois do UFC 309, o discurso mudou pouco. E, enquanto isso, o tempo passou.

Agora, em abril de 2025, o UFC se vê obrigado a marcar Tom Aspinall x Ciryl Gane para o segundo semestre, em mais uma defesa do título interino. Essa é a prova cabal de que o cinturão linear virou um símbolo vazio, um obstáculo burocrático que só serve para atrapalhar o funcionamento de uma divisão que, por mérito, deveria ser comandada por Aspinall.

Gane, por sua vez, volta a disputar o título interino mesmo após já ter sido derrotado por Jones em 2023. Isso diz muito sobre o cenário atual: com o campeão linear fora do radar, os desafiantes precisam reviver confrontos antigos e lutar por um título que deveria ser o único.

Já passou da hora: o UFC precisa agir

Jon Jones tem o direito de descansar, recuperar-se fisicamente, refletir sobre seu futuro. Mas ser campeão do UFC vem com responsabilidades, e entre elas está a obrigação de defender o título com frequência razoável — especialmente em uma divisão ativa e com bons nomes, como os pesados estão agora.

É insustentável que o UFC mantenha dois cinturões ativos por quase um ano, sem perspectiva de unificação. E o mais grave: o próprio campeão linear não demonstra interesse em enfrentá-lo. Isso deveria ser o suficiente para que Dana White e companhia tomassem uma atitude: ou vacância do título linear ou a promoção imediata do cinturão interino ao status de oficial.

O UFC já passou por isso antes. Conor McGregor, por exemplo, foi destituído de dois cinturões por inatividade. Germaine de Randamie perdeu seu título peso-pena feminino por recusar lutas. Não há justificativa para que Jon Jones continue como campeão se não estiver disposto a defender seu posto contra o número um da atualidade.

Jones precisa perder o cinturão e Aspinall x Gane deve ser pelo cinturão linear

Aspinall tem feito tudo certo. Aceitou lutar pelo interino, nocauteou Pavlovich com autoridade, se manteve ativo e pediu a luta contra Jones, mas teve que lutar novamente para defender o cinturão interino contra Curtis Blaydes. Ciryl Gane, por sua vez, ainda é um dos lutadores mais técnicos e respeitados da divisão. Ambos merecem disputar o título linear, não apenas o simbólico cinturão interino.

Essa luta será importante por vários motivos: representa a nova geração dos pesados, oferece potencial de espetáculo e pode estabelecer uma rivalidade para os próximos anos. Mas, acima de tudo, essa luta deveria valer o título principal. Manter Jon Jones como campeão só porque seu nome carrega peso na história é uma decisão que prejudica o presente e o futuro da categoria.

Jon Jones continuará sendo uma lenda, independentemente do que decidir. Mas, neste momento, sua inatividade e a recusa em enfrentar Tom Aspinall estão prejudicando a divisão dos pesados e o andamento do UFC como um todo. O cinturão linear não pode ser um troféu de honra simbólica: precisa representar o melhor do mundo, e hoje, isso passa por Aspinall.

Se Jones não quer lutar, o UFC precisa fazer o que sempre fez: seguir em frente. E o primeiro passo é simples: promover Aspinall x Gane como a luta que define o novo campeão linear dos pesos pesados.

(Foto: Getty Images)