O PSG parece, enfim, ter aprendido com os erros do passado. No jogo de ida da semifinal da Champions League, o time francês foi até Londres e venceu o Arsenal por 1 a 0, com um desempenho que surpreendeu quem esperava mais um daqueles apagões europeus que viraram marca registrada da equipe nas fases decisivas. Dessa vez, o PSG mostrou maturidade, frieza e, acima de tudo, controle emocional para administrar o jogo — algo que faltou justamente em momentos decisivos da última edição.
Logo nos primeiros minutos, o Arsenal veio com tudo. A atmosfera no Emirates Stadium estava fervendo, o time inglês parecia querer resolver o jogo ali, na empolgação da torcida, na energia da juventude do elenco e na confiança construída ao longo da temporada. A pressão inicial até deu a sensação de que o PSG poderia se desestabilizar, como aconteceu no ano passado, no jogo de ida contra o Borussia Dortmund e, mais recentemente, na volta contra o Aston Villa, pelas quartas. Mas a história foi diferente.
Dessa vez, o PSG não se deixou levar pela pressão. Pelo contrário: usou a impaciência do Arsenal a seu favor. Com poucos minutos de jogo, os donos da casa já marcavam alto de forma desorganizada, deixando buracos no meio-campo. E aí foi a deixa perfeita. Em uma transição rápida, que começou com Donnarumma e passou pelos pés de Vitinha, a bola chegou até Kvaratskhelia, que acelerou, atraiu a marcação e achou Dembelé em condição perfeita para abrir o placar.
Depois do gol, o time francês simplesmente assumiu o controle emocional da partida. Nada de se afobar para matar o jogo, nem de recuar demais e convidar o adversário. O PSG ficou no meio do caminho — no bom sentido. Fez a bola rodar, gastou o tempo, irritou o Arsenal, e foi criando chances pontuais. O time londrino, por sua vez, não soube como reagir. A empolgação virou nervosismo, a confiança virou ansiedade. Saka e Martinelli não conseguiram levar perigo real, e Trossard foi neutralizado. E se algum perigo apareceu, Donnarumma estava lá, como uma muralha.
Essa postura do PSG representa uma clara evolução em relação à temporada passada. Basta lembrar como o time sofreu na última temporada. No jogo de ida contra o Dortmund, o Paris jogou bem, mas se desconcentrou em momentos-chave e perdeu por 1 a 0. Na volta, em casa, sucumbiu à pressão e perdeu o controle emocional, sendo eliminado sem conseguir reagir. Depois, contra o Aston Villa nesta temporada, nas quartas de final, a equipe chegou a abrir 2 a 0 no jogo de ida, mas cedeu o empate no segundo tempo com erros bobos. E no jogo da volta, mesmo avançando, quase deixou escapar a classificação por pura falta de concentração.
Mas agora a história parece outra. O time de Luis Enrique vem se mostrando mais coeso, mais sólido, com peças que amadureceram dentro do projeto. Vitinha é hoje um dos melhores meio-campistas da Europa. Ruben Neves está cada vez mais confiante. A zaga, com Marquinhos e Pacho vive um bom momento. E o ataque tem nomes em alta — especialmente um que merece um parágrafo só pra ele: Ousmane Dembélé.
O camisa 10 do PSG vive, disparado, a melhor fase da sua carreira. No jogo contra o Arsenal, além do gol, ele também foi decisivo com sua movimentação, visão de jogo e capacidade de quebrar linhas. Além disso, seus números na Champions League são de respeito: em 13 partidas na competição, já marcou 8 gols e deu 3 assistências. Ele se transformou em um líder técnico e emocional desse elenco, coisa que poucos imaginavam quando ele chegou com fama de inconstante e irregular.
Na temporada 2024/25 como um todo, os números são ainda mais impressionantes: 45 jogos, 33 gols e 12 assistências. Isso mesmo. Um atacante que sempre foi conhecido por sua habilidade e velocidade, mas nunca por ser tão decisivo, agora empilha participações diretas em gols. Dembélé virou sinônimo de eficiência e protagonismo. Ele é hoje uma das peças mais importantes desse PSG, não só pelo que entrega em campo, mas pela postura de quem parece, enfim, ter assumido a responsabilidade de carregar o time nos momentos grandes.

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Voltando ao jogo, é claro que o placar magro de 1 a 0 ainda deixa o confronto em aberto. O Arsenal tem qualidade, tem elenco e tem treinador para buscar uma virada em Paris. Mas o que mais pesa agora é o fator psicológico. O PSG não só venceu fora de casa como mostrou que sabe lidar com jogos grandes. E isso faz muita diferença em mata-mata de Champions. Além disso, o time francês ainda perdeu boas chances no segundo tempo — Dembélé, Kvaratskhelia e até Gonçalo Ramos tiveram chances claras que poderiam ter matado o confronto ali mesmo.
Esses gols desperdiçados podem sim fazer falta. Mas o torcedor parisiense tem motivos para confiar. Afinal, Donnarumma vive uma fase espetacular e fez pelo menos três defesas muito difíceis no segundo tempo. Quando o Arsenal esboçou uma reação, o goleiro italiano apareceu como um paredão. E lá na frente, com Dembélé em alta, Kvaratskhelia crescendo de produção e Doué ainda podendo decidir mesmo em noites discretas, o PSG chega como amplamente favorito para o jogo da volta, no Parque dos Príncipes.
PSG mais maduro
A lição parece ter sido aprendida. O PSG não é mais aquele time que se desespera quando leva um gol, que se perde em campo ou que deixa escapar vitórias por falta de atenção. Agora, a equipe mostra maturidade, cabeça fria e uma base forte o suficiente para sonhar com a final da Champions e, quem sabe, com o tão sonhado título. O torcedor pode, sim, começar a se animar. Porque esse PSG, ao que tudo indica, está mais preparado do que nunca para fazer história.
Foto: James Gill – Danehouse/Getty Images