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Vlahovic pode deixar a Juventus; veja cenários e interessados

Dusan Vlahovic chegou à Juventus com status de estrela e expectativas altíssimas. Hoje, três anos depois, é difícil sustentar esse entusiasmo. Com um contrato milionário e rendimento cada vez mais questionado, o atacante sérvio parece cada vez mais distante de Turim, e o clube, por sua vez, não esconde que já estuda maneiras de se livrar de um custo que não se justifica mais em campo.

A temporada 2024/2025 de Vlahovic está longe de ser ruim em números frios. São 9 gols na Serie A, 4 na Champions League e 1 na Coppa Italia, mas considerando o que se esperava de um jogador que recebe quase 11 milhões de euros por temporada, o saldo é decepcionante. Em 2025/2026, esse valor saltará para 12 milhões, o que torna sua permanência ainda mais insustentável, tanto esportiva quanto financeiramente.

A Juventus vive um momento de reconstrução, e parte desse processo inclui uma reavaliação rigorosa da folha salarial. Com apenas mais um ano de contrato a partir do próximo verão europeu, Vlahovic representa um dilema clássico: vendê-lo agora por um valor reduzido, renovar com um corte salarial que o jogador não parece disposto a aceitar, ou, no pior cenário, deixá-lo sair de graça em 2026.

Mais do que os números, o problema está no campo. Vlahovic aparenta falta de confiança, pouca mobilidade e falta de química com os companheiros de ataque. Seu posicionamento, antes agressivo e instintivo, agora parece hesitante. A impressão geral é a de um jogador que nunca conseguiu se adaptar verdadeiramente ao sistema da Juventus, com treinadores diferentes tentando, sem sucesso, extrair o máximo de seu potencial.

Mercado frio: quem pode (ou quer) Vlahovic hoje?

Com um salário próximo de Cristiano Ronaldo nos tempos de Juventus, a pergunta é inevitável: quem pode pagar por Vlahovic hoje? E a resposta não é animadora. Clubes da Premier League poderiam arcar com seus vencimentos, mas a performance recente do sérvio não justifica um investimento na casa dos 30 ou 40 milhões de euros, além de um salário gigantesco. A imagem que circula nos bastidores da elite europeia é a de um jogador caro, irregular e em queda técnica.

O PSG já teve interesse, mas hoje investe em perfis mais jovens e promissores. O Bayern procurava centroavantes, mas exige intensidade tática, algo que Vlahovic não tem demonstrado, e já tem Harry Kane em seu elenco. A Inglaterra, seu destino mais provável em 2022, agora vê o sérvio com ceticismo. A hipótese mais realista, ao menos financeiramente, vem do futebol saudita.

O Al-Nassr, que já havia sondado o atacante no mercado de inverno, poderia voltar à carga. Por ora, o próprio Vlahovic resiste a deixar a Europa. Resta saber se Manchester United e Liverpool, que buscam centroavantes, estariam interessados. No entanto, existem vários alvos acima de Vlahovic na lista de ambos os clubes, e ele não parece ser o tipo de atacante que agradaria Ruben Amorim ou Arne Slot.

Um fim melancólico para um projeto ambicioso

Quando a Juventus desembolsou cerca de 80 milhões de euros para contratar Vlahovic junto à Fiorentina, no início de 2022, o fez com a ideia de encontrar o novo grande camisa 9 do futebol europeu. Com apenas 22 anos na época e um faro de gol apurado, o sérvio parecia encaixar perfeitamente na ideia de renovação do clube, cansado de veteranos e em busca de protagonismo jovem.

Mas o plano falhou, e de forma lenta, frustrante. Vlahovic nunca deixou de ser titular, mas também nunca foi decisivo em momentos grandes. Sua trajetória virou um alerta sobre a importância do contexto tático, da paciência e da gestão de expectativas. Hoje, aos 25 anos, ele é uma incógnita: nem jovem promessa, nem estrela consolidada.

Se nada mudar, Vlahovic sairá da Juventus sem nunca ter vencido um grande título e sem deixar saudades. Para o clube, o problema é mais do que técnico ou tático: é também contábil. Um dos salários mais altos da Itália e um contrato que consome o orçamento para reforços. O ideal para ambas as partes seria uma venda já em 2025 — mesmo por um valor inferior ao desejado. A alternativa é um embate contratual prolongado e uma possível saída a custo zero, o que seria um fracasso institucional.

O caso Vlahovic sintetiza o dilema da Juventus contemporânea: um time entre passado e futuro, entre salários de galácticos e um futebol cada vez mais burocrático. Para o sérvio, o desafio será convencer alguém de que ainda vale o investimento. Para a Juve, o tempo corre contra. Quanto mais a novela se arrasta, mais provável parece um fim melancólico e sem retorno.

(Foto: Getty Images)