A estreia de Fernando Diniz no comando do Vasco terminou com derrota: 1 a 0 para o Lanús, pela Copa Sul-Americana. Apesar do resultado negativo, a partida foi uma amostra clara do que se pode esperar da nova era do treinador em São Januário. Logo no primeiro jogo, o Vasco apresentou os traços típicos do “Dinizismo”, tanto os pontos fortes que marcaram sua vitoriosa passagem pelo Fluminense, quanto os problemas recorrentes que frequentemente colocam seu trabalho em xeque.
O resultado foi amargo, mas o desempenho trouxe elementos para análise e até um certo otimismo em meio à frustração. A equipe vascaína mostrou evolução em alguns aspectos importantes do jogo, mas também repetiu falhas que já custaram caro a Diniz em outros clubes.
Saída de bola e posse qualificada: um Vasco com a cara do treinador
Logo nos primeiros minutos, ficou claro que Fernando Diniz conseguiu transmitir rapidamente seus conceitos básicos. O Vasco mostrou boa saída de bola curta, com triangulações organizadas entre goleiro, zagueiros e volantes, escapando da pressão argentina em diversos momentos com qualidade. A equipe também se mostrou confortável em sair jogando desde o campo de defesa, uma marca registrada do estilo do treinador.
Além disso, o time apresentou um nível de passe superior ao que vinha demonstrando, especialmente nas ligações curtas e no controle de ritmo com a bola no pé. Em certos momentos do jogo, o Vasco conseguiu marcar alto, pressionar a saída do Lanús e recuperar a posse no campo ofensivo, outro conceito central de Diniz que parece já ter sido absorvido, mesmo com poucos dias de treino.
Esses são os sinais iniciais de que o treinador tem potencial para elevar o patamar técnico do elenco, principalmente em termos de organização ofensiva. A impressão que ficou é que, com tempo, o Vasco pode se tornar mais fluido com a bola, e isso tende a beneficiar jogadores mais técnicos do elenco.
O outro lado: posse inefetiva, pouca criação e defesa vulnerável
No entanto, junto com os elogios vieram os alertas já conhecidos. A equipe teve muita posse de bola, mas foi pouco criativa e raramente levou perigo real ao gol do Lanús. O domínio no campo ofensivo, muitas vezes, se limitou a trocas de passes estéreis, sem objetividade ou profundidade. Esse é um problema recorrente nas equipes de Diniz, e vem se intensificando desde a reta final de sua passagem pelo Fluminense.
A falta de agressividade no terço final do campo acabou sendo determinante para a derrota. O Vasco rondou a área, mas criou pouco, finalizou pouco e falhou em encontrar alternativas quando o jogo exigia variações mais verticais. Além disso, o time se mostrou excessivamente exposto defensivamente, outro velho conhecido de quem acompanha o trabalho de Diniz.
Em diversos momentos, o Lanús explorou as costas dos volantes e laterais, aproveitando a desorganização na recomposição vascaína. O gol sofrido escancarou isso: em uma jogada vertical, a zaga não conseguiu lidar com o perigo e o Vasco se mostrou frágil defensivamente,
Diniz em São Januário: o que esperar?
Fernando Diniz chega ao Vasco com o desafio de consolidar um estilo de jogo autoral e, ao mesmo tempo, mostrar que aprendeu com os erros do passado. O técnico que encantou o país com o Fluminense de 2023 ainda carrega questionamentos sobre sua rigidez tática e a dificuldade de equilibrar ofensividade com solidez defensiva.
Se por um lado o Vasco já deu sinais de evolução técnica e maior controle da posse, por outro mostrou que ainda falta maturidade tática e contundência ofensiva. A missão de Diniz será transformar essa posse em ações reais de ataque, e principalmente blindar a equipe das transições que tanto machucam suas equipes.
No final, a estreia de Diniz no Vasco teve tudo o que se espera de um time dirigido por ele: bons momentos de construção, imposição técnica, coragem para sair jogando e, ao mesmo tempo, problemas na compactação e na criação ofensiva. O resultado negativo não apaga os pontos positivos, mas deixa claro que há muito a ser ajustado.
O torcedor vascaíno pode se empolgar com a evolução técnica, mas precisará de paciência para ver os ajustes acontecerem, e torcer para que os mesmos erros do passado não se repitam. O Diniz do Vasco promete ser o mesmo Diniz de sempre. A diferença estará em quanto ele conseguirá amadurecer o próprio estilo para que o bom futebol finalmente se traduza em resultados consistentes.
(Foto: Luís Robayo/AFP)