Tyrese Haliburton Pacers
Basquete NBA

“Choke”: Haliburton revive gesto histórico e entra para a lista dos grandes vilões dos Knicks; relembre

Na NBA, certas atitudes transcendem o jogo. Quando Tyrese Haliburton colocou as duas mãos no pescoço e fez o gesto de “choke”, termo usado para descrever uma equipe que “engasga” em momentos decisivos, logo após a virada espetacular do Indiana Pacers sobre o New York Knicks no Jogo 1 das finais da Conferência Leste, ele não apenas provocou um adversário. Haliburton se inscreveu em uma longa e inflamada lista de jogadores que se tornaram verdadeiros vilões em Nova Iorque.

Com uma atuação dominante, marcada por 31 pontos e 11 assistências, Haliburton liderou a virada dos Pacers, que perdiam por 17 pontos no último quarto, e fecharam o jogo em 138 a 135 na prorrogação, no lendário Madison Square Garden. O gesto, feito na direção da torcida, remeteu imediatamente a um dos momentos mais icônicos da história da NBA — e mais dolorosos para os torcedores dos Knicks: a provocação de Reggie Miller, há 31 anos.

Haliburton não é um nome qualquer para os fãs da NBA. Desde que chegou ao Indiana Pacers, o armador vem evoluindo de promessa a estrela. Mas nesta pós-temporada, especialmente após o gesto no Jogo 1, ele ganhou um novo status: o de inimigo número um no Madison Square Garden.Vaias pesadas acompanharam o jogador até o vestiário, e as redes sociais rapidamente explodiram com comparações entre Haliburton e Reggie Miller, o maior “anti-herói” da história recente do Garden.

Relembre outros jogadores que, assim como Haliburton, ganharam títulos de “persona non grata” no Garden:

Reggie Miller e o “choke” original

É impossível falar sobre provocações aos Knicks sem lembrar de Reggie Miller, o maior rival da franquia nos anos 1990. Em 1994, durante as finais da Conferência Leste entre Pacers e Knicks, Miller protagonizou uma das cenas mais emblemáticas (e dolorosas) para o torcedor nova-iorquino.

No Jogo 5 da série, em pleno Madison Square Garden, Miller marcou 25 pontos no último quarto e levou os Pacers à vitória. Mas o que entrou para a história foi a troca de provocações com Spike Lee, cineasta e torcedor símbolo dos Knicks. Após uma cesta de três, Miller olhou diretamente para Lee e fez o gesto de “choke”, apontando em seguida para o cineasta.

O gesto virou lenda, e Miller passou a ser a personificação do pesadelo para os fãs dos Knicks. Em 1995, ele voltou a atormentar Nova Iorque com os 8 pontos em 9 segundos, virando um jogo que parecia perdido no Madison Square Garden, novamente diante de Spike Lee. Ele consolidou seu status de “inimigo eterno” da torcida, que o vaia até hoje, mesmo aposentado.

Trae Young: o vilão moderno

Mais recentemente, foi Trae Young, armador do Atlanta Hawks, quem assumiu o papel de vilão. Durante os playoffs de 2021, os Knicks voltaram à pós-temporada após anos de seca, enfrentando os Hawks na primeira rodada. A esperança da torcida era alta — e o Garden pulsava como nos tempos de glória.

Mas Young tratou de silenciar o ginásio. No Jogo 1, marcou a cesta da vitória com menos de um segundo no relógio e fez sinal de “shhh” para a torcida, mandando o público “calar a boca”. No Jogo 5, que selou a eliminação dos Knicks, ele marcou 36 pontos e, antes de deixar a quadra, fez uma reverência irônica, como quem agradece por atuar em um “palco de espetáculo”.

A rivalidade com a torcida nova-iorquina se intensificou ainda mais quando Young afirmou que “adora jogar contra os Knicks porque é sempre divertido calar o Garden”. Desde então, seu nome virou sinônimo de provocação em Nova Iorque, e cada reencontro é aguardado com gosto de revanche.

Haliburton segue a tradição (e a rivalidade Pacers-Knicks também)

O gesto de Tyrese Haliburton pode parecer apenas uma provocação momentânea, mas ele resgata toda a carga histórica da rivalidade entre Indiana Pacers e New York Knicks, especialmente nos playoffs.

Durante a década de 1990, Pacers e Knicks se enfrentaram em cinco séries de pós-temporada, com Reggie Miller se tornando um pesadelo recorrente para Patrick Ewing, John Starks e companhia. O embate entre as duas franquias sempre foi pautado por jogos duros, físicos, provocativos e com finais dramáticos. Em 2025, com Haliburton assumindo esse papel, a rivalidade parece mais viva do que nunca.

Haliburton está apenas no início de sua história como rival dos Knicks. Mas com um único gesto — e uma atuação de gala — ele entrou para uma galeria restrita, onde poucos têm lugar: a de jogadores que provocaram, calaram e marcaram a torcida mais barulhenta da NBA. Ao lado de Reggie Miller e Trae Young, Haliburton passa a ser um dos nomes que, a cada vez que pisa no Madison Square Garden, será recebido com vaias, olhares hostis e uma atmosfera pronta para o confronto.

E talvez, para ele, isso seja exatamente o que quer: jogar com o coração acelerado, no centro do palco, e, se possível, sair ovacionado pelos próprios companheiros, e vaiado por milhares de nova-iorquinos.

Afinal, no Madison Square Garden, nem sempre é o herói quem recebe os holofotes. Às vezes, é o vilão que rouba o show.

(Foto: Getty Images)