O Barcelona sempre foi reconhecido no mundo inteiro por sua fábrica de talentos, a famosa La Masia. Por lá passaram lendas como Xavi, Iniesta, Busquets, Piqué, Messi, e mais recentemente nomes como Gavi, Lamine Yamal e Pau Cubarsí, que já estão brilhando no time principal. Só que, nos últimos tempos, além de formar jogadores para o próprio elenco, La Masia virou também uma baita fonte de dinheiro pro clube, e nisso quem tem papel fundamental é Deco, ex-jogador e hoje diretor esportivo do Barça.
Desde que chegou ao cargo, Deco vem conduzindo uma estratégia bem inteligente e necessária, principalmente num cenário onde o Barcelona ainda vive dificuldades financeiras. A ideia é simples: quem não serve pro time principal, vira ativo financeiro. Isso quer dizer que os garotos da base que não conseguem espaço no elenco profissional acabam sendo vendidos — mas não de qualquer jeito. O clube negocia bem, mantém percentuais sobre futuras vendas e transforma esses jogadores em receita importante.
Pra ter uma noção do tamanho desse impacto, segundo o jornal espanhol Marca, o Barça já arrecadou cerca de 100 milhões de euros (mais de R$ 550 milhões) só com a venda de jogadores formados em La Masia e no Barça Atlètic nos últimos meses. E isso sem contar os bônus e os percentuais futuros que podem ser ativados em negociações que ainda vão acontecer.
Entre as principais vendas recentes estão jogadores como Nico González, que depois de sair do Barcelona para o Valencia e passar pelo Porto, acabou vendido pro Manchester City numa operação que rendeu um total de 21,2 milhões de euros pro clube catalão. Um baita negócio pra um jogador que, sinceramente, nunca conseguiu se firmar no time principal.
Outro exemplo bem claro dessa estratégia é o lateral Álex Valle. Ele foi formado na base do Barça, mas não jogou nenhuma partida oficial pelo time principal. Depois de empréstimos pro Levante, Celtic e Como, finalmente foi vendido pro próprio Como, da Itália, que pagou a cláusula de rescisão, algo em torno de 6 milhões de euros. Um valor excelente, considerando que o clube praticamente não gastou nada na formação do atleta.
E não para por aí. Desde que Deco assumiu a direção esportiva, o Barcelona vendeu sete jogadores formados em suas categorias de base, gerando 57,7 milhões de euros só com essas transferências. São eles:
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Nico González (21,2 mi)
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Chadi Riad (9 mi)
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Abde (7,5 mi)
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Marc Guiu (6 mi)
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Álex Valle (6 mi)
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Unai Hernández (5 mi)
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Estanis Pedrola (3 mi)
Além disso, jogadores que passaram pelo Barça Atlètic, como Mika Faye e Julián Araujo, também renderam 20,3 milhões de euros. Ou seja, quando somamos tudo, o impacto financeiro da gestão de Deco na base é gigantesco.
Mas o trabalho dele não se resume só às vendas. Deco também está focado em proteger os maiores talentos do clube, aqueles que são considerados fundamentais para o presente e o futuro do Barça. Jogadores como Lamine Yamal, Pau Cubarsí, Marc Casadó e Marc Bernal tiveram seus contratos renovados com cláusulas rescisórias altíssimas, o que impede que outros clubes cheguem simplesmente pagando pouco pra levá-los embora. É uma blindagem necessária pra evitar perder joias antes da hora.
O próprio presidente Joan Laporta já fez questão de elogiar publicamente o trabalho do Deco nesse aspecto, destacando como ele tem sido peça-chave na reestruturação contratual e na proteção dos ativos do clube.
Por outro lado, nem todos os jogadores conseguem ter espaço no elenco principal, e aí entra o lado mais frio e empresarial da coisa. Deco vê a base como uma unidade de negócio dentro do clube, e isso não é demérito nenhum. Na verdade, é uma estratégia muito inteligente pra equilibrar as contas e, ao mesmo tempo, seguir valorizando o trabalho de formação.
Além das vendas diretas, o Barça mantém cláusulas de porcentagem sobre futuras vendas de diversos jogadores. Um exemplo claro é o zagueiro Todibo, que está no Nice e vive sendo alvo de especulações em outras janelas. Caso ele seja vendido, o Barcelona embolsa uma parte. A mesma situação vale pra jogadores como Trincão, Mingueza e Mika Mármol, que podem gerar uma grana interessante em negociações futuras.
Caso Vitor Roque
Um caso bem curioso e recente é o de Vitor Roque, que apesar de não ser da base, foi negociado com o Palmeiras praticamente pelo mesmo valor que foi contratado, mas com uma cláusula que garante 20% de uma futura venda ao Barcelona. Ou seja, o clube ainda pode ganhar mais dinheiro caso o atacante brasileiro brilhe e seja vendido mais pra frente.
Mina de Ouro do Barcelona
Enquanto isso, a torcida vive empolgada com os meninos que deram certo e seguem encantando no time principal. Lamine Yamal, Cubarsí, Fermín, Gavi… são nomes que representam não só o presente, mas também o futuro do Barcelona. E, como bem diz a imprensa espanhola, “El barcelonismo vive fascinado por la puesta en escena del equipo de Flick y, sobre todo, del papel de los canteranos”. Afinal, eles foram peças fundamentais na campanha que garantiu três títulos na última temporada: La Liga, Copa do Rey e Supercopa da Espanha.
No fim das contas, o trabalho de Deco mostra que saber usar a base não é só formar craques pro campo, mas também uma baita estratégia de negócio. Seja formando ídolos ou gerando receita, La Masia segue sendo o coração financeiro e esportivo do Barcelona.