O Palmeiras chega à Copa do Mundo de Clubes da FIFA cercado de expectativa e responsabilidade. O Verdão carimbou seu passaporte para o torneio mais global do futebol de clubes por conquistar a Libertadores em 2021. Sorteado no Grupo A da competição, o time brasileiro terá pela frente três adversários distintos: o tradicional FC Porto, o estrelado Inter Miami e o consistente Al Ahly, do Egito.
À primeira vista, o grupo parece balanceado, mas não exatamente assustador. Um clube europeu em fase de transição, uma equipe norte-americana com jogadores veteranos e um representante africano aparentemente “acessível”. No entanto, uma análise mais profunda revela um cenário diferente. Entre os três rivais, é o Al Ahly quem oferece o desafio mais perigoso ao Palmeiras, e os motivos são muitos.
A tradição silenciosa do Al Ahly
O Al Ahly não é apenas um clube gigante do Egito. É, na verdade, o clube mais vencedor da história do continente africano. São 12 títulos da Liga dos Campeões da CAF, dezenas de campeonatos egípcios e uma tradição de participar e competir no Mundial de Clubes. Diferente de equipes que chegam ao torneio como estreantes ou surpresas, o Al Ahly conhece o caminho.
Nos últimos anos, o clube egípcio se habituou a disputar o Mundial com regularidade, chegando ao torneio como representante da África nas edições de 2020, 2021, 2022 e agora em 2025. Em 2020, derrotou o Palmeiras nos pênaltis na decisão pelo terceiro lugar. Em 2021, caiu para o Verdão na semifinal por 2 a 0, mas deu trabalho. Em todas as participações recentes, mostrou organização, intensidade e uma identidade tática muito clara.
O Al Ahly não se destaca pelos nomes de seu elenco, mas sim pela coesão do time. Sob nova direção técnica, com o espanhol José Riveiro assumindo o comando, o time promete manter seu estilo intenso, de marcação alta e muita transição rápida. Riveiro, que fez bom trabalho no futebol sul-africano, deve implementar conceitos modernos, com valorização da posse e variações táticas que dificultam a leitura adversária.
Além disso, o elenco conta com jogadores experientes em competições internacionais, como Mohamed El Shenawy, Wessam Abou Ali e Emam Ashour. O entrosamento do grupo, aliado à disposição tática e à força mental já testada em grandes duelos, faz do Al Ahly um adversário perigosíssimo, especialmente em um grupo onde pequenos detalhes podem definir a classificação.
Porto e Inter Miami ainda representam perigo para o Palmeiras
Apesar de ser um clube europeu, o Porto chega ao Mundial em um momento de reconstrução. A equipe portuguesa teve uma temporada abaixo das expectativas no cenário europeu, com troca de treinador e saída de peças-chave. Embora tenha uma base competitiva e jogadores promissores, o time ainda não atingiu um nível de excelência que cause temor em seus rivais.
A camisa pesa, sim, mas o futebol apresentado pelo Porto nas últimas campanhas da Champions League e no Campeonato Português mostrou lacunas defensivas e dificuldades criativas contra adversários bem postados. Para o Palmeiras, o confronto contra os portugueses é desafiador, mas não representa o maior obstáculo do grupo.
Por outro lado, o Inter Miami é, sem dúvida, o clube com mais holofotes do grupo. Afinal, Lionel Messi estará em campo — e isso por si só já muda o cenário de qualquer partida. Junto a ele, nomes consagrados como Luis Suárez, Sergio Busquets e Jordi Alba formam a espinha dorsal de um time midiático e talentoso.
No entanto, o desempenho coletivo da equipe de Miami está longe de assustar. Na última temporada da Major League Soccer, o time foi eliminado nas quartas de final e fracassou na Copa dos Campeões da Concacaf. A defesa apresenta falhas de posicionamento, o meio de campo é lento na recomposição e o ataque, embora técnico, depende de lampejos individuais.
Se o jogo estiver controlado taticamente, o Palmeiras tem condições de neutralizar as principais armas do Inter Miami. A imprevisibilidade está em Messi, mas, coletivamente, o time da Flórida ainda não demonstrou ser capaz de dominar adversários bem organizados.
Um grupo equilibrado, mas com armadilha clara
O Grupo A do Mundial é, de fato, um dos mais nivelados. O Palmeiras estreia contra o FC Porto no dia 15 de junho, em seguida enfrenta o Al Ahly no dia 19, e fecha contra o Inter Miami no dia 23. Com apenas dois classificados por grupo, não há espaço para erro.
E é justamente no confronto contra o Al Ahly que mora o maior risco. Um tropeço pode custar a classificação. O estilo de jogo dos egípcios, baseado em intensidade física, transição rápida e marcação sufocante, tem tudo para incomodar o Palmeiras. O time de Abel Ferreira, acostumado a ditar o ritmo, terá que sair da zona de conforto para não ser engolido por um rival extremamente competitivo.
Muito se falará de Messi. Muito se respeitará o peso do FC Porto. Mas é o Al Ahly que o Palmeiras deve observar com mais atenção. Mais do que tradição ou nomes, o clube egípcio oferece um conjunto letal: experiência, tática e intensidade.
Para seguir vivo no Mundial de Clubes 2025, o Verdão precisará estar preparado para uma verdadeira guerra tática contra o Al Ahly. Uma guerra silenciosa, mas extremamente perigosa.
(Foto: Cesar Greco/Palmeiras)