Nesta quinta-feira (05), a Argentina venceu o Chile, fora de casa, e consolidou cada vez mais seu reinado em território continental. A vitória por 1 a 0, com gol de Julián Álvarez, tornou a Alviceleste campeã ‘simbólica’ das Eliminatórias. O triunfo foi construído em meio a um jogo de alternância, mas de domínio do time de Lionel Scaloni. Veja como foi a partida:
Jogando no Estádio Nacional, o Chile foi a campo em busca de conquistar, ao menos, um ponto diante dos líderes das Eliminatórias. Mesmo que voltando a pontuar em rodadas recentes, depois de cinco derrotas seguidas no fim do ano passado, a equipe de Ricardo Gareca apostava na experiência de Arturo Vidal e Alexis Sánchez, juntamente com os participativos Lucas Cepeda e Rodrigo Echeverría.
Do outro lado, a Argentina teve o retorno de sua principal estrela: Lionel Messi. O camisa 10 está recuperado da lesão na coxa esquerda que o deixou de fora dos jogos passados e foi convocado por Leonel Scaloni. No entanto, esta volta não foi imediata e o craque da alviceleste iniciou a partida no banco de reservas. A atual campeã mundial teve entre os onze iniciais um time misto, porém dispondo de jogadores leves. Entre as novidades estavam presença de Leonardo Balerdi e Nico Paz.
Argentina abre o placar com a frieza de Julián Álvarez

O Chile iniciou a partida tentando tomar a iniciativa. Logo aos três minutos, Alexis Sánchez experimentou para a defesa do goleiro ‘Dibu’ Martínez. La Roja tinha o objetivo de incomodar seu adversário e encontrar sua principal referência técnica, porém não restringiu a apenas essa estratégia. Foi pela direita que o time da casa concentrava suas investidas, utilizando o insinuante Lucas Cepeda.
Do outro lado, a Argentina manteve a calma para implementar a estratégia de controlar a posse de bola e conseguir trocar passes, assim envolvendo o adversário. Para esta missão, ter paciência era fundamental para que os espaços abrissem no momento em que os chilenos balançassem a marcação. Nesta linha, o objetivo foi atingido com êxito aos 16 minutos.
Em jogada que começou desde a linha de defesa, com Leonardo Balerdi, Thiago Almada recebeu no campo de defesa e acionou em profundidade Julián Álvarez para inaugurar o placar em Santiago. O atacante do Atlético de Madrid marcou pela quarta vez nessas Eliminatórias e também soma seis participações em gols.
Nitidamente, o Chile não teve sucesso em suas tentativas e viu uma Argentina muito cômoda, trocando passes e chegando à grande área com facilidade. Os ataques dos visitantes se construíam de forma rápida, em razão de o time ser leve e muito ágil. Com destaque para o onipresente Giuliano Simeone, os comandados de Scaloni pressionavam a saída de bola e faziam uma transição defensiva muito eficiente e veloz. Foram nesses aspectos que o hijo de ‘Cholo’ se notabilizou: ao final da primeira etapa, foram 10 desarmes dos argentinos — e cinco deles estavam na conta de Giuliano.
Os mandantes sofreram por terem um nível técnico muito distante dos argentinos, além de um time mais pesado e lento com e sem a bola. Era visível que o Chile não conseguia acompanhar a movimentação do seu oponente e os espaços eram encontrados com muita facilidade na linha de defesa. Com a bola, a equipe de Ricardo Gareca não gozava de uma liberdade para trocar, em virtude da pressão bem feita pelos meias da Argentina. Desta forma, não era para menos que os anfitriões terminassem a etapa inicial com apenas duas finalizações.
O domínio foi expresso na posse de bola: 76%. Essa é uma clara evidência de que a Scaloneta não depende exclusivamente de jogadores específicos — ela já está impregnada no DNA de todos os atletas. Ao fim da primeira etapa, a sensação era de que a Argentina poderia ter ido para o intervalo com uma vantagem maior. Os hermanos haviam desperdiçado uma grande chance com Thiago Almada, que, mesmo livre, finalizou em cima de Brayan Cortés.
Chile volta melhor pro segundo tempo

A dinâmica do segundo tempo foi semelhante ao primeiro, com o Chile tentando dominar as ações do jogo. Porém, voltaram com duas alterações: Altamirano e Hormazábal, nas vagas de Arturo Vidal e Vicente Pizarro. As substituições surtiram efeito e a marcação encaixou de prontidão. Assim, a Argentina teve a sua troca de passes interrompida e La Roja obteve mais desarmes e recuperações de bola.
A partir disso, o time de Ricardo Gareca passou levar mais perigo, principalmente pelo flanco direito. Lucas Cepeda teve três lances de perigo. A primeira, em um chute de longa distância que obrigou Martínez a espalmar pra escanteio; na segunda, o jogador do Colo-Colo carimbou a trave; já na terceira, a chance mais clara do empate, mandou por cima do gol.
Foram três oportunidades, sendo uma delas a chance de um empate valioso para os chilenos. Os líderes pareciam se acuar e praticamente não passaram do meio campo, e ainda tiveram a chance de liquidar a fatura com Giuliano Simeone, mas este chutou na rede pelo lado de fora.
Vendo que o volume de jogo do Chile começou a crescer, Scaloni pôs Messi em ação, com o intuito de causar preocupações aos rivais. Mas, nesta investida, o treinador argentino foi infeliz, até porque o astro não estava ainda em boas condições de atuar em alta rotatividade, característica do qual o jogo pedia. Assim, o atleta do Inter Miami teve pouca participação na partida e não impactou no espírito dos visitantes.
Do outro lado, o Chile seguia no abafa e o desespero tomou conta das mentes, principalmente das peças do ataque. Por diversas ocasiões, erros em tomadas de decisão foram cometidos e a afobação imperou na maioria dos ataques. Por essas razões pode-se atribuir o nervosismo como principal “algoz” de La Roja e por isso empate não foi conquistado. Placar final: Chile 0 x 1 Argentina.
Próximos compromissos
Derrotados no duelo de hoje, o Chile manteve-se na lanterna da competição, com 10 pontos somados. Na próxima rodada, La Roja visitará a Bolivia no dia 10 de junho, às 17h (horário de Brasília). na cidade de El Alto. Suas chances de conquistar uma vaga na repescagem ficam cada vez menores, e agora, são apenas duas vitórias em quinze jogos disputados, e estão virtualmente eliminados do torneio.
Com a vitória, a Argentina conquistou o título simbólico de melhor time da disputa Sul-Americana. Agora, são 34 pontos somados e não há mais como ser alcançada. Na 16ª jornada das Eliminatórias, Messi e companhia voltam a campo para medir forças diante da Colômbia, em casa, às 21h no mesmo dia.
Ficha técnica da partida
CHILE 0 x 1 ARGENTINA
Data: Quinta-feira, 05 de junho de 2025
Horário: 22h (de Brasília)
Local: Estádio Nacional Julio Martínez Prádanos (CHI)
Competição: 15ª rodada das Eliminatórias da Copa do Mundo 2026
Árbitro: Jesús Valenzuela (VEN)
Auxiliares: Jorge Urrego (VEN) e Tulio Moreno (VEN)
Quarto árbitro: Yender Herrera (VEN)
VAR: Juan Soto (VEN) e Carlos López (VEN)
Cartões amarelos: Arturo Vidal, 38’/1°T (CHI); Lucas Cepeda, 10’/2°T (CHI); Nicolás Tagliafico, 14’/2°T (ARG); Felipe Oyola, 31’/2°T (CHI); Brayan Cortés, 34’/2°T (CHI); Guillermo Maripán, 41’/2°T (CHI)
Gols: Julián Álvarez, aos 16’/1°T;
Chile: Cortés; Loyola (Marcelino Núñez, 41’/2°T), Maripán, Sierralta e Suazo; Vidal (Altamirano, no intervalo), Echeverria e Pizarro (Hormazábal, no intervalo); Cepeda, Alexis Sánchez (Dávila, 41’/2°T) e Osorio (Aravena, 13’/2°T). Técnico: Ricardo Gareca.
Argentina: Emiliano Martínez; Molina, Romero, Balerdi (Medina, 34’/2°T) e Tagliafico; De Paul e Palacios; Giuliano Simeone (Foyth, 39’/2°T), Nico Paz (Messi, 11’/2°T) e Almada (Mastantuono, 39’/2°T); Julián Alvarez (Ángel Correa, 35’/2°T). Técnico: Lionel Scaloni.
Foto: Reuters — Reprodução