Rayan Aït-Nouri será o novo reforço do Manchester City para a temporada 2025/2026. As partes chegaram a um acordo na manhã deste domingo, e a expectativa é de que o jogador seja anunciado nos próximos dias. Porém, os ingleses correm contra o tempo para regularizar a situação do argelino, para que ele integre o elenco na disputa da Copa do Mundo de Clubes. Mas o que os torcedores podem esperar do jogador no esquema de Pep Guardiola?
Com sua qualidade técnica, resistência física e capacidade de sair rapidamente da pressão adversária, ele se encaixa no perfil de jogador que agrada a Pep Guardiola — uma vez que o técnico trabalha, primordialmente, com o toque de bola desde a defesa. O lateral foi titular em 37 dos 38 jogos do Wolves na última edição da Premier League; marcou quatro gols e deu seis assistências em jogadas de bola rolando.
Processo de adaptação, versatilidade e habilidade

Antes de ser um dos destaques da modesta campanha do Wolves na última edição do Campeonato Inglês, Rayan passou por um série de adaptações para encontrar seu lugar. Pelo menos foi o que disse o auxiliar técnico de Julen Lopetegui, Edu Rubio, sobre as dificuldades da mais nova contratação do Manchester City.
“Na época em que estávamos lá, algumas pessoas nos criticavam porque achavam que não o escalávamos muito, então presumiam que não gostávamos dele como jogador. Mas isso não era verdade. Queríamos escalá-lo porque sempre achamos que ele era um ótimo jogador. O problema era o momento da transição. Ele precisava entender quando defender e quando atacar. Precisava aprender os fundamentos da posição de lateral.”
Nesta empreitada para encontrar seu estilo de jogo, Nouri teve um upgrade em seus atributos quando Vitor Pereira assumiu o comando técnico dos Lobos. Sob suas ordens, ele foi adiantado para a função de ala e passou a render melhor — na parte ofensiva e defensiva. Foi assim que ele integrou os 12 melhores da liga em número de desarmes.
Além disso, sua aptidão em atuar nas duas extremidades é admirável. Ele é o único defensor de origem na Premier League que figura entre os 25 melhores jogadores tanto em bolas recuperadas no terço defensivo quanto no terço ofensivo.
Ao se transferir para um time como o Manchester City, o argelino terá preocupações defensivas relativamente menores; em contrapartida, suas atribuições ofensivas serão mais exploradas. Em termos de posicionamento, o papel de um lateral no time de Guardiola exige mais participação no campo de ataque do que o de um ala no Wolves. Além disso, a versatilidade dos jogadores dos Citizens chama a atenção — muitos deles exercem mais de uma função, algo com o qual Aït-Nouri já está habituado.
Talvez, neste aspecto que surja seu ponto mais sensível: a consistência tática. Por mais habilidoso e versátil que seja, o mais novo contratado terá o desafio de entender que posicionamento e entendimento de estrutura de jogo serão fundamentais em seu novo clube. Tudo isso porque o Manchester City tem uma característica de jogo baseado nos conceitos “posicionais” e também de posse de bola.
Construção de jogo em espaços reduzidos será aproveitada no Manchester City

Um outro aspecto a ser abordado neste encaixe de Aît-Nouri é a questão da construção de jogo. O argelino é conhecido por ter uma capacidade de sair da pressão facilmente, com seus dribles curtos e também velocidade. Isto encaixa perfeitamente no City, pois os jogadores têm menos espaço para correr mesmo, portanto um atleta que saiba criar jogadas em espaços reduzidos pode ser ainda mais útil.
Os espaços estão sempre sendo vigiados e atacados, em virtude das movimentações constantes dos atletas. Por isso, não há com o que se preocupar em relação a bolas em profundidade ou espaços para os ponteiros realizarem sprints — isso não é uma característica preponderante no time de Pep.
Por outro lado, algo que agrada à filosofia de jogo do treinador espanhol é a capacidade de subir para a segunda linha e contribuir na articulação das jogadas — qualidade já vista em jogadores que passaram pelo Manchester City, como Oleksandr Zinchenko, Fabian Delph e João Cancelo, ou mesmo em atletas do atual elenco, como Matheus Nunes e Nathan Aké, frequentemente improvisados na função.
Por esta razão que a diretoria investiu na contratação do ex-jogador do Angers; e não em outros jogadores que se destacaram na Premier League passada — os casos de Milos Kerkez e Antonee Robinson. São perfis diferentes em relação ao novo reforço. Ambos tem um jogo em velocidade muito forte, porém por fora; além da inteligência de atacar a última linha para servir de opção de conclusão a gol.
Não é bem isso que a comissão técnica do Manchester City pensa: eles querem um lateral que conduza e leve o time ao terço final com a bola; e não um que a agrida esse espaço. Nesse sentido, Guardiola quer peças que rompam as linhas de formas diferentes, não só por meio de jogadas combinadas, mas também com dribles inteligentes, além da velocidade.
Assim, é explicado o porquê do argelino representar um reforço promissor e alinhado à filosofia do clube.
A transferência do Wolves para o Manchester City
A oferta inicial da diretoria era de 31 milhões de euros, mas podendo chegar a 36,3 milhões somando cláusulas e bonificações. A proposta foi aceita pelo time do Molineux e agora o atelta de 23 anos está com o caminho aberto para discutir termos pessoais com os representantes do Manchester City. Ele já concluiu os exames médicos e deve assinar um contrato de cinco anos com o Etihad.
Nesta missão ainda há um desafio: o curto tempo para inscrever o jogador para a disputa da Copa do Mundo de Clubes. O prazo é até o final de terça-feira, às 19h. Caso seja regularizado, ele poderá estar em ação na estreia dos Citzens no torneio, diante do Wydad Casablanca-MAR.
Foto principal: Andrew Kearns/ CameraSport — Reprodução