Alexsandro Brasil Ancelotti
Futebol Seleção Brasileira

As ‘caras novas’ de Ancelotti na seleção; confira 3 nomes que ganharam chances e brilharam

Em apenas duas partidas no comando da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti começou a mostrar por que é considerado um dos técnicos mais inteligentes e respeitados do futebol mundial. Com um olhar apurado e uma filosofia baseada na simplicidade funcional, o italiano apostou em nomes pouco explorados por seus antecessores e, até aqui, colheu resultados promissores.

A Seleção ainda busca identidade desde o fim do ciclo de Tite. Após um 2023 irregular, com testes e experimentos sob interinos, a chegada definitiva de Ancelotti trouxe ordem e critério. No empate contra o Equador e na vitória contra o Paraguai, Ancelotti fez algo que vinha faltando: deu espaço real para jogadores em ascensão nos seus clubes e soube posicioná-los nas funções onde rendem melhor.

Alexsandro: estreia segura e eficiente como zagueiro titular de Ancelotti

Entre as grandes surpresas da nova convocação, a titularidade do zagueiro Alexsandro foi a mais simbólica. O defensor de 25 anos teve uma temporada de alto nível no Lille, da França, sendo considerado um dos pilares defensivos da equipe na campanha que levou o clube longe na Champions League. Mesmo assim, era praticamente ignorado nas convocações anteriores, ofuscado por outros nomes.

Ancelotti decidiu observar o momento, não o nome. E escalou Alexsandro como titular ao lado de Marquinhos, em uma zaga que teve como prioridade a saída de bola com qualidade e a cobertura lateral para as subidas de Vanderson. O zagueiro respondeu com calma, precisão nos passes e um ótimo senso de posicionamento. Mostrou maturidade ao enfrentar atacantes físicos e foi fundamental na organização da linha defensiva, que terminou os dois jogos sem sofrer gols.

Sua atuação contra o Paraguai, especialmente, foi destaque. Com quatro desarmes certos, sete recuperações de bola e 93% de acerto nos passes, Alexsandro praticamente não errou e ainda ofereceu cobertura em momentos críticos. Em um setor onde o Brasil busca renovação, ele pode ter garantido um lugar no elenco de forma definitiva.

Matheus Cunha: finalmente utilizado na função correta

Matheus Cunha é um caso emblemático na Seleção. Convocado desde 2021, o atacante sempre esbarrou na falta de espaço e, quando entrava, era escalado fora de posição — como centroavante de área ou até aberto pelas pontas. No Wolverhampton, e agora prestes a atuar pelo Manchester United, Cunha se destaca por sua capacidade de jogar como segundo atacante, flutuando entre o meio e o ataque, com liberdade para construir e finalizar.

Ancelotti, conhecedor do futebol europeu e atento à performance dos atletas em seus clubes, fez o óbvio que ninguém havia feito: colocou Cunha na função em que rende. E o resultado foi imediato. Atuando como um “camisa 10 móvel”, entre as linhas, Cunha foi um dos principais responsáveis pela quebra da marcação adversária. Sua movimentação constante abriu espaços, confundiu zagueiros e facilitou a circulação ofensiva de Vinícius Júnior e Gabriel Martinelli.

No jogo contra o Paraguai, foi dele a assistência para o gol de Vini, um passe inteligente, dado com calma e visão de jogo. Além disso, participou ativamente da construção de jogadas, caindo pelos dois lados, recuando para armar e até ajudando na pressão pós-perda. Foi, sem dúvida, sua melhor atuação com a camisa da Seleção até hoje.

Vanderson: lateral moderno que encaixou com naturalidade

Outro nome que vinha sendo convocado, mas quase nunca utilizado, é o do lateral-direito Vanderson. Atuando pelo Monaco, o jovem de 22 anos se destacou na Ligue 1 com atuações consistentes, principalmente por sua capacidade de ir ao ataque com qualidade sem comprometer a defesa. Mas, na Seleção, era quase uma presença simbólica, até agora.

Ancelotti deu a ele a titularidade e liberdade para jogar no estilo que está habituado. E Vanderson aproveitou. Mostrou boa leitura defensiva, com recuperação rápida e bons botes, além de ser participativo na construção ofensiva. Atuando como uma espécie de ala em momentos com posse, ofereceu amplitude e triangulações com os meio-campistas. Sua sintonia com Bruno Guimarães foi um ponto alto do setor direito.

Com essa atuação, Vanderson ganha moral e pode, em breve, se consolidar como o titular da posição, ainda mais diante da ausência de concorrência consolidada, considerando as irregularidades recentes de Danilo e Emerson Royal.

Um novo Brasil mais funcional e equilibrado com Ancelotti

As três apostas certeiras de Ancelotti têm algo em comum: são baseadas no mérito atual, não em reputações passadas. O treinador italiano, como sempre fez nos clubes por onde passou, está valorizando o que o jogador oferece em seu melhor momento, respeitando características e utilizando cada um onde pode render mais. O resultado é um time que se movimenta com mais naturalidade, ocupa melhor os espaços e tem mais clareza tática.

Alexsandro trouxe firmeza e saída de bola; Matheus Cunha levou criatividade e mobilidade; Vanderson deu profundidade e segurança pelo lado direito. Três peças que não estavam na prateleira principal da Seleção e, agora, podem ser parte do esqueleto de um novo ciclo.

(Foto: Rafael Ribeiro/CBF)