Xabi Alonso, Real Madrid Chelsea
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Real Madrid: a 1ª lição de Xabi Alonso!

A estreia de Xabi Alonso como treinador do Real Madrid não poderia ter vindo com um desafio maior — e mais simbólico. Em partida válida pelo Mundial de Clubes, contra o Pachuca, do México, o técnico espanhol teve que lidar com uma das situações mais complicadas para qualquer treinador: ver o Real Madrid com um jogador a menos logo aos 7 minutos de jogo. A expulsão de Asensio jogou no lixo todo o planejamento tático construído até então, e o jogo virou uma verdadeira prova de fogo. Mas Xabi não tremeu. Pelo contrário: mostrou personalidade, leitura de jogo e, acima de tudo, comando.

Bom resultado para o Real Madrid

É verdade que, nos primeiros treinos, ele ainda não havia trabalhado situações de inferioridade numérica. Mas, diante do inesperado, ele soube reagir rápido, mexendo nas peças com inteligência e vencendo a partida não só no placar (3 a 0), mas também na moral. Os gols de Bellingham, Arda Güler e Fede Valverde selaram um resultado construído com cabeça fria, visão tática e decisões firmes.

Logo após a partida, Xabi Alonso admitiu que o lance de Asensio mudou tudo:

“Foi um erro que condicionou o jogo. Era melhor ter deixado o atacante adversário marcar e começar perdendo por 1 a 0”

Comentou, deixando claro que o clube vai conversar com o jovem Raúl Asensio sobre a imprudência. Mas a declaração também mostrou algo importante: ele pensa o jogo de forma estratégica, colocando o plano coletivo acima das emoções do momento.

Arda e Gonzalo: a aposta certeira de Xabi Alonso

A primeira grande decisão de Xabi foi não desmontar o ataque, mesmo com um a menos. Manteve Gonzalo em campo e deu as rédeas do meio para o jovem turco Arda Güler — e os dois corresponderam de forma brilhante. Arda foi destaque absoluto, comandando o ritmo, sendo criativo, agressivo e mostrando que tem muita presença ofensiva perto da área. Já Gonzalo foi extremamente participativo nos dois primeiros gols, se doando taticamente, inclusive ajudando na recomposição.

Outro mérito do novo técnico foi resistir à tentação de colocar um zagueiro logo após a expulsão. Qualquer outro treinador, numa situação como essa, talvez sacrificasse Gonzalo para dar lugar a Rüdiger e reforçar a defesa. Mas Xabi foi ousado: recuou Tchouaméni para a zaga, colocou Gonzalo aberto na esquerda e deslocou Vinicius Jr. para atuar como centroavante. A movimentação deu mais compactação ao time e trouxe o meio-campo mais para perto da área adversária, o que resultou em maior controle e chegada com perigo.

Comandando no intervalo: “Sem pressa!”

Com os gols de Bellingham e Arda ainda no primeiro tempo, o Real Madrid conseguiu alguma folga no placar mesmo com a desvantagem numérica. No vestiário, Xabi Alonso aproveitou o intervalo para passar mensagens claras e objetivas. Uma delas virou praticamente um mantra: “Sem pressa!”. O treinador pediu calma aos seus jogadores, controle emocional e paciência na saída de bola. Reforçou também a importância de trabalhar a construção desde a defesa — algo que, até aquele momento, ninguém estava conseguindo fazer com segurança.

A resposta veio na segunda etapa. O time voltou com mais clareza tática e, para manter o domínio, Xabi sacou Gonzalo e colocou Brahim Díaz. A ideia era simples: mais posse, mais fluidez, menos correria. Além disso, ele reforçou a necessidade de buscar sempre Tchouaméni, agora improvisado como zagueiro, para iniciar as jogadas e evitar erros sob pressão.

Durante a parada técnica da segunda etapa, a famosa “cool break”, Xabi e membros da sua comissão foram pessoalmente conversar com o volante francês para garantir que o plano seguisse como o combinado. Detalhismo e comunicação em tempo real, dignos de alguém que conhece o jogo por dentro e sabe que, às vezes, uma palavra no ouvido certo vale mais que uma substituição.

O gol da tranquilidade

O gol de Valverde aos 70 minutos veio para colocar o ponto final em um dos testes mais exigentes que um técnico poderia enfrentar em início de trajetória. Mesmo com um a menos desde os primeiros minutos, o Real Madrid foi superior em campo, mostrou controle, intensidade e não deu chances para o Pachuca respirar.

Xabi Alonso, logo no segundo jogo do Mundial de Clubes pelo Real Madrid, entregou uma aula de adaptação, leitura de jogo e, acima de tudo, coragem para bancar suas ideias. Ele não apenas venceu — ele convenceu. Mostrou que não está ali apenas por ter sido um ídolo do clube ou por moda. Está preparado, tem personalidade e já impôs seu estilo.

É cedo, claro. O caminho no comando do Real Madrid será longo e cheio de armadilhas. Mas se essa estreia com cara de tempestade serviu de termômetro, então o torcedor merengue pode começar a sonhar: com Xabi no banco, o futuro parece estar em boas mãos.