A última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo de Clubes trouxe alívio e preocupação na mesma medida para os dois representantes brasileiros. Palmeiras e Botafogo garantiram vagas nas oitavas de final, mas mostraram claros sinais de vulnerabilidade diante de seus adversários. O Verdão escapou de forma dramática após um empate contra o Inter Miami, enquanto o Glorioso perdeu para o Atlético de Madrid e caiu para a segunda colocação de sua chave.
Apesar da vaga, o desempenho abaixo do esperado de ambos acende um alerta para a fase eliminatória. A competitividade do torneio exige consistência, e os erros apresentados nesta rodada podem ser fatais contra adversários mais qualificados nas oitavas.
Palmeiras: drama em Miami e susto para se classificar
O Palmeiras entrou em campo contra o Inter Miami, no Hard Rock Stadium, precisando de ao menos um empate para não depender de outros resultados. No entanto, o início do jogo foi um pesadelo: com apenas 30 minutos, o time brasileiro já perdia por 2 a 0, com Lionel Messi ditando o ritmo da partida e explorando os espaços com facilidade.
OPalmeiras sofreu bastante com a recomposição defensiva lenta, especialmente pelos lados do campo. Estevão e Piquerez ficaram expostos, enquanto o meio-campo alviverde parecia desorganizado. Messi flutuava entre as linhas com liberdade, e o Inter Miami aproveitou as brechas com inteligência. A falta de compactação do Palmeiras gerou problemas de marcação e transições descoordenadas, culminando nos gols sofridos.
A reação veio apenas na segunda etapa, com o Verdão se lançando ao ataque. Paulinho, sempre oportunista, descontou. Depois, no abafa, Maurício empatou. Isso foi um respiro para um jogo muito equilibrado, onde o Inter Miami se mostrou muito organizado. Se perdesse e o Porto vencesse, o Palmeiras estaria eliminado, mas o empate dos portugueses em 4 a 4 contra o Al Ahly deixou o Verdão na liderança da chave.
No entanto, a equipe mostrou fragilidade em momentos cruciais, e a atuação muito aquém do potencial exige ajustes rápidos antes do confronto contra o Botafogo, nas oitavas — um duelo nacional que agora ganha contornos ainda mais equilibrados.
Botafogo: lição europeia no jogo físico
O Botafogo, que vinha embalado após vitória surpreendente contra o Paris Saint-Germain, entrou na última rodada dependendo apenas de si para garantir a primeira colocação do Grupo B. Mas o Atlético de Madrid mostrou por que é um dos times mais difíceis de enfrentar em torneios eliminatórios. Com intensidade, força física e um sistema defensivo impecável, o time espanhol venceu por 1 a 0 e empurrou o Glorioso para a segunda colocação.
O principal problema do Botafogo foi lidar com o jogo físico e de contato constante do Atlético. Rodrigo De Paul, apesar de sofrer com o calor, fez bom jogo, impondo ritmo e antecipando jogadas. Já o atacante Alexander Sorloth causou muitos problemas à defesa carioca, dominando bolas aéreas, ganhando no corpo e servindo como pivô em diversas ações ofensivas.
O time de Renato Paiva não conseguiu encontrar soluções. O meio-campo foi engolido em intensidade e a defesa, pressionada, cedeu espaços que o Atlético aproveitou. Apesar de enfrentar um Atlético sem ideias e dependendo muito de cruzamentos para Sorloth, o Botafogo também fez pouco, tornando a partida em um tiroteio que não poderia acontecer com um time que dominou o PSG defensivamente como o Glorioso.
Apesar da classificação, o resultado mostrou que o Botafogo ainda tem dificuldades contra adversários que impõem contato físico e dominam o meio-campo. A derrota também evidenciou a limitação do time em jogos onde precisa propor o ritmo, especialmente sem a mesma inspiração de nomes como Artur e Igor Jesus.
Palmeiras e Botafogo avançaram, e saem da fase de grupos com moral, mas com sinais de alerta. O desempenho desta rodada expôs deficiências que não apareceram no campeonato até agora. Agora, no mata-mata, não há margem para erro. O clássico nacional nas oitavas promete tensão, rivalidade e, acima de tudo, um novo teste de fogo para dois clubes que chegaram longe, mas que agora buscam mostrar que podem ir além.
(Foto: Chandan Khanna/AFP)