Miguel Cardoso Mamelodi Sundowns
Futebol Copa do Mundo de Clubes

Mamelodi Sundowns faz bonito, expõe fragilidades de Dortmund e Fluminense e sai com moral da Copa do Mundo de Clubes

A trajetória do Mamelodi Sundowns na Copa do Mundo de Clubes terminou ainda na fase de grupos, mas o desempenho do clube sul-africano deixou uma impressão duradoura. Sob o comando do técnico português Miguel Cardoso, o time não apenas venceu um jogo, como também pressionou e expôs falhas de dois favoritos: Borussia Dortmund e Fluminense. Eliminados com dignidade, os Sundowns mostraram que o futebol africano está mais técnico, maduro e competitivo do que nunca.

O grande diferencial do Mamelodi Sundowns no Mundial foi a coerência entre ideia e prática. Miguel Cardoso, técnico com passagens por clubes de Portugal, França e Grécia, implantou um modelo de jogo propositivo, com construção desde a defesa, posse controlada e trocas de posição constantes no setor ofensivo. A filosofia se conecta com a tradição do clube em valorizar o futebol técnico, muitas vezes apelidado de “Shoe Shine & Piano”, em referência ao estilo de jogo fluido e harmônico que privilegia o toque de bola e a mobilidade.

O time alterna entre o 4-3-3 e o 4-2-3-1, com destaque para a movimentação entre meio e ataque. Lucas Ribeiro, brasileiro que atua como meia ofensivo, foi o cérebro da equipe, com excelente visão e participação direta nas jogadas mais perigosas. Ao seu lado, nomes como Teboho Mokoena, Allende, Modiba e o atacante Peter Shalulile (que ficou no banco contra o Flu) contribuíram para um jogo técnico, organizado e competitivo.

Trajetória na Copa do Mundo de Clubes

Na estreia contra o Ulsan Hyundai, o Sundowns controlou o jogo com posse superior a 70% e pressionou a saída de bola do adversário durante todo o primeiro tempo. Com consistência, venceu por 1 a 0 e mostrou maturidade tática, além de disciplina defensiva para não correr riscos desnecessários. Foi a segunda vitória africana na história do novo formato da Copa do Mundo de Clubes, e um passo simbólico de evolução para o continente.

Mas foi nas partidas contra Borussia Dortmund e Fluminense que o Mamelodi ganhou holofotes. Contra os alemães, o time sul-africano saiu na frente com Lucas Ribeiro e chegou a ameaçar o empate depois de estar perdendo por 4 a 1. Ainda assim, dominou trechos importantes da partida e criou mais finalizações que o adversário em parte do segundo tempo.

Diante do Fluminense, o cenário foi diferente: o time precisava vencer para avançar, enquanto o adversário jogava pelo empate. Mesmo assim, os Sundowns mantiveram sua filosofia de jogo e pressionaram com qualidade. Faltou capricho nas finalizações e um pouco mais de sorte. O 0 a 0 eliminou a equipe, mas deixou o Tricolor em apuros, com Fábio fazendo grandes defesas e o Flu sofrendo para sair da própria área em vários momentos.

Expondo fragilidades de Fluminense e Dortmund

O Mamelodi Sundowns não se contentou em ser coadjuvante. Diante de adversários com mais investimento, mostrou que organização e leitura de jogo podem equilibrar as forças. Contra o Dortmund, expôs a fragilidade da zaga alemã nas transições defensivas. A defesa do time alemão não conseguiu lidar com a movimentação entrelinhas dos meio-campistas africanos, e os gols vieram com naturalidade.

Além disso, a desorganização na saída de bola foi um fator para o Dortmund durante toda a fase de grupos. Essa fragilidade já havia sido exposta contra o Fluminense, que não conseguiu converter em gols, mas foi contra o Mamelodi que ficou mais evidente. O time não conseguiu se desvencilhar da pressão constante dos sul-africanos, e sofreram com as chances criadas depois do turnover.

Já contra o Fluminense, a equipe revelou uma das maiores carências do time carioca: a recomposição lenta e a dependência de Jhon Arias nas transições ofensivas. O time de Renato Gaúcho recuou demais e deu campo ao Sundowns, que circulou a bola com paciência e levou perigo em escanteios e bolas cruzadas, especialmente nos minutos finais. A ausência de um matador na área impediu um destino diferente para o jogo.

Mamelodi Sundowns manda um recado

A participação do Mamelodi Sundowns no Mundial vai além dos números. O time representou um novo momento do futebol sul-africano — mais técnico, disciplinado e sem medo de enfrentar gigantes. A atuação segura diante de duas equipes de peso mostra que o trabalho de longo prazo da diretoria e da comissão técnica começa a colher frutos.

Além disso, o time foi elogiado pela imprensa internacional. Portais europeus e sul-americanos destacaram a postura ofensiva do time, a boa leitura de espaços e o desempenho tático que o colocou à frente de clubes de maior orçamento. O técnico Miguel Cardoso foi apontado como um nome promissor para o futuro — e pode, inclusive, receber sondagens após o torneio.

Com o desempenho apresentado, o clube também pode se tornar uma vitrine ainda maior para seus atletas, muitos dos quais despertaram interesse de clubes europeus e brasileiros. O modelo de jogo atraente e o projeto sólido consolidam o Sundowns como um dos clubes mais estruturados do continente.

Mesmo eliminado na fase de grupos, o Mamelodi Sundowns mostrou que vale mais do que o resultado final. Com um futebol ofensivo, bem treinado e coletivo, a equipe deixou o Mundial com moral, respeito e perspectivas promissoras. Se o placar não refletiu toda a qualidade, a atuação certamente será lembrada como um marco de evolução.

(Foto: Getty Images)