Flamengo x Bayern
Futebol Copa do Mundo de Clubes

3 motivos para acreditar que o Flamengo pode vencer o Bayern

Flamengo e Bayern se enfrentam nas oitavas de final da Copa do Mundo de Clubes em um duelo que, à primeira vista, parece desequilibrado no papel. Afinal, trata-se de um gigante europeu, campeão alemão, contra um clube sul-americano, de orçamento inferior e vindo de uma liga com menos exposição global. No entanto, dentro de campo, a história pode ser bem diferente.

O Flamengo chega ao confronto com um desempenho sólido na fase de grupos e, mais importante, com um modelo de jogo que pode expor exatamente as fragilidades apresentadas pelo Bayern até aqui. A seguir, listamos três motivos concretos que sustentam a crença de que o clube brasileiro pode sim sair vitorioso e avançar às quartas de final.

1. O desempenho irregular do Bayern na fase de grupos

Apesar do favoritismo e da força de elenco, o Bayern passou longe de convencer na primeira fase do Mundial. O time de Vincent Kompany venceu com facilidade o Auckland City na estreia por 10 a 0,um resultado que parecia confirmar as expectativas. Mas nos dois jogos seguintes, o desempenho caiu drasticamente.

Contra o Boca Juniors, o Bayern venceu por 2 a 1, mas com muita dificuldade. A equipe argentina foi organizada defensivamente e chegou a ameaçar nos minutos finais. Já na rodada final, diante do Benfica, os bávaros foram completamente anulados. Sofreram uma derrota por 1 a 0 e sequer conseguiram finalizar no gol durante o primeiro tempo. A atuação foi apática, com pouca movimentação e dificuldade para encontrar espaços entre as linhas.

Esse desempenho gerou críticas da imprensa europeia. A falta de intensidade, as falhas de posicionamento na recomposição e a dificuldade em reagir à pressão adversária mostraram que o Bayern está longe da versão avassaladora de temporadas anteriores. Isso abre uma janela de oportunidade para o Flamengo.

2. O estilo do Flamengo casa com as falhas do Bayern

O Flamengo tem se mostrado especialmente eficiente contra equipes que fazem a chamada “saída curta”, ou seja, que constroem o jogo desde o goleiro com toques curtos entre os zagueiros e volantes. Foi assim que desmontou o Chelsea na fase de grupos, com uma vitória contundente por 3 a 1.

Naquele jogo, o Flamengo pressionou alto, forçou o erro na saída e criou várias chances a partir de roubadas de bola no campo ofensivo. O mesmo aconteceu em parte do confronto contra o Espérance, em que a equipe rubro-negra se aproveitou de erros dos adversários na construção e dominou a partida.

O Bayern tem insistido nesse modelo de saída curta com Kompany, mas apresentou sérias dificuldades para lidar com pressão. Contra o Benfica, isso ficou escancarado. O time alemão foi pressionado desde o primeiro minuto, perdeu bolas em zonas perigosas e não teve alternativas para escapar do sufoco.

Se o Flamengo repetir a aplicação tática do duelo contra o Chelsea e conseguir pressionar com coordenação, pode forçar o Bayern a cometer erros. É um confronto de estilos, e, neste momento, o estilo rubro-negro parece mais afiado do que o sistema de construção bávaro.

3. A intensidade do Flamengo pode ser o diferencial

Outro ponto a favor do Flamengo é a intensidade com que a equipe vem jogando. Mesmo diante de adversários mais fortes tecnicamente, o time brasileiro tem conseguido manter um ritmo alto durante boa parte dos 90 minutos, com vigor físico, transições rápidas e comprometimento na marcação.

O Bayern, por sua vez, sofreu justamente pela falta de intensidade. Contra o Boca, o time caiu fisicamente na segunda metade do segundo tempo. Contra o Benfica, foi dominado desde o início e não conseguiu reagir. A rotação do elenco também gerou falta de entrosamento, e jogadores, como Kimmich e Goretzka, não conseguiram ditar o ritmo no meio-campo.

Flamengo, comandado por Filipe Luís, parece ter atingido um bom equilíbrio físico e mental. Jogadores como Wallace Yan, Bruno Henrique, Erick Pulgar e Jorginho vivem bom momento. A confiança do elenco está alta, e o ambiente na delegação é positivo, o que pode fazer a diferença diante de um adversário que aparenta estar em transição e com dúvidas táticas.

Favoritismo no nome, não no campo

Ninguém duvida que o Bayern tem mais história, mais títulos e um elenco mais valorizado. Mas isso não vence jogos. Dentro de campo, o Flamengo demonstrou nas últimas rodadas que tem armas suficientes para competir de igual para igual.

A combinação de um Bayern instável, de um Flamengo bem ajustado taticamente e de um confronto que favorece o estilo do clube brasileiro tornam este jogo muito mais equilibrado do que as previsões indicam. E quando há equilíbrio, a tradição e a camisa do Flamengo também pesam.

Se repetir a atuação contra o Chelsea, pressionar alto e manter a concentração do primeiro ao último minuto, o Flamengo tem sim totais condições de eliminar o Bayern e seguir firme rumo a uma campanha histórica na Copa do Mundo de Clubes.

(Foto: Gilvan de Souza/Flamengo)