Paul Pogba Monaco
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Monaco aposta em talentos renegados para reconstrução ambiciosa

O Monaco vem chamando atenção nesta janela de transferências não apenas pela ousadia nas negociações, mas também pelo perfil dos jogadores buscados. Ao invés de apostar exclusivamente em promessas emergentes ou reforços consolidados do mercado europeu, o clube do Principado vem mirando em atletas com um ponto em comum: todos já foram vistos como grandes estrelas do futebol mundial, mas se perderam ao longo do caminho. Paul Pogba e Ansu Fati já foram anunciados como reforços, enquanto Anthony Martial é o próximo alvo em análise.

É uma política de risco, mas que carrega lógica. Pogba, Fati e Martial compartilham uma narrativa: um início meteórico, seguido por lesões, baixa sequência e um certo ostracismo em clubes gigantes. Agora, o Monaco oferece uma nova chance, uma espécie de “refúgio de reconstrução”, para que esses nomes voltem a entregar o potencial que um dia os colocou entre os mais promissores de suas gerações.

Pogba: retorno ao berço e a luta contra o tempo

A contratação mais midiática é, sem dúvida, a de Paul Pogba. Revelado pelo Manchester United, mas forjado como estrela na Juventus, Pogba foi campeão mundial com a França em 2018 e chegou a ser o meio-campista mais caro do planeta. No entanto, desde 2021, sua carreira entrou em declínio acentuado, com seguidas lesões musculares, problemas extracampo e, por fim, a suspensão por doping que o afastou dos gramados desde setembro de 2023.

Após uma longa batalha jurídica, Pogba viu sua suspensão ser reduzida, ficando apto para retornar ao futebol em março de 2025. Livre no mercado, poderia ter buscado mercados mais exóticos, mas preferiu voltar ao seu país natal — e a um clube que ainda acredita em seu talento. Aos 32 anos, Pogba assinou por duas temporadas com o Monaco, com a promessa de ser uma das referências técnicas e emocionais de um grupo jovem.

A aposta é alta: Pogba carrega 18 meses de inatividade, e as dúvidas físicas ainda existem. Mas seu talento é inegável. No Monaco, poderá jogar sem a pressão de Manchester ou Turim, e com a oportunidade de liderar em campo e nos bastidores. Mais do que uma contratação, Pogba representa um símbolo do projeto ousado do clube monegasco.

Ansu Fati: o menino que carregou o peso do Barcelona

Se Pogba representa experiência, Ansu Fati simboliza juventude e reinício. Apontado como sucessor natural de Lionel Messi no Barcelona, Fati foi o jogador mais jovem a marcar na Champions League pelo clube catalão e chegou a herdar a lendária camisa 10 do ídolo argentino. Mas o corpo não acompanhou o talento.

Uma sequência grave de lesões entre 2020 e 2022 interrompeu seu desenvolvimento. Emprestado ao Brighton na temporada 2023/24, não conseguiu regularidade e voltou ao Barcelona sem perspectivas de ser aproveitado no elenco principal. Aos 22 anos, o atacante aceitou a proposta do Monaco como uma chance de recomeçar — fora dos holofotes de Camp Nou, em uma liga que pode lhe dar espaço e confiança.

O Monaco negociou um empréstimo com opção de compra em torno de 15 milhões de euros. A diretoria aposta que, com minutos consistentes e sem o peso das comparações, Fati pode reencontrar a alegria de jogar e recuperar parte da explosividade que o tornou um dos nomes mais valiosos do futebol europeu aos 17 anos.

Martial: o possível retorno ao lar

Além de Pogba e Fati, o Monaco trabalha discretamente para viabilizar o retorno de Anthony Martial, hoje no AEK Atenas, da Grécia. O atacante francês, revelado pelo próprio Monaco, deixou o clube em 2015 como uma das maiores promessas do futebol mundial. Foi para o Manchester United em uma negociação de 60 milhões de euros, mas nunca conseguiu se firmar de forma contínua no clube inglês.

Martial alternou bons momentos com períodos apagados, além de sofrer com lesões e mudanças constantes de técnicos. Agora, aos 29 anos, vê no retorno ao clube que o lançou uma oportunidade de fechar um ciclo — e, quem sabe, renascer no cenário europeu. As conversas ainda estão em estágio inicial, mas há otimismo entre as partes. A ideia é contar com Martial como uma peça versátil para o ataque, podendo atuar pelas pontas ou como referência.

Um projeto com cara e riscos definidos

A estratégia do Monaco é clara: apostar em jogadores subvalorizados, mas com histórico de talento, para montar um elenco competitivo a um custo menor que o de estrelas consolidadas. Com a volta à Champions League garantida, o clube quer mesclar juventude da base com nomes experientes que podem agregar liderança — e, se corresponderem, render retorno esportivo e até financeiro.

O risco é evidente. Pogba vem de longa inatividade, Fati tem histórico clínico delicado e Martial já passou por outros “renascimentos” frustrados. No entanto, o Monaco oferece um ambiente ideal: menos pressão da mídia, um técnico com histórico de desenvolvimento de talentos (Adi Hütter), e um projeto esportivo competitivo que pode devolver confiança e ritmo a atletas que apenas precisam de sequência.

O Monaco pode estar abrindo caminho para ser o clube dos “renascidos” na Europa. Pogba, Fati e, possivelmente, Martial carregam cicatrizes que muitos clubes não querem lidar. Mas o futebol é também uma narrativa de reviravoltas. Se o projeto monegasco funcionar, o clube não só ganhará em campo, mas também criará um novo modelo de reconstrução esportiva, dando nova vida a nomes que o mundo estava começando a esquecer.

(Foto: Divulgação/AS Monaco)