É o fim de uma era. Aos 37 anos, Ivan Rakitic decidiu dar adeus ao futebol profissional. O anúncio oficial nem veio da boca do próprio jogador, mas sim do técnico do Hajduk Split, Gonzalo García, que jogou a bomba numa entrevista à TV croata: “Rakitic terminou a carreira”. E com isso, um dos grandes meio-campistas da sua geração encerra um ciclo vitorioso e emocionante, com passagens marcantes por gigantes do futebol europeu e pela seleção da Croácia.
Se você é fã de futebol, com certeza já vibrou com algum passe, golaço ou atuação de gala do croata. E se não acompanhou muito, chegou a hora de relembrar — e conhecer — os capítulos mais marcantes da jornada desse camisa 7 que encantou o mundo com inteligência tática, técnica refinada e uma leitura de jogo fora do comum.
A despedida: emoção e silêncio no banco
No dia 19 de maio de 2025, Rakitic fez seu último jogo como profissional. Foi discreto, mas simbólico: ficou sozinho no banco de reservas, visivelmente emocionado, enquanto os companheiros e torcedores do Hajduk Split o olhavam com respeito. Na época, ele negou que fosse sua despedida. “As emoções fazem parte do futebol, mas ainda não tomei nenhuma decisão”, disse. Mas, agora, a confirmação chegou. E sim, aquele momento era o adeus.
Mesmo sem levantar taças em sua última temporada — o Hajduk terminou em terceiro lugar no Campeonato Croata, a apenas dois pontos do campeão Rijeka — Rakitic manteve o alto nível. Foram 39 partidas, dois gols, cinco assistências e muita entrega. Uma saída digna.
Do Basel ao mundo: a construção do craque
A história de Rakitic começa na Suíça, mais precisamente no Basel, onde estreou como profissional em 2005. Logo de cara mostrou talento e faturou a Copa da Suíça em 2006. Em 2007, deu o salto para o Schalke 04, da Alemanha, onde permaneceu até 2011 e conquistou a Copa da Alemanha — seu primeiro título em uma das grandes ligas europeias.
Mas foi na Espanha que Rakitic realmente se transformou em protagonista. Em 2011, chegou ao Sevilla, onde começou a escrever seu nome na elite do futebol europeu. Ali, viveu sua primeira fase mágica, sendo peça-chave na conquista da UEFA Europa League em 2013/14.
A era de ouro para Rakitic no Barcelona
Se tem um clube que representa o auge da carreira de Rakitic, esse clube é o Barcelona. Em 2014, ele foi contratado pelo time catalão para integrar um dos elencos mais poderosos da história recente do futebol — e não decepcionou. Durante seis temporadas no Camp Nou, conquistou 13 títulos e foi titular em praticamente todos eles.
Entre as conquistas, destaque para a UEFA Champions League de 2014/15, onde marcou até gol na final contra a Juventus. Além disso, faturou quatro LaLigas, quatro Copas do Rei, duas Supertaças da Espanha, uma Supercopa da UEFA e um Mundial de Clubes. Jogando ao lado de Messi, Iniesta, Busquets e companhia, o croata foi essencial para manter o equilíbrio do meio-campo e dar fluidez ao estilo tiki-taka.
Voltas e mais voltas: o retorno ao Sevilla, a Arábia e o Hajduk
Depois do ciclo no Barça, Rakitic voltou ao Sevilla em 2020. E adivinha? Ganhou mais uma Europa League — agora na temporada 2022/23. Isso mesmo, duas passagens, dois títulos continentais. É o tipo de conexão que poucos jogadores conseguem com um clube.
Depois, ainda teve uma rápida aventura na Arábia Saudita, pelo Al-Shabab, em 2023. Mas não se adaptou ao futebol local e decidiu voltar para casa em 2024, assinando por uma temporada com o Hajduk Split, seu clube de infância. Foi uma volta carregada de significado, encerrando a carreira onde tudo começou, com a camisa que o fez sonhar ainda menino.
Vice-campeão do mundo com a Croácia
Se no clube os feitos foram gigantescos, na seleção não foi diferente. Rakitic foi um dos líderes da Croácia na campanha histórica da Copa do Mundo de 2018, na Rússia. Jogando com Modric, Perisic, Mandzukic e companhia, levou os croatas à final — algo inédito — e só parou na poderosa França, com placar de 4 a 2.
A imagem de Rakitic cantando o hino croata com os olhos marejados e dando o sangue em cada dividida é daquelas que ficam na memória. Ao todo, foram 887 jogos na carreira, com 125 gols e 141 assistências — números excelentes para um meia.
O próximo capítulo
Agora, a bola vai dar lugar ao blazer. Rakitic continuará no Hajduk, mas fora das quatro linhas. Ele será assistente de Goran Vucevic na direção esportiva do clube. Segundo o técnico Gonzalo García, ele tem “boas ideias, é inteligente e entende de futebol” — mas está atravessando o desafio de todo ex-jogador: a transição das chuteiras para os bastidores.
Um adeus sem escândalo, mas com muito legado
Diferente de outros craques que saem de cena com polêmicas, Rakitic deixa os gramados de forma silenciosa, mas com um legado que fala alto. Foi campeão por onde passou, respeitado pelos colegas, admirado pelos adversários e idolatrado por torcedores.
Fez parte de grandes histórias, viveu grandes finais e ajudou a transformar a Croácia em uma potência do futebol. E o melhor: sempre com humildade, classe e respeito pelo jogo.
Se o futebol é uma arte, Rakitic foi um dos seus grandes pintores — desses que não precisam de gritos para serem eternos.