Em um confronto dramático, o PSG venceu o Bayern por 2 a 0 e garantiu sua vaga nas semifinais da Copa do Mundo de Clubes. O duelo, realizado neste sábado, foi digno do peso das duas camisas: os atuais campeões da Champions League contra um dos clubes mais vitoriosos do planeta. No fim, a equipe francesa soube aproveitar os momentos decisivos e contou com um inspirado Donnarumma no gol para seguir firme na busca pelo título inédito.
A vitória colocou o PSG na rota de um possível reencontro com Kylian Mbappé, agora jogador do Real Madrid. Isso, claro, se os merengues passarem pelo Borussia Dortmund no jogo que ainda definirá o outro semifinalista. A semifinal acontece na próxima quarta-feira (9), no MetLife Stadium, em Nova York.
O jogo
O primeiro tempo começou com chances para ambos os lados e atuações memoráveis dos dois goleiros. De um lado, Donnarumma salvou o PSG em duas finalizações perigosas de Olise e, depois, em um cruzamento venenoso de Pavlovic que quase terminou em gol de Musiala. Do outro, Neuer teve que trabalhar dobrado para parar Kvaratskhelia, que infernizou a defesa alemã pela esquerda.
Apesar do 0 a 0 parcial, o jogo estava longe de ser morno. A maior tensão veio nos acréscimos, quando Musiala, em um lance individual na linha de fundo, caiu após contato com Donnarumma. O que parecia ser um possível pênalti terminou em tragédia esportiva: o meia do Bayern sofreu uma grave lesão na perna esquerda. A cena chocou até Donnarumma, que imediatamente levou as mãos à cabeça. O árbitro optou por encerrar o primeiro tempo alguns segundos antes do previsto.
Na volta do intervalo, o PSG tentou pressionar e quase abriu o placar com Barcola, parado em defesa espetacular de Neuer. Mas o destino do jogo começaria a mudar em um erro do goleiro alemão. Aos 28 minutos, ao tentar sair jogando, Neuer chutou a bola em cima de Kvaratskhelia. Na sequência, o lance se desenrolou com tentativa frustrada de Dembélé, mas o PSG manteve o ímpeto. Aos 32, João Neves recuperou no meio, tocou para Hakimi, que achou Doué, e o meia finalizou com categoria, pegando Neuer no contrapé e colocando os franceses em vantagem.
O jogo esquentou. Cinco minutos após o gol, o zagueiro Pacho foi expulso por entrada violenta em Goretzka, e o PSG teve que se reorganizar defensivamente. Kvaratskhelia saiu para a entrada de Beraldo, e o time se fechou bem. Aos 41, Kane chegou a marcar, mas o VAR anulou o lance por impedimento.
Aos 50 minutos, Dembélé quase ampliou ao acertar o travessão, mas a consagração veio segundos depois: Hakimi, em jogada espetacular pela direita, driblou três marcadores e serviu Dembélé, que dessa vez empurrou para o fundo das redes.
Ainda sobrou tempo para mais drama. Nos acréscimos, o árbitro marcou pênalti de Nuno Mendes em Thomas Müller, mas o VAR reverteu a decisão e, enfim, o apito final soou para decretar a vitória parisiense.
PSG mostra maturidade novamente
A classificação do PSG foi fruto de uma atuação equilibrada e emocionalmente madura. Em um jogo de altíssima exigência física e técnica, a equipe francesa soube aproveitar os momentos decisivos e teve calma mesmo após a expulsão de Pacho. Mais do que isso: o time soube resistir à pressão de um gigante como o Bayern com inteligência tática e leitura de jogo.
O destaque individual da partida vai para Gianluigi Donnarumma, que fez ao menos quatro defesas difíceis e foi fundamental para manter o PSG vivo no primeiro tempo. Também merece menção João Neves, que comandou o meio-campo com sobriedade e participou diretamente do primeiro gol. E claro, Hakimi, que protagonizou a jogada do segundo gol com habilidade e coragem, simbolizando o espírito de decisão da equipe.
Do lado do Bayern, o resultado representa frustração. A equipe alemã teve momentos de domínio, criou boas chances, mas foi ineficiente nas finalizações e acabou castigada por erros individuais. A falha de Neuer no lance que originou o primeiro gol pode ter sido o ponto de virada emocional da partida. Além disso, a lesão de Musiala abalou o time, que perdeu seu principal articulador logo no fim do primeiro tempo.
Outro ponto a ser destacado foi o descontrole emocional. A equipe bávara teve dois jogadores expulsos — Pacho e Lucas Hernández — e, mesmo com superioridade numérica em parte da segunda etapa, não soube aproveitar.
Com a vitória, o PSG avança às semifinais e mantém viva a chance de conquistar seu primeiro título mundial. Em campo, mostrou uma equipe mais pronta emocionalmente e taticamente do que em anos anteriores. O futebol apresentado não foi perfeito, mas foi cirúrgico nos momentos-chave.
(Foto: Patrícia de Melo Moreira/AFP)