Futebol Copa do Mundo de Clubes

Será que os europeus estão ligando para a Copa do Mundo de Clubes?

A Copa do Mundo de Clubes chegou às semifinais com três potências europeias e o Fluminense, que bravamente eliminou Inter de Milão e Al Hilal para chegar entre os quatro melhores do torneio.

Até aqui, a Copa se caracterizou por vários aspectos, mas os dois principais foram as zebras e poucos estádios cheios. E essas duas questões passam por uma dúvida: será que os europeus estão ligando para a competição como o resto do mundo?

Acompanhamos a competição “in loco” e vamos passar nossa impressão sobre o comportamento de jogadores e torcedores de clubes europeus, além de analisar a diferença de valorização da competição deles em relação a nós, sul-americanos.

Estádios com poucos europeus na Copa do Mundo de Clubes

A torcida europeia não comprou o campeonato como a FIFA esperava. Os torcedores dos grandes clubes europeus em sua esmagadora maioria não prestigiaram a competição nos estádios.

Os grandes como Manchester City, Bayern e PSG, atraíram um belo público de admiradores estrangeiros, enquanto o Real Madrid, teve apoio maciço em suas partidas, sendo o clube com a maior torcida no torneio.

Entretanto, sem os torcedores dos países de origem, o apoio das arquibancadas com cantos e organização para torcer era infinitamente inferior ao dos sul-americanos, egípicios, mexicanos e norte-americanos, que fizeram muito mais barulho nos estádios, novamente, com exceção do Real Madrid, que também apresentou uma torcida barulhenta e organizada nos jogos.

Torcida do Real Madrid na Copa do Mundo de Clubes
Torcida do Real Madrid na Copa do Mundo de Clubes (Imagem: Steve Reed/Associated Press)

Isso pode ser explicado pela distância e, principalmente, por ainda considerarem a Champions League como seu campeonato mundial, colocando acima da Copa do Mundo de Clubes. Fora isso, ainda existe o fato de estarmos durante o verão europeu, onde as pessoas preferem viajar ou curtir coisas em família, sem adicionar essa competição nos Estados Unidos como uma opção.

Apesar disso, ao longo da competição o interesse dos europeus foi aumentando, as audiências na Espanha, Inglaterra e França atingiram números muito bons e a expectativa para as semifinais e a final são de estádio cheio e recordes de audiência, dando o aval para a sequência da competição em 2029, que deve ter um interesse ainda maior, desde o início. Se a competição não pegou  os torcedores europeus desta vez, com certeza pegará no próximo.

Europeus com desempenho abaixo do esperado

A Copa do Mundo de Clubes teve até aqui 11 confrontos entre europeus e sul-americanos, com cinco vitórias de clubes da Europa, três triunfos de times da América do Sul e três empates, números que mostram um domínio europeu aquém do esperado. Além disso, a derrota do Manchester City para o Al Hilal configurou a primeira derrota da Europa para a Ásia em competições oficiais de clubes.

Por que será que a maioria dos prognósticos estavam errados? A distância do futebol europeu para o sul-americano não é tão grande assim? Quais os fatores que podem explicar essa decepção com o desempenho de alguns europeus? Será que eles levaram a competição a sério? Vamos tentar responder essas perguntas.

Em relação à primeira pergunta, a resposta é bem simples. Ao longo do ano, acompanhamos os times europeus no auge de sua forma, jogando em condições favoráveis e apoiados por seus torcedores com a pressão de vencer a qualquer custo. O desempenho visto em campo nos grandes jogos, mostra um futebol mais veloz, técnico e tecnicamente superior ao praticado no resto do mundo, por isso, a expectativa era de uma supremacia europeia na competição.

Falando da distância, quando comparamos os times em seu auge na temporada, os grandes europeu são bem superiores, entretanto, com os sul-americanos, principalmente brasileiros, no auge físico, enquanto os europeus estão num período em que estariam de férias, a distância diminui vertiginosamente.

Somado isso ao calor intenso e o padrão tático de dar a bola para o adversário se cansar e trabalhar explorando as falhas, tivemos jogos que demonstraram forças equiparadas e, em alguns casos, com sul-americanos claramente superiores, como em Fluminense x Borussia Dortmund e Flamengo x Chelsea, por exemplo.

Flamengo vence Chelsea por 3 a 1 pela Copa do Mundo de Clubes
Flamengo vence Chelsea por 3 a 1 pela Copa do Mundo de Clubes (Imagem: David Ramos/Getty Images)

Além dos fatores climáticos e físicos, existe a motivação do europeu, que é infinitamente menor que a do sul-americano, já que a vitória do Botafogo contra o PSG, do Flamengo diante do Chelsea e do Fluminense sobre a Inter, repercutiram absurdamente, algo que nem de perto aconteceu com qualquer vitória de clube europeu. O nosso futebol tinha muito mais a provar que o deles.

Essa falta de motivação, causada também por terem que jogar nas férias, traz a soberba dos jogadores acharem que poderiam ganhar como quisessem, além dá má vontade de jogarem nas férias. Um caso claro disso foi da Inter de Milão, que teve uma espécie de boicote de atletas, gerando uma briga pública dentro do elenco, após uma entrevista de Lautaro Martínez.

Entretanto, apesar de tudo o que foi dito, é claro e evidente que os europeus queriam ganhar e, se o Fluminense não fizer algo épico, um deles conquistará o mundo. A vontade não foi a mesma em relação a jornada pela Champions League, mas claramente os times eliminados sofreram muito com isso, sentindo no bolso e na moral e, quem não levou a sério, teve uma bela lição e nunca mais repetirá esse comportamento.

A competição mostrou que o futebol é global e existem times que podem sim fazer frente ao segundo escalão da Europa e, em uma jornada especial, vencer os de primeiro escalão, basta terem condições favoráveis para isso, algo que a Copa do Mundo de Clubes ofereceu. Que golaço da FIFA! O sinal amarelo foi aceso na Europa, vamos esperar o que virá por aí.

(Imagem de capa: Getty Images)