O UFC Nashville terminou com um card movimentado e algumas definições importantes para o futuro de nomes relevantes no cenário da organização. A vitória de Derrick Lewis sobre o brasileiro Tallison Teixeira foi o destaque da noite, não apenas pela contundência, mas também pelas discussões sobre a interrupção polêmica do árbitro. O nocaute no primeiro round reforçou que Lewis ainda é um dos homens mais perigosos da categoria dos pesados, mas o futuro do “The Black Beast” dentro do Ultimate segue em aberto — e com caminhos distintos à vista.
Enquanto isso, Tallison tem que recuperar a confiança, e Gabriel Bonfim finalmente deve entrar nos rankings dos meio-médios. Stephen Thompson, por sua vez, não vai parar e deve encarar a próxima grande promessa da divisão.
Derrick Lewis: uma nova corrida pelo cinturão ou o velho papel de porteiro?
Antes do atropelo contra Tallison, Derrick Lewis voltou a falar sobre o desejo de buscar mais uma chance pelo cinturão da categoria, atualmente nas mãos de Tom Aspinall. O veterano dos nocautes quer uma última corrida pelo título e sente que ainda tem poder para disputar de igual para igual com o topo da divisão. No entanto, ainda não se sabe se essa é a direção que o UFC deseja tomar para o americano.
O cenário atual coloca dois caminhos claros para Lewis. Um deles seria enfrentar um adversário do top 5 — Curtis Blaydes surge como o nome mais lógico, já que é o número 4 do ranking e ambos possuem histórico de rivalidade e confrontos passados. Uma vitória sobre Blaydes seria um passo definitivo para recolocar Lewis na rota do cinturão.
O outro caminho seria mais alinhado ao que o UFC costuma fazer com Lewis: mantê-lo como o “porteiro” da divisão, testando os prospectos que sobem rapidamente. Nesse caso, um nome que se encaixa seria o brasileiro Vitor Petrino, que estreou nos pesados com vitória sobre Austen Lane também no UFC Nashville. Petrino ainda precisa de um salto competitivo dentro dos pesados, e medir forças com Lewis seria o tipo de luta que o Ultimate adora promover: o jovem promissor contra o veterano brutal.
Tallison Teixeira: hora de recuperar a confiança
Para Tallison Teixeira, o caminho é de reconstrução. A derrota para Lewis foi um golpe duro, especialmente pelo modo como aconteceu: um nocaute rápido e uma performance que expôs ainda mais a falta de resistência ao poder de nocaute dos gigantes da divisão. Tallison precisa de um confronto que permita não só recuperação técnica, mas também emocional e estratégica.
Dois nomes surgem como possíveis adversários para essa retomada. O primeiro é Austen Lane, um atleta carismático e com passagem pela NFL, que caiu diante de Vitor Petrino, mas ainda tem prestígio junto ao UFC. Um confronto entre Tallison e Lane faria sentido: dois lutadores que precisam se reencontrar e ofereceriam um show de trocação.
Outra opção seria um nome já estabelecido, mas que também não vive o auge: Tai Tuivasa. O australiano é popular, agressivo e também busca estabilidade na categoria. Um duelo contra Tuivasa colocaria Tallison diretamente frente a um top 15, mas exigiria uma preparação mais cuidadosa do brasileiro.
Gabriel Bonfim: entrada nos rankings e desafio à altura
No co-main event, Gabriel Bonfim chegou à sua terceira vitória seguida e credenciou-se, enfim, para entrar no top 15 dos meio-médios. A vitória dominante confirmou o potencial do brasileiro, mas também elevou o nível da próxima cobrança: o próximo adversário será alguém já consolidado na elite da divisão.
O nome mais comentado é o de Geoff Neal, atualmente agendado para enfrentar o compatriota brasileiro Carlos Prates no UFC 319. Caso vença, Neal seria o oponente ideal para Bonfim medir seu real potencial no topo da divisão.
Outra possibilidade seria Gilbert “Durinho” Burns, que, mesmo em fase instável, virou uma espécie de “porteiro” da categoria. Durinho já declarou interesse em lutas que o mantenham ativo e relevante, e um confronto contra um jovem como Bonfim seria perfeito para ambos: para Gabriel, uma chance de explodir definitivamente no UFC; para Durinho, uma luta que o mantém conectado à nova geração.
Stephen Thompson: o interminável do UFC
Por fim, Stephen “Wonderboy” Thompson deixou claro que não pretende se aposentar ainda. Apesar da derrota em Nashville, o americano de 42 anos segue disposto a lutar e poderia ser o adversário ideal para um confronto empolgante e estratégico contra Jake Matthews.
Matthews, vice-campeão do The Ultimate Fighter 23, vive boa fase, com três vitórias seguidas sobre nomes de menor expressão. Um combate contra Wonderboy seria a oportunidade perfeita para o australiano validar sua sequência positiva e, quem sabe, retornar aos holofotes da divisão.
(Foto: Steve Roberts-Imagn Images)