Uma das grandes histórias ainda ativas na offseason da NFL é o futuro de Shemar Stewart. O novato é o único jogador selecionado na primeira rodada do draft de 2025 que ainda não assinou seu contrato com a franquia que o escolheu, no caso o Cincinnati Bengals. Os dois lados ainda negociam a situação, contudo isso nunca é fácil quando se trata de Bengals.
Desde o início do acordo coletivo de trabalho, em 2011, todos os contratos de novatos são essencialmente divididos de acordo com a escala salarial de calouros, ou seja, todos os calouros sabem quanto vão ganhar na posição em que forem selecionados no draft.
Parece algo simples, e é na verdade, mas o Cincinnati Bengals adora dificultar qualquer tipo de negociação com qualquer jogador, sendo ele ainda um novato ou um destaque fundamental do elenco. E isso já é um problema na franquia há alguns anos.
O Cincinnati Bengals é conhecido por ser um time que demora a pegar no “tranco” durante a temporada regular, e muito disso se deve a negociações contratuais. Ja’Marr Chase ficou de fora do training camp na temporada passada devido a sua insatisfação com seu contrato (hoje já renovado), e isso atrapalhou a sincronia do ataque por completo nas primeiras semanas de 2024. Atualmente, temos o caso de Trey Hendrickson, que preocupa bastante, e o de Shemar Stewart, foco do texto.

Início da polêmica
Selecionado na primeira rodada do último draft, Shemar Stewart apareceu nos OTAs dos Bengals, mas não participou de nenhum treino porque ainda não tinha assinado seu contrato. O defensor apareceu nos dois primeiros dias do minicamp, assistindo a alguns treinamentos. Ele não participou de nenhuma atividade em campo, contudo gastou seu tempo reclamando do Cincinnati Bengals.
O principal problema da história é a “linguagem” utilizada pelos Bengals no contrato, algo que não aconteceu com outras escolhas de primeira rodada da equipe nos últimos anos. A equipe quer adicionar uma cláusula padrão, que permitiria que os Bengals anulassem garantias futuras caso Stewart sofra alguma suspensão da NFL (por problemas em campo ou fora dele). Ou seja, essa cláusula faria com que os Bengals tivessem uma opção para encerrar o contrato de Stewart em caso de algum problema nos próximos quatro anos. E Shemar Stewart já se mostrou contra essa cláusula contratual.
“Estou 100% certo”, disse Stewart sobre sua posição. “Não estou pedindo nada que vocês nunca tenham feito antes, mas, no caso de vocês, vocês só querem vencer uma discussão em vez de vencer mais jogos.”
Em termos de demora para o acerto entre um novato selecionado na primeira rodada e sua franquia, temos o caso de Joey Bosa. Em 2016, o defensor ficou fora por 31 dias (maior caso do tipo desde 2011) por conta de problemas contratuais com o Los Angeles Chargers.

Vantagem
No caso de Shemar Stewart, o novato tem uma vantagem que outros jogadores não tinham nos últimos anos: dinheiro. Stewart faz parte de uma geração de atletas que lucrou durante sua passagem no futebol americano universitário, devido aos incentivos financeiros e acordos de direito de imagem da NCAA.
Antigamente, a maioria dos novatos que chegavam à NFL assinavam logo seus contratos de calouro, por terem problemas financeiros. Hoje isso já não é mais uma realidade, especialmente no caso de Stewart. O defensor foi um dos jogadores que mais lucrou em sua passagem na NCAA, após passar alguns anos em Texas A&M.
Sobre até onde está disposto a levar a história, Stewart afirmou que “depende”. Contudo, ele parece ter as principais “cartas” na negociação. O problema é que ele está lidando com o Cincinnati Bengals.

Opções para Shemar Stewart
Caso o Cincinnati Bengals continue fazendo jogo duro, Shemar Stewart terá que tomar uma decisão em breve, já que possui algumas opções para o seu futuro. E isso poderia se tornar o pior pesadelo dos Bengals e até mesmo da NFL.
A primeira seria voltar ao Draft da NFL. Caso não assine seu contrato e não jogue futebol americano em 2025, Stewart poderia voltar ao Draft da NFL em 2026. Ou seja, todas as franquias da liga poderiam selecioná-lo no evento do próximo ano, menos o Cincinnati Bengals. Se isso acontecer, outros novatos podem fazer o mesmo caso não sejam selecionados pelo time que seja do seu agrado, e a NFL não quer isso. Stewart têm até novembro para tomar essa decisão. Se ele não assinar seu contrato até a semana 10 da temporada regular, não poderá atuar em 2025. Se toda a situação com os Bengals assustar os outros times, Stewart poderia virar agente livre após o draft de 2026.
Outra opção seria Stewart pedir para ser trocado. Existe a possibilidade de um novato ser trocado, mas a negociação teria que acontecer pelo menos 30 dias antes do início da temporada regular. Ou seja, a troca tem que acontecer até o dia 5 ou 8 de agosto. Essa é opção um pouco difícil, já que os Bengals gostam de fazer jogo duro.

Carta na manga
Se nenhuma das duas opções citadas acima acontecer, Shemar Stewart poderia usar a sua “carta na manga”: retornar para Texas A&M. O defensor ainda tem um ano de elegibilidade, mas voltar para a NCAA após ter sido draftado pela NFL não é algo fácil.
Recentemente, Stewart foi visto treinando em Texas A&M, o que aumenta ainda mais as especulações. E o jornalista Bud Elliott falou sobre a situação.
“Um cara que tinha passado por coisas boas na A&M me disse: ‘Ei, o Shemar pode acabar voltando para cá'”, disse Elliott. “‘Ele está em College Station, está totalmente envolvido nos treinos, está se segurando para não jogar contra o Bengals, o relacionamento é tóxico. Ele pode tentar voltar a jogar nesta temporada e entrar no draft novamente no ano que vem.'”
Como a NCAA tem regras contra o retorno de um jogador que foi selecionado no Draft, Shemar Stewart teria que enfrentar uma batalha judicial. E as chances do jogador vencer são altas.
Com tudo isso dito, é questão de tempo para Stewart assinar o seu contrato de calouro de quatro anos, no valor de US$18,84 milhões, totalmente garantidos. Mas a situação pode sair do controle com o decorrer do tempo.
(Foto principal: Carolyn Kaster/AP)