Erling Haaland entra na temporada 2025/26 com todos os holofotes em cima dele. E não é à toa. O “cyborg” norueguês, que aterrorizou defesas nos últimos anos, agora precisa provar que ainda é esse monstro todo que o mundo viu nas primeiras campanhas pelo Manchester City. Depois de uma temporada decepcionante da equipe de Guardiola, as cobranças são muitas — e, claro, boa parte delas recaem sobre ele. A torcida quer mudança, os reforços chegaram, mas o verdadeiro impacto precisa vir de quem já está ali. E o nome de Haaland está no topo dessa lista.
O problema é que, mesmo com números expressivos — foram 34 gols ao todo na temporada passada, sendo 22 na Premier League e 8 na Champions — a sensação era de que faltava algo. Aquela presença avassaladora, de matador imparável, pareceu menos presente. Ele continuou sendo uma ameaça, mas não mais um pesadelo. O fato de não ter levado o prêmio de artilheiro da Premier em 2025 (depois de vencer em 2023 e 2024) já liga um alerta. Mohamed Salah levou o troféu e, para muitos, Haaland perdeu um pouco daquele impacto que o tornava único.
Mais do que os gols, faltou presença nos grandes momentos. O Mundial de Clubes, por exemplo, só escancarou os problemas coletivos do City — e as críticas vieram forte, tanto para Pep Guardiola quanto para Haaland. Ele foi cobrado por não aparecer nos jogos decisivos. Contra o Liverpool, por exemplo, não marcou nenhuma vez — nem no jogo do primeiro turno, em Anfield (onde o City perdeu por 2 a 0), nem no segundo, porque estava machucado. E é aí que entra outro ponto de interrogação: as lesões. Haaland perdeu mais de um mês da temporada por conta de um problema no tornozelo. É uma fragilidade que já preocupa o torcedor.
Haaland, contrato longo e cobrança imediata
Outro fator que pesa nesse momento delicado de Haaland é o contrato. Em 2024, o City anunciou uma renovação bombástica com o jogador até 2034 — isso mesmo, mais dez anos. Uma aposta de confiança, mas também um compromisso que agora começa a ser questionado. Desde a renovação, o norueguês simplesmente não foi mais aquele jogador que parecia destinado a ganhar o Ballon d’Or. Ele continua sendo bom? Sem dúvida. Mas bom não é o suficiente quando você carrega o rótulo de melhor centroavante do mundo.
Essa extensão de contrato transformou Haaland numa espécie de símbolo do projeto City. Por isso, a pressão é dobrada. O clube quer respostas, os torcedores querem atuações de peso e a mídia não alivia. A temporada que vem pode funcionar quase como um plebiscito sobre sua figura. Ele vai confirmar o status de astro global ou vai deixar a dúvida crescer ainda mais? Hoje, há quem diga que ele assusta menos. O Haaland de 2023 metia medo só de aparecer no aquecimento. O de agora ainda impõe respeito, mas não é mais invencível.
E tudo isso acontece num momento de transição para o Manchester City. A base do time campeão europeu ainda está lá, mas a fome parece menor. A temporada 2024/25 foi um alerta de que algo precisa mudar — e rápido. E jogadores como Haaland, De Bruyne e Bernardo Silva são os que têm que puxar esse novo ciclo. Especialmente o camisa 9, que, além de referência técnica, é o rosto do ataque e da ambição do clube nos próximos anos.
Hora de dar a resposta dentro de campo
A expectativa é que ele volte ainda mais focado. O Haaland que amedrontava as defesas tinha mais do que força e velocidade: tinha confiança. Era letal, frio, e jogava como se tivesse uma missão divina de marcar gols. Se ele conseguir recuperar esse espírito, pode facilmente ser o melhor jogador da próxima temporada. Mas isso depende de como ele vai encarar essa fase mais crítica da carreira. O brilho inicial passou. Agora é a hora da maturidade, da constância, do “sangue nos olhos”.
E o cenário pode ajudá-lo. Com reforços chegando para dar mais criatividade ao meio de campo, Haaland deve ter mais bolas em condições de finalização. E isso é meio caminho andado para um goleador como ele. O entrosamento com De Bruyne continua sendo uma arma, e a chegada de pontas mais verticais pode aumentar sua produtividade. Mas a mudança também precisa vir dele: se movimentar mais, buscar mais o jogo, chamar a responsabilidade quando o time estiver mal.
Claro, ninguém está dizendo que ele caiu de produção drasticamente. Marcar 34 gols numa temporada que é considerada abaixo do esperado diz muito sobre o nível absurdo que ele alcançou. Mas o futebol é exigente, e quando você acostuma o mundo a ver você destruir, qualquer oscilação vira crise. E Haaland está vivendo esse momento agora.
A chance com a seleção norueguesa
E não é só no City que ele tem algo a provar. Com a Noruega na briga por uma vaga na Copa do Mundo, Haaland pode, enfim, disputar seu primeiro grande torneio internacional. Até hoje, esse era um ponto fraco em seu currículo: nunca jogou Euro nem Mundial. Agora, se conseguir levar a seleção viking à Copa de 2026, ele terá um palco novo para se apresentar — e aí sim pode mostrar ao mundo que está de volta ao topo.
A seleção norueguesa está em ascensão, com nomes como Martin Ødegaard liderando no meio-campo, e Haaland no comando do ataque. Se a vaga vier, será a oportunidade perfeita para ele se reinventar. Uma boa campanha internacional pode fazer toda a diferença em uma temporada onde a pressão já começa no primeiro jogo.
No fim das contas, Haaland vive aquele momento clássico em que o craque precisa dar uma resposta. Ou ele assume o protagonismo, ou vai continuar sendo visto como um gigante que já não mete tanto medo assim. O talento, ninguém discute. Mas agora é questão de atitude, de liderança e de mostrar que ainda é — sim — o atacante mais temido do planeta.