O armador do Charlotte Hornets, LaMelo Ball, foi eleito o jogador mais superestimado da NBA. Zach Buckley, do Bleacher Report, concorda com essa eleição e escreveu sobre isso.
“Ele recebe elogios quase míticos como este gênio ofensivo, mas os números não o comprovam. A falta de apoio ofensivo só perdoa uma certa ineficiência. Embora tenha tido uma média de 25,2 pontos, a melhor da carreira, na temporada passada, ele fez isso enquanto registrava uma porcentagem de acerto de 53,6%, a pior da carreira. Isso marcou a quinta pior taxa de acerto de arremessos entre as 162 vezes em que um jogador teve uma média de mais de 25 pontos desde 2010.”, apontou o analista.
“E como seus passes engenhosos são frequentemente intercalados com erros, nunca houve essa diferença enorme entre suas médias de assistências (7,4 na carreira) e turnovers (3,3). Ele também vem de uma sequência de três anos com resultados negativos na área defensiva”, escreveu Buckley.
“Ah, LaMelo Ball também fez mais de 51 aparições em apenas uma de suas cinco primeiras temporadas na NBA. Nas últimas três temporadas, ele jogou em apenas 105 dos 246 jogos possíveis. Para contextualizar, são 24 aparições a menos que Zion Williamson, talvez o garoto-propaganda da liga para estrelas propensas a lesões.”, completou o ácido repórter.
Opinião: LaMelo Ball é mesmo superestimado?
Desde que chegou à liga, LaMelo mostrou impacto imediato, vencendo o prêmio de “Rookie of the Year” em 2021 e sendo selecionado para o All-Star Game já em sua segunda temporada. Mesmo com uma estrutura instável em Charlotte e múltiplas lesões atrapalhando seu ritmo, ele mantém médias expressivas e invariavelmente entrega um bom desempenho quando saudável.

Ele não joga em um time competitivo, mas isso não deve ser usado como argumento para desqualificar seu talento. Há muitos jogadores reconhecidos que só brilharam em estruturas mais organizadas e com elencos de apoio sólidos. LaMelo ainda não teve essa chance.
O que pesa contra ele são as lesões recorrentes e uma defesa por vezes displicente. Pontos válidos, mas que não o tornam “superestimado”. Na verdade, muitos analistas e fãs já tratam LaMelo Ball com ceticismo excessivo justamente por causa desses fatores. Ele nunca foi colocado no mesmo patamar de Cade Cunningham por exemplo, mesmo tendo um teto ofensivo comparável ou até superior.
Se quisermos falar de jogadores verdadeiramente superestimados, é mais razoável olhar para nomes como Jordan Poole, que recebeu um contrato milionário com base em um bom playoff ao lado de Steph Curry, mas demonstrou sérias limitações quando colocado em papel de liderança. Outro exemplo é RJ Barrett, que, mesmo sendo sólido, foi tratado como um futuro All-Star durante anos sem nunca realmente justificar esse status em quadra com consistência.
Portanto, a ideia de que LaMelo Ball é superestimado não resiste a uma análise mais aprofundada. Ele é um jogador com potencial legítimo para ser uma estrela de longa data na liga, caso consiga ficar saudável e receba o suporte técnico adequado. O julgamento apressado de Buckley, entre outros, baseado no “hype” causado muito pelo pai de LaMelo, ofusca o que ele realmente entrega dentro de quadra.
Essa eleição de superestimado já teve um belo revés com a campanha espetacular de Tyrese Haliburton, que levou seu time para o jogo 7 diante do Oklahoma City Thunder, na final da NBA, e se não tivesse sofrido uma grave lesão, poderia ter se consagrado com um título e o prêmio de MVP das finais, pois estava jogando o fino da bola naquela partida.
(Imagem de capa: Getty Images)