O UFC Rio está confirmado para o outubro, e, com isso, começam as especulações sobre o card. Se os matchmakers pudessem montar um card perfeito para o público brasileiro, com atletas em ascensão e confrontos de estilos explosivos, o UFC Rio ideal teria todos os ingredientes para uma noite memorável.
Pensando nisso, montamos um card principal com cinco lutas que misturam narrativa, rivalidade e promessas, e que poderiam muito bem liderar um evento no Rio de Janeiro. Confira:
Luta principal: Ian Machado Garry x Michael Morales – peso meio-médio
O confronto ideal para encabeçar o card seria entre dois meio-médios com trajetórias meteóricas no UFC: o irlandês Ian Machado Garry e o equatoriano Michael Morales. Além da técnica refinada, ambos têm personalidade forte e protagonizaram recentemente uma troca de farpas que adicionou tempero ao possível duelo.
Garry, conhecido pelo carisma e provocação, carrega consigo a herança de Conor McGregor — mas com estilo próprio, calcado em movimentação, golpes retos e precisão. Ele venceu Carlos Prates em sua última luta, e pode encarar uma nova promessa da categoria. Casado com uma brasileira, Garry treina no Brasil e tem grande identificação com o país. Em entrevistas em português, ele pediu um CPF e mostrou interesse em se tornar cidadão brasileiro. Por isso, ele mistura coisas interessantes para o público: o carisma, o apreço pelo Brasil e o poder de ser headliner de um Fight Night.
Morales, por outro lado, representa o novo MMA sul-americano: jovem, direto, eficiente e com um estilo agressivo que mistura wrestling e potência na mão direita. Sua última vitória sobre Gilbert “Durinho” Burns o colocou entre os nomes mais temidos da divisão.
A rivalidade já foi alimentada em entrevistas e redes sociais, com Morales acusando Garry de ser desrespeitoso e “mais marketing do que luta”. Garry, como era de se esperar, rebateu à altura. O palco brasileiro seria perfeito para esse tipo de clima tenso, com dois “sudacas” entrando no octógono para definir quem é o verdadeiro próximo da fila.
Renato Moicano x Grant Dawson – peso-leve
Veterano do UFC, Renato Moicano é um nome respeitado dentro e fora do Brasil. Com passagem pelo peso-pena e adaptação bem-sucedida nos leves, Moicano vivia fase de renascimento na carreira. Com seu jiu-jitsu afiado, striking mais ajustado e inteligência tática, ele conquistou uma boa vitória contra Benoit Saint-Denis e se qualificou para disputar o cinturão contra Islam Makhachev por conta da lesão de Arman Tsarukyan. No entanto, após perder para Makhachev, ele também perdeu para Beneil Dariush.
Seu adversário, Grant Dawson, é um dos wrestlers mais eficientes da nova geração americana. Focado, forte e com gás para três rounds, ele já mostrou que sabe anular especialistas e impor seu ritmo sufocante.
Esse combate, com potencial de co-main event, seria um duelo tático, mas não menos intenso. É um confronto direto entre a experiência técnica e o vigor físico. Moicano ficou famoso nas redes sociais pelos cortes de suas lives, e é o nome brasileiro mais falado daqueles que não estão entre os tops de suas categorias. Um co-main event de respeito.
Vitor Petrino x Mick Parkin – peso-pesado
Depois de subir de categoria, Vitor Petrino estreou com uma vitória contundente contra Austen Lane, e se colocou como um nome importante dentro da categoria, podendo disputar uma luta contra um ranqueado. Seu oponente ideal para esse card seria Mick Parkin, inglês com base em wrestling e com bom controle posicional. A luta colocaria frente a frente dois estilos completamente distintos: a explosão de Petrino contra a contenção de Parkin.
Além disso, Parkin é mais um adversário interessante para Petrino, já que o UFC parece estar investindo no brasileiro para entrar rápido nos tops da categoria. Atualmente na 13ª colocação dos rankings dos pesados, Parkin seria a escada perfeita para Petrino, que, se vencesse, já seria o segundo brasileiro mais bem colocado no ranking, atrás apenas de Jailton Malhadinho.
No Brasil, Petrino teria a torcida a favor e uma chance de ouro para consolidar seu nome como futuro top 5. Já Parkin entraria como o azarão técnico — mas perigoso. O confronto seria explosivo e imprevisível, daqueles em que qualquer vacilo pode definir o combate.
Brunno “Hulk” Ferreira x Kelvin Gastelum – peso-médio
Ainda no card principal, teríamos uma luta que mistura passado e futuro. Brunno Ferreira, conhecido como “Hulk”, é um dos lutadores mais empolgantes da nova geração brasileira. Com finalizações plásticas, nocautes brutais e postura sempre agressiva, ele traz ação garantida a qualquer card.
Seu adversário ideal seria Kelvin Gastelum, ex-desafiante ao cinturão interino dos médios e veterano com lutas contra Israel Adesanya, Whittaker e outros grandes nomes. Gastelum tem ótimo boxe, queixo resistente e um wrestling que já neutralizou muitos oponentes.
Essa seria a luta perfeita para testar o verdadeiro nível de Hulk. Vencendo um nome como Gastelum, Brunno se colocaria de vez na rota do ranking. Para Kelvin, seria uma luta para provar que ainda pertence à elite, mesmo após algumas derrotas nas últimas lutas.
Beatriz Mesquita x Irina Alekseeva – Peso-galo feminino
Multicampeã de jiu-jitsu, a brasileira Beatriz Mesquita recentemente assinou com o UFC, e deve fazer a sua estreia no UFC Rio. Nesta simulação, ela entraria como uma candidata a pegar uma vaga no card principal do evento, onde enfrentaria a russa Irina Alekseeva.
Bia tem um cartel invicto no UFC, é uma lutadora do Rio de Janeiro e tem uma grande base de fãs de luta. Com o UFC, muitas vezes, colocando ranqueados para lutar nos preliminares de eventos com a intenção de vender o pay-per-view no card principal, ter Bia abrindo as principais lutas da noite seria um trunfo interessante para a organização.
Sua adversária, Alekseeva, tem o apelido de “Russian Ronda”, fazendo uma alusão à ex-campeã do UFC Ronda Rousey. No entanto, a russa vem de duas derrotas seguidas na organização, incluindo uma em Baku depois de dois anos de ausência. Lutar contra Bia seria a sua chance de se recuperar contra uma estreante no UFC e relativamente nova no MMA.
(Foto: Getty Images)