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Amanda Nunes pode se juntar a outras duas lendas do UFC

A aposentadoria de Amanda Nunes durou pouco mais de um ano. Considerada por muitos como a maior lutadora da história do MMA feminino, a brasileira surpreendeu o mundo ao anunciar seu retorno ao octógono, e não será para um duelo comum: ela enfrentará Kayla Harrison, sensação do judô norte-americano, ex-campeã da PFL e atual campeã peso-galo do UFC, pelo cinturão da categoria.

Ainda sem data marcada, o confronto promete ser uma das maiores atrações da história do MMA feminino e pode escrever um novo capítulo histórico na carreira da “Leoa”.  A volta de Amanda Nunes marca mais do que o reencontro de uma lenda com o octógono, representa uma rara tentativa de algo que poucos atletas conseguiram na história do UFC: retornar da aposentadoria para conquistar novamente um cinturão.

A missão é difícil, mas não impossível. Confira dois ex-campeões lendários que conseguiram exatamente esse feito: Randy Couture e Georges St-Pierre.

Randy Couture: o veterano que calou os críticos

Randy Couture é o primeiro nome que surge quando se fala em retornos gloriosos. O americano havia se aposentado em fevereiro de 2006 após uma derrota para Chuck Liddell, deixando para trás uma carreira de múltiplos títulos nos meio-pesados e pesados. Aos 43 anos, ninguém esperava que ele voltasse. Mas foi exatamente isso que ele fez.

Randy Couture tomou o cinturão peso-pesado de Tim Sylvia
Randy Couture tomou o cinturão peso-pesado de Tim Sylvia (Imagem: Josh Hedges/Zuffa LLC via Getty Images)

Em março de 2007, Couture retornou aos pesados e enfrentou o então campeão Tim Sylvia, no UFC 68. O favoritismo era todo de Sylvia, que tinha vantagem de envergadura, altura e juventude. No entanto, logo nos primeiros segundos da luta, Couture derrubou Sylvia com um direto e controlou o combate. Aos 43 anos, Randy voltou a ser campeão e entrou definitivamente para a história como um dos maiores da organização.

O triunfo de Couture é frequentemente citado como uma das maiores surpresas da história do MMA e prova de que experiência, técnica e coração podem superar estatísticas.

Georges St-Pierre: o retorno triunfal em nova categoria

Outro retorno histórico foi o de Georges St-Pierre (GSP). Considerado por muitos o lutador mais completo da era moderna do UFC, GSP havia deixado o esporte em 2013, após defender com sucesso seu cinturão dos meio-médios contra Johny Hendricks. Durante anos, manteve distância do octógono, afirmando que só voltaria se tivesse um desafio à altura.

Esse desafio apareceu em 2017, quando o canadense subiu de categoria para enfrentar Michael Bisping, então campeão dos médios. Muitos duvidaram que St-Pierre conseguiria manter o mesmo nível após quatro anos parado e em uma divisão mais pesada. Mas no UFC 217, ele não só venceu, como finalizou Bisping no terceiro round, conquistando o cinturão de uma segunda categoria e ampliando ainda mais seu patamar de lenda do esporte.

Georges St-Pierre teve um retorno triunfal, finalizando Michael Bisping para conquistar o cinturão peso-médio do UFC
Georges St-Pierre teve um retorno triunfal, finalizando Michael Bisping para conquistar o cinturão peso-médio do UFC (Imagem: Jeff Bottari/Zuffa LLC/Getty Images)

Foi a consagração de um ícone, que, como Couture, mostrou que é possível retornar após anos fora do octógono e ainda assim ser campeão do maior evento de MMA do planeta.

Amanda Nunes pode repetir o feito?

Amanda Nunes não tem nada a provar. Com passagens dominantes no peso-galo e no peso-pena, vitórias sobre nomes como Cris Cyborg, Valentina Shevchenko, Ronda Rousey, Holly Holm e Miesha Tate, seu legado já está garantido. Mas como toda grande campeã, a vontade de continuar vencendo parece falar mais alto.

A luta contra Kayla Harrison representa mais do que um título: é uma batalha entre duas gerações, entre a técnica lapidada da maior campeã da história do MMA feminino e a força bruta de uma estrela olímpica ainda invicta no UFC. Kayla, que chegou ao UFC com grandes expectativas após dominar na PFL, terá agora o maior desafio de sua carreira.

Amanda Nunes e Kayla Harrison em encarada que confirmou o duelo
Amanda Nunes e Kayla Harrison em encarada que confirmou o duelo (Imagem: Ed Mulholland/Zuffa LLC)

Se Amanda vencer, não apenas recupera o cinturão que deixou vago, mas entra num seleto grupo de lendas que voltaram da aposentadoria e saíram campeãs. Juntará seu nome a Couture e GSP como alguém que desafiou o tempo, o corpo e a lógica, e venceu.

O palco está montado. O legado está em jogo. E a história pode estar prestes a ser reescrita mais uma vez.

(Imagem de capa: Jeff Bottari/Zuffa LLC)