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UFC peso-mosca: como a menor divisão se tornou uma das mais fortes

A categoria peso-mosca do UFC vive hoje um de seus momentos mais brilhantes e o mais incrível é que essa afirmação teria soado absurda há poucos anos.

Entre 2018 e 2019, o destino da divisão parecia selado: o UFC havia negociado o maior campeão da história da categoria, Demetrious Johnson, em uma troca inédita com o ONE Championship. Ao mesmo tempo, diversos atletas da divisão estavam sendo dispensados, eventos com lutas de moscas deixavam de ser promovidos, e a extinção da categoria era abertamente especulada.

Para muitos, a divisão não era atrativa o suficiente para o grande público: lutas menos explosivas, pouco carisma midiático e baixo retorno comercial, um combo de fatores que sustentavam a decisão do UFC de acabar com a categoria.

Mas o que parecia ser o fim se revelou o início de uma das viradas mais surpreendentes da história do MMA. Liderado por figuras como Deiveson Figueiredo e Brandon Moreno, o peso-mosca encontrou novos protagonistas, narrativas intensas e rivalidades que reacenderam o interesse dos fãs.

As quatro lutas entre Figueiredo e Moreno, entre 2020 e 2023, não apenas elevaram o nível esportivo da categoria, como também lhe deram uma identidade nova: imprevisível, violenta, emocionante. O duelo entre o brasileiro e o mexicano representou o que o UFC sempre buscou: talento, rivalidade internacional e entrega total dentro do octógono.

Deiveson Figueiredo e Brandon Moreno fizeram quatro combates épicos e salvaram a categoria
Deiveson Figueiredo e Brandon Moreno fizeram quatro combates épicos e salvaram a categoria (Imagem: Getty Images)

Esse novo ciclo encontrou em Alexandre Pantoja seu ponto de estabilidade. Campeão desde julho de 2023, quando derrotou Brandon Moreno em uma guerra de cinco rounds, Pantoja representa a maturidade competitiva da divisão.

Após anos construindo seu caminho com atuações consistentes e muitas vezes discretas, o brasileiro aproveitou a chance no momento certo e, desde então, tem se comportado como um campeão completo: duro, técnico, com grande poder de adaptação e forte mentalmente. Ele já defendeu o cinturão quatro vezes e agora observa uma geração de desafiantes sedentos e altamente talentosos.

Entre os nomes que despontam, Tatsuro Taira que vem de vitória dominante sobre Park Hyun-Sung, deve estar no caminho de um title shot. Também chama atenção Joshua Van, que vem empilhando vitórias com estilo agressivo, mãos pesadas e um QI de luta acima da média para sua idade. A vitória sobre Brandon Royval deu ao garoto a chance de enfrentar Pantoja no próximo desafio.

Além deles, Amir Albazi, com seu wrestling sufocante e eficiência na luta agarrada, já esteve a uma vitória do cinturão e continua rondando o topo do ranking, mesmo tendo muitas lesões. Manel Kape, com seu estilo explosivo e irreverência fora do cage, é outro que sempre entra como ameaça séria ao trono.

E ainda há nomes experientes como Kai Kara-France, o sólido Brandon Royval, Steve Erceg (que fez luta duríssima contra o próprio Pantoja) e, claro, Brandon Moreno, que mesmo após perder o cinturão continua entre os mais perigosos do planeta na divisão.

Forte presente e futuro promissor do peso-mosca no UFC

Esse cenário contrasta com a realidade de algumas outras categorias do UFC. Os meio-pesados, por exemplo, vivem uma entressafra técnica visível, enquanto os pesos pesados tem apenas Tom Aspinall como esperança. Nos moscas, ao contrário, cada novo evento revela talentos em ascensão, movimentações rápidas, trocação afiada e transições de solo de altíssimo nível.

A competitividade no peso-mosca é tamanha que qualquer lutador entre os 10 primeiros pode, com uma boa noite, se tornar candidato ao título. É um nível de paridade técnica raro, talvez único, no MMA atual.

O renascimento do peso-mosca, no entanto, não foi espontâneo. Ele foi forjado na resiliência de seus protagonistas. Deiveson Figueiredo, com seu estilo selvagem, sua força incomum para a divisão e seu temperamento imprevisível, atraiu os holofotes. Brandon Moreno, com seu carisma, coração de campeão e trajetória de superação, trouxe a paixão latina e conquistou o mundo. Pantoja, por sua vez, representa o lutador que nunca desistiu e que agora comanda com maestria uma das divisões mais respeitadas do UFC.

Alexandre Pantoja é o campeão peso-mosca mais dominante do UFC desde Demetrious Johnson
Alexandre Pantoja é o campeão peso-mosca mais dominante do UFC desde Demetrious Johnson (Imagem: Stephen R. Sylvanie-Imagn Images)

Hoje, o peso-mosca não é mais uma categoria ameaçada. É, para muitos fãs e analistas, a mais empolgante e tecnicamente refinada do UFC. A divisão que quase foi descartada se tornou exemplo de renovação e excelência. Esse fato é a prova viva de que, no MMA, nada é pequeno quando existe um grande talento presente.

(Imagem de capa:  Louis Grasse/PxImages)