Son
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Son dá adeus ao Tottenham no momento certo!

O atacante Heung-Min Son não queria atrapalhar as comemorações do título da Europa League e deixava para depois a decisão sobre seu futuro no Tottenham. No fim das contas, a hora chegou, e a escolha do sul-coreano foi por não continuar na equipe londrina, algo que machucou os fãs do time e do próprio jogador. A questão é que não dá para dizer que esse não era o momento certo e, talvez, até o mais perfeito, para o camisa 7 se despedir do clube inglês.

Son chegou ao Tottenham justamente para vivenciar uma mudança de ares que parecia necessária. O ponta-esquerda queria mais da carreira, e nada melhor do que uma transferência para a Premier League, onde o futebol é mais intenso, mais físico e, claro, mais desafiador. Sempre se falou sobre o alto nível do futebol inglês, e não sentir essa curiosidade de competir ali é visto como um ponto negativo entre jogadores que sonham com o topo do esporte.

Depois que o Tottenham não conseguiu contratar Berahino naquela época, Heung-Min Son virou o principal alvo do clube, e o resto virou história. Naquele momento, não havia nada de muito relevante acontecendo para os Spurs, então o sul-coreano era considerado uma aposta. Do outro lado, Harry Kane já dava sinais de virada de chave, explodindo no time profissional. A junção dos dois acabou sendo um dos capítulos mais especiais da história recente do Tottenham.

É claro que, dentro desse belo projeto de elevar o nível dos Spurs, Kane tinha um protagonismo natural, mas seria injusto ignorar o que Son fazia dentro das quatro linhas. A dupla chegou a combinar para 47 gols, se tornando um dos melhores duetos ofensivos que a Premier League já teve o prazer de assistir, e isso definitivamente não é pouca coisa na história da liga.

Conquistas de Son no Tottenham

Son
Foto: Getty Images

 

Quem acompanha futebol sabe que o Tottenham nunca foi exatamente um colecionador de taças, mas uma coisa precisa ser dita: não são os títulos que transformam jogadores em ídolos. Heung-Min Son foi um dos que encarou responsabilidades gigantes dentro do clube, como na Champions League de 2019, quando enfrentaram o Manchester City. Sem Harry Kane, Pep Guardiola resumiu os Spurs a “Kane e mais dez”, e essa frase, como era de se esperar, não caiu bem com Son. Ele respondeu da forma que melhor sabe: com futebol. Jogou muito, foi decisivo, e provou para o técnico espanhol, e para o mundo, que quando a bola cai no pé dele, todo cuidado é pouco.

E como se não bastasse essa resposta em campo, o sul-coreano também assumiu a braçadeira de capitão após a saída de Kane. O clube já se movia para virar a página, e Son foi o pilar dessa transição. Encarou lesões, improvisações em campo, e até o peso de um elenco curto, consequência direta das dificuldades do presidente Daniel Levy em trazer reforços. Em meio a isso tudo, segurou firme a pressão e, no fim das contas, ainda conquistou o título da Europa League com a equipe.

Mesmo com tantos momentos marcantes, Son também viveu fases difíceis. A queda física era visível. Em vários jogos, não conseguia ajudar seus companheiros da forma como gostaria. Era nítido, e doía, tanto nele quanto em quem acompanhava. Mas, ainda assim, o camisa 7 foi além. Recebeu a Chuteira de Ouro da Premier League na temporada 2021/22, levou o Prêmio Puskás em 2019 e marcou o primeiro gol da história do novo estádio dos Spurs. São marcos que mostram o tamanho do que ele construiu com essa camisa.

Depois de tudo isso, Son tem mais do que o direito de procurar um novo rumo. Seja por um projeto mais leve, por menos cobrança ou simplesmente por um novo ambiente. O ciclo se encerra no momento certo: com uma taça nas mãos, respeito no coração da torcida e um legado que vai durar por muito tempo.

Foto: Clive Rose/Getty Images