Na temporada passada, Gavi sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado anterior, que o afastou dos gramados por toda a campanha do Barcelona. Foi um golpe duro, talvez um soco no estômago para o volante espanhol, que viu sua evolução ser interrompida justo quando estava se firmando de vez no time principal. Agora, porém, ele retorna com mais gana do que nunca, determinado a recuperar seu espaço entre os titulares de Hansi Flick.
E não é discurso vazio. O jovem já mostrou suas garras na pré-temporada na Ásia, deixando claro para quem precisa ver que ele está pronto para retomar os grandes momentos que viveu antes da lesão.
A ausência de Gavi abriu espaço para que o Barcelona buscasse novas peças na base, e até encontrou nomes promissores. Mas nenhum deles foi capaz de fazer os culés esquecerem o camisa 6. A entrega, a visão de jogo e a intensidade do espanhol são difíceis de replicar. Ele é daqueles jogadores que não sabem jogar no “modo econômico”. Corre, briga, morde, se joga, tudo pela camisa.
Cria da casa, Gavi sempre teve o respeito interno do clube. Xavi, antes de deixar o comando, era um fã declarado do futebol do garoto, e não por acaso. Gavi representa muito do que o Barcelona sempre valorizou: técnica com alma.

Agora, sob o olhar de Flick, é o momento ideal para mostrar serviço e ganhar espaço no novo projeto.
Muitos dizem que Gavi é uma fusão rara. Tem a visão de jogo e o toque refinado de Xavi, com a raça e a entrega de Johan Neeskens, lendário holandês que também vestiu a camisa 6 do Barça. Comparações desse tipo são pesadas, claro — mas com Gavi, elas fazem sentido.
Ele é intenso, competitivo e emocional. Às vezes, até demais. Sua imprudência já custou caro ao time em algumas situações: entradas desnecessárias, expulsões bobas, decisões precipitadas. Mas isso também é parte do pacote: um jovem com personalidade forte, que ainda vai aprender a dosar melhor sua energia com o tempo e a experiência.
Gavi e Pedri: fogo e gelo no meio-campo
Com o retorno também de Pedri, que viveu um ciclo de lesões nos últimos meses, a tendência é que os dois voltem a formar a dupla que tanto encantou o Camp Nou. É a velha história do fogo e do gelo: enquanto Pedri pensa o jogo com calma, Gavi o vive como se fosse o último da carreira.
Juntos, são equilíbrio puro, e podem ser novamente a base do meio-campo do Barça.
Na temporada passada, Frenkie de Jong foi quem segurou a bronca na posição, com ótimas atuações. Mas a concorrência aumentou. Gavi quer o lugar de volta. E tem bola, história e personalidade para isso. Apesar do holandês sempre apresentar bons jogos, parece que nunca será visto como a principal peça do meio de campo, algo que ele luta bastante para ser.
Iminentemente, as janelas de transferências chegam e o nome dele aparece atrelado com N destinos diferentes, na maioria deles, a Premier League. O Manchester United já apareceu em múltiplas oportunidades como o destino ideal para De Jong, porém, o mesmo sempre foi contra essa realidade, pelo fato de gostar bastante do Barcelona, e ter interesse em ser valorizado pelo que impõe dentro das quatro linhas.
Houve até quem sugerisse, tempos atrás, que Gavi poderia buscar novos ares. Mas a ideia foi descartada rapidamente. O garoto, que veste a camisa blaugrana desde os 17 anos, carrega o DNA do clube. Tem o estilo, o espírito e a vontade de fazer história no Camp Nou.
E tudo indica que ele vai ficar por muito tempo. Quem sabe até o fim da carreira.
Foto: Fadel Senna/AFP