Em entrevista à Sky Sport Itália, Gian Piero Gasperini abriu o jogo sobre seu início no comando da Roma. Após anos marcantes à frente da Atalanta, o treinador aceitou um novo desafio no futebol italiano e, apesar dos resultados irregulares nos primeiros amistosos, garante que está motivado e confiante no que está construindo na capital italiana.
Durante a conversa, Gasperini comentou sobre vários assuntos: o entrosamento entre Dybala e Soulé, a mudança na política de contratações da Roma, o revezamento da faixa de capitão, a situação de mercado e até uma lembrança emotiva envolvendo Lookman, seu ex-comandado em Bérgamo. Abaixo, os principais trechos traduzidos da entrevista:
Gasperini e objetivos com a Roma
“Um mês já é alguma coisa. Fizemos bastante nesse tempo. Tive a sorte de encontrar um grupo unido, que me mostrou grande disponibilidade desde o começo. O nosso objetivo principal é conquistar credibilidade e fazer os torcedores felizes. Tomara que o tempo necessário para isso seja o mais curto possível. A Roma precisa ser uma equipe ambiciosa, que olhe sempre para cima. Espero que, ao trilhar esse caminho, a credibilidade venha como resposta.”
Reforços até agora
“Se olharmos o que foi feito até aqui, chegaram vários jovens que já tiveram experiências importantes, como o Ghilardi e o Wesley. Fabio Silva? (risos) Não falei com ele. Estou focado nos treinos. Agora estamos entrando no período mais intenso do mercado.”
Mudança no perfil de contratações
“Investir em jovens é um caminho diferente para a Roma. Quando se atua em outro tipo de mercado, você traz jogadores mais experientes e renomados, mas que custam caro. Eles oferecem um ganho imediato, porém podem ser menos eficazes a longo prazo. O que estamos tentando fazer aqui é algo diferente. Já trabalhei assim em outros lugares, e se conseguir repetir isso em Roma, será extraordinário.” disse Gasperini.
Quando decidiu assumir o projeto da Roma?
“Aquela frase ‘Gasperini nunca treinará a Roma’? Perguntem ao Ranieri. Era uma fase delicada da temporada, e ele lidou muito bem. A minha decisão mesmo veio no fim da última temporada. Pedi à Atalanta a liberdade para conversar com outros clubes, e em três dias resolvemos tudo.”
Dybala e Soulé juntos em campo?
“Jogadores talentosos sempre podem coexistir. É verdade que os dois são canhotos e gostam de jogar na mesma faixa do campo, mas Dybala já atuou em outras posições. Soulé, por ser jovem, precisa aprender a explorar outras áreas do campo e não depender apenas do corte para o pé esquerdo. Na temporada passada, com o Ranieri, ele até atuou como ala, mostrando muita versatilidade.”
Sobre a faixa de capitão retirada de Pellegrini
“Para ser honesto, é uma hierarquia que sempre adotei. Me incomoda um pouco ter criado essa situação. Não disse que qualquer um pode ser capitão, mas acredito que dentro de uma equipe deve haver mais de um jogador com essa responsabilidade. Lembro do que aconteceu em Dublin com a Atalanta: Toloi e De Roon estavam fora, e foi o Djimsiti quem levantou a taça. Naturalmente, quem está há mais tempo no clube costuma ter mais peso, mas o critério que uso é simples: é uma questão numérica, não subjetiva. Para mim, os capitães representam o núcleo forte do time.”
Preferência: reforços no mercado ou tempo para trabalhar?
“Se eu for falar de tempo, nunca seria suficiente. Então eu digo que o tempo é esse — por isso, prefiro focar em credibilidade em vez de resultados imediatos. Com credibilidade, o tempo acaba sendo concedido. Claro que todos queremos começar com força total, com um elenco competitivo e entrosado, mas, no fim das contas, a essência de um time é mais importante que qualquer jogador. A famosa frase ‘me tragam os jogadores e o resto é comigo’? Bem… sim. Mas o espírito da equipe é o que conta mais.”
Sobre Lookman e a final da Liga Europa
“A situação do Lookman me deixa triste, porque vivemos momentos muito bonitos juntos. Existe o risco de que ele seja lembrado apenas pelo último episódio (a derrota para o Bayer Leverkusen na final da Liga Europa). Infelizmente, agora só se fala disso, mas sinto muito tanto por ele quanto pelo clube.”
Com essa entrevista, Gasperini mostra que está plenamente envolvido no novo projeto da Roma. Ele sabe que o clube vive um momento de transição — dentro e fora de campo — e que a pressão da torcida será constante. Mas Gasperini não foge da responsabilidade. Com uma abordagem pragmática, aposta na construção de uma base sólida, valorizando a credibilidade do trabalho antes de pensar em títulos.
O futuro da Roma sob seu comando ainda é incerto, mas uma coisa é clara: com Gasperini, o projeto será levado a sério — e, se o tempo for aliado, os frutos podem ser colhidos logo.