Futebol

Palmeiras: Série 5 maiores vitórias da história

A nossa série das cinco maiores vitórias dos grandes clubes tem agora o Palmeiras como protagonista. O Verdão, um dos times brasileiros com mais títulos e uma linda história, deu trabalho para escolher apenas essa quantidade de triunfos.

Como curiosidade, apesar de ser o clube com mais títulos nacionais na história, não entrou nenhuma partida de Brasileirão, Taça Brasil ou Copa do Brasil. Confira as vitórias escolhidas.

5. Palmeiras 1×0 Santos – Final da Libertadores de 2020

Breno Lopes marca o gol do título do Palmeiras diante do Santos na final da Libertadores de 2020
Breno Lopes marca o gol do título do Palmeiras diante do Santos na final da Libertadores de 2020 (Imagem: Cesar Greco/Palmeiras)

Disputada em 30 de janeiro de 2021, por conta do adiamento provocado pela pandemia, a final da Libertadores de 2020 colocou frente a frente Palmeiras e Santos, em um Maracanã com público simbólico de 2.500 pessoas, mas com clima tenso e decisivo. O jogo era truncado, com poucas chances e muito nervosismo. O técnico Abel Ferreira, recém-chegado ao clube, fazia sua primeira final continental, enquanto o Palmeiras buscava a segunda taça de sua história.

Durante os 90 minutos, as equipes se estudaram e se respeitaram demais. O jogo parecia se encaminhar para a prorrogação, até que, aos 53 minutos do segundo tempo, Rony fez um cruzamento perfeito na cabeça de Breno Lopes, que subiu mais que a defesa santista e marcou o gol do título. Um lance improvável, nos acréscimos, selou o destino da América.

A vitória por 1×0 foi histórica não apenas pelo título, mas pela forma como foi conquistada: no apagar das luzes, com um gol inesquecível de um herói improvável. Breno Lopes eternizou seu nome na história do clube com aquele cabeceio preciso.

Esse título marcou o início de uma era vitoriosa sob o comando de Abel Ferreira, e reacendeu o orgulho alviverde no continente. O Palmeiras mostrava que sabia vencer com estratégia e paciência, até o último segundo.

4. Palmeiras 3×1 São Paulo – Campeonato Paulista de 1942 (Arrancada Heroica)

Imagem do time da Arrancada Heroica do Palmeiras que culminou no título paulista de 1942
Imagem do time da Arrancada Heroica do Palmeiras que culminou no título paulista de 1942 (Imagem: Divulgação/ Palmeiras)

Em meio à Segunda Guerra Mundial, o Palestra Itália enfrentava forte pressão política para abandonar o nome que remetia à Itália fascista. Após resistência e ameaça de perda do estádio, o clube decidiu mudar seu nome para Sociedade Esportiva Palmeiras. O jogo de estreia com o novo nome, coincidentemente, era contra o São Paulo e valeu o título do Campeonato Paulista.

O estádio do Pacaembu tinha mais de 45 mil pessoas, com grande expectativa pelo desfecho simbólico daquela jornada. O Palmeiras abriu o placar com Cláudio, mas o São Paulo logo empatou com Waldemar de Brito, só que ainda no primeiro tempo Del Nero recolocou o Verdão na frente. Na etapa complementar, Echevarrieta anotou o terceiro tento palmeirense, mas ainda tinha mais emoção a caminho. Após a marcação de um pênalti para o Palmeiras e a expulsão de Virgílio, os jogadores do São Paulo abandonaram o campo em protesto. A partida foi encerrada com vitória por W.O., e o placar de 3×1 foi mantido oficialmente.

Essa vitória ficou eternizada como a “Arrancada Heroica”, pois simbolizou o renascimento do clube sob nova identidade e com a mesma alma vencedora. O Palmeiras não apenas venceu um clássico e conquistou um título: afirmou-se diante das adversidades e marcou o início de uma nova era com uma conquista histórica.

Para a torcida, aquele 20 de setembro de 1942 nunca foi apenas uma data esportiva. Foi o momento em que o Palestra morreu líder e o Palmeiras nasceu campeão. Um marco de resistência, identidade e glória.

3. Palmeiras 2×1 Flamengo – Final da Libertadores de 2021

Deyverson anota o gol do título do Palmeiras pela Libertadores da América de 2021
Deyverson anota o gol do título do Palmeiras pela Libertadores da América de 2021 (Imagem: Eitan Abramovich/AFP)

Em 27 de novembro de 2021, Palmeiras e Flamengo decidiram a Libertadores em Montevidéu, no Estádio Centenário. O Flamengo era considerado favorito, mas o Palmeiras tinha a seu favor o foco, a consistência e o comando técnico de Abel Ferreira. O jogo começou com o Verdão tomando a iniciativa: Raphael Veiga abriu o placar logo no início, após grande jogada de Mayke.

O Flamengo empatou ainda no segundo tempo com Gabigol, e a partida foi para a prorrogação. Quando o cenário demonstrava um duelo bem difícil de prever, Deyverson mostrou que o imponderável existe. Ele aproveitou um erro na saída de bola da defesa rubro-negra, roubou a bola e marcou o gol da vitória, explodindo a torcida palmeirense em menor número no Uruguai.

Com o 2 a 1, o Palmeiras se consagrou bicampeão consecutivo da América, algo que poucos clubes brasileiros haviam conquistado. A atuação foi marcada por disciplina tática, entrega coletiva e um gol decisivo de um personagem inesperado.

Essa vitória consagrou de vez Abel Ferreira como o maior técnico da história do clube e reafirmou o Palmeiras como potência continental. Foi a Libertadores do folclórico Deyverson e mais um capítulo glorioso da trajetória alviverde.

2. Palmeiras 4×0 Corinthians – Final do Campeonato Paulista de 1993

Evair comemora o gol do título paulista de 1993 sobre o Corinthians na vitória por 4 a 0
Evair comemora o gol do título paulista de 1993 sobre o Corinthians na vitória por 4 a 0 (Imagem: Nelson Coelho/Placar)

O Palmeiras vivia um jejum de títulos que já durava 17 anos, e enfrentava seu maior rival, o Corinthians, na final do Campeonato Paulista de 1993. No jogo de ida, o Corinthians venceu por 1×0, com gol de Viola, que comemorou imitando um porco, tirando sarro da torcida palmeirense. A provocação inflamou ainda mais o elenco e os torcedores, que viam naquela final a chance de reescrever a história.

No jogo da volta, o Palmeiras entrou em campo no Morumbi determinado a vencer. Zinho, Edílson e Evair marcaram os gols que garantiram o 3 a 0 no tempo normal. Na prorrogação, Evair marcou mais uma vez de pênalti e fechou a goleada em 4 a 0, encerrando de forma épica o jejum de títulos.

Aquela vitória foi mais que uma simples conquista: foi uma catarse coletiva. O time liderado por Vanderlei Luxemburgo, marcou o início de uma nova era de glórias para o Palmeiras nos anos 90, deixando o momento de fila para atrás.

O 12 de junho de 1993 é lembrado até hoje como o “Dia do Fim do Jejum”, e o jogo como uma das maiores atuações da história do clube. Vencer o maior rival com autoridade, reverter a desvantagem e levantar a taça foi o roteiro perfeito para todos os palmeirenses. O simbolismo daquela vitória supera e muito o valor de um título regional, aquela foi uma vitória geracional.

1. Palmeiras 2×1 Deportivo Cali – Final da Libertadores de 1999

Evair ajeita a bola para marcar o primeiro gol do Palmeiras na decisão diante do Deportivo Cali
Evair ajeita a bola para marcar o primeiro gol do Palmeiras na decisão diante do Deportivo Cali (Imagem: Acervo Palmeiras)

Após anos batendo na trave algumas vezes, o Palmeiras finalmente chegou à final da Libertadores em 1999 para enfrentar o Deportivo Cali, da Colômbia. O primeiro jogo foi fora de casa, e os colombianos venceram por 1 a 0. Na volta, o Palestra Itália estava lotado, pulsando em verde e branco, com a torcida confiante de que o time reverteria a desvantagem. Era o momento da consagração para uma geração marcada por jogadores como Marcos, Alex, Júnior, Paulo Nunes, Zinho e o capitão César Sampaio, sob o comando de Luiz Felipe Scolari.

O Palmeiras abriu o placar com Evair, de pênalti, já no segundo tempo. O Deportivo Cali empatou, também de pênalti, aumentando a tensão. Mas Oséas marcou o gol que levou a decisão para as penalidades máximas. Nas cobranças, brilhou a estrela do goleiro Marcos, que defendeu a batida de Bedoya e viu Zapata chutar fora a última cobrança, dando o título ao Verdão.

Com a vitória por 2 a 1 no tempo regulamentar e 4 a 3 nos pênaltis, o Palmeiras conquistou a tão sonhada Libertadores, após décadas de expectativa. A campanha foi impecável, eliminando gigantes como Vasco, Corinthians e River Plate pelo caminho.

O título de 1999 não apenas colocou o clube na elite sul-americana, mas consolidou uma geração de ídolos e abriu portas para um novo status internacional. Foi a coroação de um projeto ambicioso e da paixão de uma torcida que há muito esperava por esse momento.

(Imagem de capa: Evelson de Freitas/Folhapress)