Ibrahima Konaté, Liverpool
Futebol Premier League

Liverpool deve gastar pequena fortuna para repor saída de Konaté!

O setor ofensivo, no qual Alexander Isak segue sendo o grande objetivo da diretoria, não é o único que demanda reforços no Liverpool nesta reta final da janela de transferências de verão. Apesar de quase 100 dos 300 milhões de euros investidos nesta temporada por Richard Hughes e sua equipe terem sido direcionados para reforçar as laterais — com as chegadas de Milos Kerkez (47 milhões de euros) e Jeremie Frimpong (40 milhões de euros) —, o miolo de zaga permanecia sem novas adições. Isso, ao menos, até agora.

A necessidade de um zagueiro capaz de elevar a competitividade interna e oferecer descanso a Virgil van Dijk e Ibrahima Konaté fez o clube mirar dois nomes específicos: Giovanni Leoni e Marc Guéhi. Os defensores, de 18 e 25 anos respectivamente, pertencem atualmente ao Parma e ao Crystal Palace e estão na mira dos Reds para reforçar um setor que perdeu peças importantes. Entre as saídas, estão Trent Alexander-Arnold (negociado por 10 milhões de euros), Jarell Quansah (35 milhões de euros) e Nat Phillips (3,5 milhões de euros).

Marc Guéhi, capitão do Crystal Palace, já teria chegado a um acordo pessoal com o Liverpool para um contrato de cinco anos, válido até 2030. O clube londrino, entretanto, mantém-se firme na pedida de 35 milhões de libras (cerca de 40 milhões de euros) para liberar o jogador. Já a contratação de Giovanni Leoni é vista como um investimento de futuro, mas com potencial para impacto imediato. Segundo o jornalista Fabrizio Romano, o Liverpool não trata as negociações como alternativas, mas sim como operações complementares: Guéhi pela experiência e liderança, Leoni pelo potencial técnico e físico a longo prazo.

Essa abordagem estratégica busca garantir que Arne Slot, treinador que assumiu o comando da equipe, tenha à disposição um plantel defensivo sólido e equilibrado. Com a Premier League cada vez mais exigente e a Champions League no horizonte, o clube pretende evitar o desgaste excessivo de seus principais zagueiros e ampliar o leque de opções para diferentes competições.

Marc Guéhi: trajetória, resistência e momento ideal para a mudança

A valorização de Marc Guéhi no mercado não é recente. Há exatamente um ano, o Newcastle United chegou a oferecer 60 milhões de libras — mais de 70 milhões de euros — para levá-lo a St. James’ Park. Contudo, o zagueiro inglês optou por permanecer no sul de Londres, assumindo de vez a braçadeira de capitão do Crystal Palace e liderando o time na conquista histórica da FA Cup e da Community Shield, os dois primeiros títulos da história do clube.

A decisão de permanecer se mostrou acertada à época, mas agora o cenário mudou. O contrato de Guéhi se encerra em junho de 2026 e, com títulos conquistados e prestígio consolidado, o defensor vê o momento como propício para um salto na carreira. O Liverpool, por sua vez, enxerga no jogador um perfil que alia liderança, experiência na Premier League e capacidade de atuar sob pressão — características valiosas para um elenco que busca repetir o sucesso recente no cenário nacional e europeu.

O histórico recente de contratações do Liverpool mostra que o clube não hesita em investir alto por atletas com potencial de impacto imediato. Embora Guéhi não seja uma opção de custo reduzido, o valor pedido pelo Crystal Palace está dentro do que os Reds consideram viável para assegurar qualidade e estabilidade na defesa. Além disso, a possibilidade de contar com ele já nesta temporada aumenta a margem de segurança caso haja mudanças no elenco no próximo verão europeu.

A eventual chegada de Guéhi também abriria espaço para que jovens como Jarell Quansah pudessem se desenvolver sem a pressão de assumir imediatamente um papel central na defesa. É um movimento que demonstra preocupação não apenas com o presente, mas também com a construção de um ciclo competitivo sustentável.

O impacto da situação contratual de Konaté

O interesse por reforços na zaga se intensifica diante da situação contratual de Ibrahima Konaté. O francês, considerado peça-chave e parceiro ideal de Virgil van Dijk, tem vínculo com o Liverpool por apenas mais um ano. Embora o clube tenha sinalizado interesse em renovar, o Real Madrid surgiu como forte concorrente, adicionando um componente de incerteza às negociações.

Além do Real Madrid, o Paris Saint-Germain também monitora a situação de Konaté, que, aos 26 anos, está no auge físico e técnico. Caso decida não renovar, o jogador poderia deixar o Liverpool gratuitamente no próximo verão europeu, representando uma perda considerável tanto esportiva quanto financeira para o clube.

O cenário é ainda mais delicado se considerada a idade de Van Dijk, que completou 34 anos em julho. A eventual saída de Konaté deixaria o setor carente de zagueiros de elite, tornando a chegada de nomes como Guéhi e Leoni não apenas uma estratégia de fortalecimento, mas uma medida preventiva para evitar uma queda de rendimento defensivo.

Essa prudência é característica da gestão do Liverpool nos últimos anos, especialmente após episódios em que lesões simultâneas de titulares prejudicaram o desempenho da equipe em competições importantes. A busca por reforços, portanto, é também uma forma de aprender com o passado e evitar riscos desnecessários.

Planejamento do Liverpool para um elenco completo e competitivo

Se confirmadas as contratações de Leoni e Guéhi pelos valores mencionados — cerca de 35 milhões e 40 milhões de euros, respectivamente —, e considerando que Konaté permaneça ao menos até 2026, o Liverpool teria cobertura em todas as posições defensivas. A eventual saída de Kostas Tsimikas, que não foi relacionado para a final da Community Shield e desperta interesse do Nottingham Forest, também abriria espaço para ajustes salariais e de elenco.

Com laterais reforçados por Kerkez e Frimpong, e a zaga devidamente equilibrada, Arne Slot poderia adotar maior rotatividade de jogadores, evitando sobrecarga física em períodos de calendário apertado. Essa profundidade no plantel é fundamental para disputar de forma competitiva tanto a Premier League quanto a Champions League, competições que exigem desempenho consistente e capacidade de adaptação.

O investimento total, que ultrapassaria a marca de 400 milhões de euros nesta janela, refletiria a ambição do Liverpool em consolidar-se como potência dominante na Inglaterra e na Europa. Embora o valor seja elevado, a diretoria entende que reforçar setores estratégicos é uma necessidade para sustentar o alto nível competitivo nos próximos anos.

A reposição de Konaté, ou a preparação para sua eventual saída, é apenas uma parte dessa engrenagem. Mais do que repor nomes, o Liverpool busca construir uma defesa capaz de enfrentar qualquer adversário, seja nos gramados ingleses, seja no cenário internacional. O custo pode ser alto, mas para os Reds, a segurança defensiva é um investimento que vale cada centavo.