A notícia de que Stan Wawrinka, campeão do US Open em 2016, não recebeu um wild card para a edição de 2025 é triste. Mais do que uma simples escolha técnica, a organização do torneio deveria ter sensibilidade suficiente para entender que provavelmente seria a última vez desse ex-campeão atuando numa partida oficial em NY.
Em um esporte onde o respeito pela história e pelos grandes campeões sempre foi uma marca registrada, é difícil compreender os critérios que levaram a organização do US Open a ignorar um nome do calibre de Wawrinka, enquanto concede vagas a jogadores jovens ou de pouca expressão internacional que, com todo o respeito, ainda não demonstraram relevância suficiente para justificar sua presença direta na chave principal de um Grand Slam.
A lógica por trás da distribuição de convites sempre foi objeto de discussão. Em teoria, os wild cards servem para abrir espaço a promessas do esporte ou para homenagear jogadores veteranos que, por lesão, queda no ranking ou outras circunstâncias, não conseguiram se classificar diretamente, mas cujo histórico os credencia a participar. Wawrinka se encaixa perfeitamente nessa segunda categoria. Dono de três títulos de Grand Slam, finalista em outras ocasiões, com vitórias memoráveis sobre nomes como Djokovic, Nadal e Federer em fases decisivas de grandes torneios, Stan não é apenas um ex-campeão, ele pode ser considerado um dos grandes do tênis.
Ao deixar Wawrinka de fora, o US Open se priva de mais do que um grande nome. Perde-se também um atrativo para o público, uma narrativa emocional e esportiva que enriquece o torneio. Afinal, o retorno de um ex-campeão, lutando para competir em alto nível mesmo aos 40 anos, é exatamente o tipo de história que cativa os fãs e mobiliza as arquibancadas. O tênis, como qualquer esporte, vive de emoções. E poucas são tão poderosas quanto a de um veterano desafiando o tempo em busca de mais um momento de glória.
O argumento de que é necessário abrir espaço para a nova geração é compreensível. O tênis precisa de renovação constante. Mas isso não pode acontecer à custa de apagar a contribuição dos grandes nomes do passado, especialmente daqueles que ainda têm condições de competir com dignidade. Basta olhar os últimos meses de Wawrinka no circuito: embora longe do seu auge, ainda é capaz de fazer frente a muitos jogadores do top 100. Além disso, seu comprometimento com o esporte e sua ética profissional são elementos valiosos para qualquer torneio.
A presença de Wawrinka seria mais importante do que a de qualquer um que ganhou o wild card
As vagas de wild card foram oferecidas para os americanos Brandon Holt, Nishesh Basavareddy, Tristan Boyer, Emilio Nava, Stefan Dostanic and Darwin Blanch, além do francês Valentin Royer e do australiano Tristan Schoolkate. Com todo respeito a eles, o público trocaria qualquer um para ter Stan Wawrinka no torneio.

Ao privilegiar jovens promessas americanas ou jogadores convidados por critérios meramente promocionais, o US Open dá um tiro no próprio pé. Não é uma questão de nacionalismo ou de marketing. Trata-se de preservar a grandeza do torneio e honrar aqueles que ajudaram a construí-la. E nesse aspecto, Wawrinka merecia mais do que um simples “obrigado pelo que fez no passado”. Ele merecia estar em quadra.
A decisão de não oferecer um wild card ao campeão de 2016 é, portanto, uma falha grave da organização. Uma oportunidade perdida de valorizar a história e oferecer ao público um reencontro com um dos grandes jogadores do passado recente.
Que o US Open repense, no futuro, os seus critérios. O tênis é um esporte que vive de talento, mas também de memória. E não lembrar de Stan Wawrinka é esquecer um capítulo brilhante dessa história.
(Imagem de capa: Reprodução)