O amistoso contra o Tirol deixou vários pontos positivos para o torcedor do Real Madrid. Vimos Arda Güler em boa forma, Mbappé balançando as redes duas vezes e Xabi Alonso mostrando sua flexibilidade tática já nos primeiros testes. Mas quem realmente roubou a cena foi Dean Huijsen. O zagueiro, de apenas 20 anos, deu uma amostra clara do que pode ser no esquema de Xabi: não só um defensor sólido, mas também um dos principais responsáveis por iniciar o jogo desde trás, algo que o Madrid vinha sentindo falta desde a saída de Toni Kroos.
No jogo, Huijsen foi simplesmente o jogador do elenco que mais tocou na bola. Foram 116 passes tentados, com 94% de aproveitamento. Para se ter uma ideia, o segundo jogador que mais distribuiu passes foi Arda Güler, com 74 – e mesmo assim com bom índice de acerto (92%). Tchouaméni, que teoricamente deveria assumir esse papel de organizar a saída de bola, teve 50 de 53 passes certos, mas ficou longe do impacto do jovem espanhol.
A grande virtude de Huijsen nesse amistoso foi a variedade nos passes. Ele não se limitou ao toque curto de segurança; alternou entre passes médios, longos e progressivos. Muitos deles quebraram linhas adversárias, permitindo que o Real já colocasse seus atacantes em zonas de perigo. Esse recurso foi essencial para acelerar o jogo e evitar aquele problema recorrente da última temporada: posse estéril, sem penetração ofensiva.
O detalhe que mais chamou atenção, porém, foi sua eficiência nos lançamentos longos. Ele acertou 13 dos 16 tentados, lembrando muito a forma como Kroos fazia o time girar e mudar o ponto de ataque em segundos. Esse diferencial deu ao Real uma capacidade de mexer com a defesa rival que vinha sendo escassa.
Um impacto imediato de Huijsen no Real Madrid
Não dá para dizer que a atuação de Huijsen contra o Tirol foi uma surpresa completa. Já no Mundial de Clubes ele tinha mostrado personalidade e qualidade técnica para lidar com jogos de alto nível. Ali, inclusive, ficou clara a falta que ele fazia quando não esteve disponível: o Real sofreu na semifinal contra o PSG, após ele ter sido expulso nas quartas contra a Juventus.
A contratação do jogador custou 59 milhões de euros, pago ao Bournemouth em junho. É bastante para um zagueiro tão jovem, mas a sensação é de que o investimento pode se pagar rapidamente. Aos 20 anos, Huijsen já se mostra não só maduro defensivamente, mas também capaz de interpretar o jogo como poucos. É justamente esse perfil que Xabi Alonso valoriza tanto em seus esquemas.
O treinador sempre foi conhecido como um maestro em campo, alguém que organizava o jogo desde a base da jogada. Agora, na área técnica, ele parece estar moldando Huijsen para ser o “espelho” dessa visão dentro de campo. Isso é ainda mais relevante porque, com a aposentadoria de Kroos, o Madrid perdeu seu principal cérebro na saída de bola. Huijsen pode, de certa forma, herdar esse papel, ainda que em uma função diferente, partindo da zaga.
A questão não é apenas o talento natural, mas a mentalidade. Huijsen joga com confiança, não se intimida em arriscar e, principalmente, tem precisão. Para um time que vai disputar Champions, La Liga e Copa do Rei, esse tipo de jogador é ouro.
O encaixe no esquema de Xabi Alonso
Com Xabi Alonso no comando, a expectativa é que o Real Madrid tenha uma saída de bola muito mais dinâmica. O treinador gosta de times que se movem rápido, trocam passes em velocidade e não ficam estagnados. E nesse modelo, Huijsen tem tudo para ser o protagonista da primeira fase da construção ofensiva.
Ele não é só um zagueiro que desarma e lança. Sua leitura de jogo o permite quebrar pressões altas, encontrar atacantes entre linhas e abrir espaços para laterais e meio-campistas trabalharem com mais liberdade. Esse tipo de recurso pode ser vital em jogos grandes, quando o adversário tenta sufocar a saída do Real.
Além disso, Huijsen tem mostrado maturidade para se adaptar a diferentes cenários. Contra o Tirol, por exemplo, alternou momentos de condução curta com passes diretos para Mbappé e Vinícius Jr. Esse equilíbrio faz dele um zagueiro moderno, dentro do que os grandes times europeus exigem hoje: capacidade de defender, mas também de iniciar jogadas.
Com a temporada prestes a começar – o primeiro desafio oficial é contra o Osasuna –, o holandês naturalizado espanhol já aparece como titular em potencial. A torcida, que sempre foi exigente com jovens promessas, parece ter abraçado Huijsen rapidamente. E, se continuar nessa evolução, pode se consolidar como peça-chave do projeto de renovação que Xabi está implantando.
Uma temporada de afirmação
O que se espera agora é consistência. Um amistoso e boas atuações no Mundial de Clubes são um ótimo começo, mas o peso real virá com a sequência na La Liga e na Champions League. O Real Madrid não perdoa erros repetidos, e é nesse contexto que Huijsen terá de mostrar que consegue manter o nível contra adversários de elite.
Se confirmar o que já mostrou até agora, o Real não só terá solucionado um problema que parecia enorme após a aposentadoria de Kroos, mas também pode estar vendo nascer um líder dentro de campo. Com apenas 20 anos, Huijsen tem tudo para se transformar no pilar defensivo e, ao mesmo tempo, no organizador inicial das jogadas do Madrid.
Xabi Alonso, que conhece como poucos a arte de dar ritmo a uma equipe, encontrou em Huijsen o parceiro perfeito para sua visão de jogo. Se essa parceria der certo, o torcedor merengue pode estar prestes a testemunhar o surgimento de um dos defensores mais influentes da Europa nos próximos anos.