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Bicampeão do PFL, Antônio Carlos “Cara de Sapato” teria chance no UFC?

Antônio Carlos “Cara de Sapato” acaba de conquistar seu segundo título dos meio-pesados na Professional Fighters League (PFL), consolidando-se como um dos atletas mais bem-sucedidos da organização.

Desde que deixou o UFC em 2020, o baiano reencontrou o caminho das vitórias, manteve-se invicto na nova casa e passou a figurar entre os nomes mais dominantes do torneio. Com o novo cinturão, e mais um prêmio milionário, a pergunta inevitável ressurge: Cara de Sapato teria chance contra os principais nomes da divisão dos meio-pesados do UFC? E mais: seria uma boa ideia para ele retornar à maior organização de MMA do mundo?

Antes de tudo, é preciso entender quem é o lutador que estamos avaliando. Campeão mundial de jiu-jitsu, ex-vencedor do TUF Brasil 3, Cara de Sapato é um grappler de elite, com jogo de chão refinado, controle posicional impecável e evolução perceptível em aspectos do striking e da defesa de quedas desde sua transição para o MMA profissional.

Na PFL, Cara de Sapato enfrentou uma variedade de adversários, alguns experientes e com passagem por grandes eventos, como Emiliano Sordi e Marthin Hamlet, e conseguiu impor sua estratégia de forma eficaz em quase todas as ocasiões.

Ainda assim, ao analisarmos sua capacidade de competir com os principais nomes do UFC, é necessário considerar alguns fatores técnicos e contextuais. A divisão dos meio-pesados do UFC, embora tenha perdido profundidade desde os tempos de Jon Jones e Daniel Cormier, ainda conta com uma elite afiada. Nomes como Jiří Procházka, Jamahal Hill, Aleksandar Rakić, Carlos Ulberg, Dominick Reyes, Alex Poatan Pereira, e o atual campeão Magomed Ankalaev, apresentam estilos diversos e perigos distintos. O alto nível de trocação e a capacidade de lidar com grapplers têm sido marcas desses atletas.

Cara de Sapato certamente teria dificuldades nesse cenário. Seu jogo, ainda muito baseado no grappling, poderia esbarrar em adversários com excelente controle de distância e poder de nocaute, como Procházka, Reyes e Poatan, ou em lutadores com grande solidez defensiva e repertório completo como Ankalaev. O russo, atual campeão, é um striker técnico, mas também possui base no sambo, o que o torna um adversário especialmente difícil para grapplers puros, como é o caso do brasileiro.

Além disso, seu histórico de lutas no UFC revelou algumas limitações. Durante sua passagem pela organização, enfrentou nomes como Ian Heinisch e Brad Tavares e, embora tenha mostrado bons momentos, os resultados foram inconsistentes, especialmente contra atletas que souberam frustrar suas tentativas de levar a luta para o solo.

Outro ponto a ser considerado é o atual momento da carreira. Aos 35 anos, Cara de Sapato parece ter encontrado na PFL o ambiente ideal para explorar seu jogo com mais liberdade e menos pressão. O formato do torneio, com temporada regular e confrontos definidos previamente, favorece lutadores que conseguem impor uma estratégia bem definida, como é o caso dele. Além disso, o retorno financeiro é altamente competitivo. Com dois títulos e dois cheques de um milhão de dólares, ele conquistou em quatro anos o que muitos não conseguem em uma década no UFC.

Portanto, a pergunta sobre um eventual retorno ao UFC deve considerar mais do que o aspecto competitivo. Há, claro, a visibilidade maior que o UFC proporciona. Enfrentar os melhores do mundo em cards globais é um atrativo que nenhum lutador descarta facilmente. No entanto, também há o risco de voltar a uma organização em que já teve dificuldades, em um ambiente mais hostil e com menos controle sobre os rumos da carreira.

Cara de Sapato deveria ainda pensar no UFC?

Antônio Carlos Cara de Sapato nos tempos de UFC
Antônio Carlos Cara de Sapato nos tempos de UFC (Imagem: Esther Lin, MMA Fighting)

Se a intenção de Cara de Sapato for provar que pode competir com a elite mundial, um retorno ao UFC faria sentido. Mas, se o objetivo for prolongar a carreira de forma estratégica, continuar vencendo e garantindo estabilidade financeira, seguir na PFL parece o caminho mais sensato.

Em resumo, sim, Cara de Sapato teria alguma chance de competir com os meio-pesados do UFC, especialmente com sua experiência e habilidades no solo. Mas enfrentar a elite do octógono exigiria uma evolução considerável em sua trocação e capacidade de absorver pressão.

A decisão de voltar ou não ao UFC deve levar em conta não apenas o desejo esportivo, mas também o contexto atual da organização, o retorno financeiro e a longevidade de sua carreira. E somando tudo isso, fica difícil o baiano querer largar a PFL para se arriscar novamente na organização de Dana White.

(Imagem de capa: Reprodução/Instagram)