O Barcelona demonstrou pouca inspiração diante do Levante, chegando ao intervalo derrotado por 2 a 0. Porém, Hansi Flick não esperou para reagir: promoveu ajustes imediatos que se mantiveram até o apito final, culminando na virada por 3 a 2 no último sábado, pela La Liga, em um jogo marcado pela adaptação tática com uma linha de três defensores. O treinador alemão mostrou flexibilidade, explorando ao máximo o elenco, que contava com nove titulares habituais, mas com Marc Casadó e Marcus Rashford ocupando as vagas de Frenkie de Jong, ausente na Catalunha após se tornar pai novamente e perder treinos e Fermín López. O inglês atuou aberto pela esquerda, empurrando Raphinha para o setor central ofensivo.
O plano inicial do Barcelona, apesar da posse de bola esmagadora (85%), não se traduziu em efetividade. Como destacou Pedri, o time se prendeu a um ritmo lento, sem penetração entre as linhas, exatamente como Flick havia antecipado ao alertar sobre o rival: “Eles defendem bem e castigam nas transições”. Foi assim que Manu Sánchez neutralizou Lamine Yamal e puxou o contra-ataque que resultou no 1 a 0, deixando o time catalão desconfortável em campo. Na avaliação posterior, Pedri ressaltou as mudanças posicionais decisivas. O alemão manteve o 4-2-3-1, mas alterou alturas e funções após lançar Gavi e Dani Olmo no intervalo, substituindo Casadó e Rashford.
Sem De Jong, a equipe perdia verticalidade com Casadó. A entrada de Gavi deu a Pedri mais liberdade para avançar e encontrar espaços (inclusive para marcar o 2 a 1 de fora da área). Raphinha, reposicionado pela esquerda, passou a se associar melhor, enquanto Dani Olmo, muito mais adaptado que o brasileiro para o papel de articulador, atuou quase como um falso nove, em sintonia com Ferran Torres, esticando as linhas e aproximando o time do gol rival. O empate de Ferran, aos 52 minutos em cobrança de escanteio, devolveu a tranquilidade ao Barcelona.
Quando o terceiro gol não saiu de imediato, Flick ousou novamente: aos 76’, promoveu a entrada de Lewandowski no lugar de Balde e de Christensen no de Araújo, transformando o sistema em um 3-3-4. O polonês se juntou a Ferran como dupla de centroavantes, enquanto Pau Cubarsí recuava para compor a linha com Christensen como líbero e Eric García pela direita. O Barcelona passou a ocupar com mais frequência o campo adversário. Já nos minutos finais, Koundé entrou na vaga de Eric, mantendo a agressividade ofensiva, coroada por um chute na trave. A posse final foi de 82%, com 26 finalizações (10 no alvo) contra apenas oito do Levante.
A virada do Barcelona aconteceu aos 91 minutos: Lamine Yamal desequilibrou contra Pampín e cruzou para Ferran Torres e Lewandowski pressionarem. Após falha de afastamento de Unai Elgezabal, Ferran empurrou para as redes. O jovem ainda quase marcou o quarto. Raphinha, incansável, chegou a desempenhar função de lateral-esquerdo na enésima variação tática do confronto em Valência.

Hansi Flick e o projeto de renovação do Barcelona para 2025/26
Com Flick no comando, o Barcelona abre uma nova etapa mirando elevar seu patamar competitivo. Após uma temporada quase impecável, coroada com os títulos da Liga, da Copa do Rei e da Supercopa, o objetivo é dar o passo final rumo à Champions League.
1. Ajuste defensivo sem perder agressividade ofensiva
Embora o DNA do time siga baseado no ataque, Flick reconhece a necessidade de corrigir falhas defensivas expostas no ano anterior. A pressão alta e as transições rápidas permanecem centrais, mas a solidez atrás ganha prioridade.
2. Competição interna e elenco mais profundo
O técnico pretende ampliar as alternativas ofensivas, garantindo que os titulares mantenham intensidade e motivação. Há interesse em reforçar o elenco com um ponta de elite e um lateral-direito mais ofensivo. Joan García e Marcus Rashford aparecem como opções, embora as limitações financeiras pesem nas negociações.
3. Estrutura mantida, com ajustes cirúrgicos
O 4-2-3-1 com pressão pós-perda, transições verticais e linha alta continua como base. Flick planeja apenas retoques estratégicos para surpreender adversários e preservar a intensidade.
4. Planejamento a longo prazo
Com contrato renovado até 2027, Flick já trabalha ao lado de Deco no planejamento da próxima temporada do Barcelona, avaliando reforços pontuais e a manutenção da competitividade em alto nível.
5. Identidade consolidada e comando firme
O treinador redefiniu a mentalidade do vestiário, impondo disciplina, exigência e foco coletivo. Jogadores experientes tiveram minutos bem geridos, enquanto jovens da La Masia ganharam confiança e espaço.

Barcelona busca manter hegemonia na Espanha e o duelo eterno contra o Real Madrid
O Barcelona do técnico Hansi Flick entra em 2025/26 com metas ousadas: consolidar sua hegemonia na La Liga e manter a invencibilidade contra o maior rival. Após a temporada de 2024/25, em que conquistou a tríplice coroa doméstica e bateu o Real Madrid em todas as competições, o time mira repetir o feito e ampliar a supremacia.

Tríplice coroa como meta principal
O técnico deixou claro: o Barcelona buscará novamente Copa do Rei, Liga e Champions, com foco especial nos dois primeiros torneios, onde os confrontos com o Real Madrid são decisivos.
Respeito ao rival histórico
Apesar da série recente de vitórias, incluindo goleadas na final da Supercopa da Espanha e no Santiago Bernabéu, em La Liga, o técnico Hansi Flick enfatiza a importância da humildade, lembrando que passado não garante o futuro.
Sequência invicta e domínio estatístico
O alemão levou o time a quatro triunfos sobre o Real Madrid na última temporada, igualando a lendária invencibilidade do Dream Team de Cruyff e reforçando o protagonismo nacional.
Estilo de jogo como arma letal
Com pressão intensa, defesa adiantada e ataque vertical, Flick resgatou o DNA ofensivo do Barcelona. O resultado: mais de 90 gols no campeonato e atuações históricas em clássicos.
Gestão física e consistência desde a pré-temporada
Aprendendo com desgastes anteriores, Hansi Flick manterá a preparação intensa desde o início no Barcelona, equilibrando rotação e competitividade ao longo do calendário.
Olhar para a Europa
Apesar da eliminação na semifinal da Champions, a confiança é de que o Barcelona voltará ainda mais forte para buscar o título da UEFA Champions League, que não vem desde 2015.
Conclusão
Hansi Flick projeta um Barcelona dominante, com mentalidade vencedora e estilo ofensivo fiel às tradições do clube. O objetivo vai além de somar troféus: é afirmar supremacia sobre o Real Madrid, manter o controle da La Liga e avançar na Europa. O plano é claro, transformar o Barcelona em uma potência praticamente imbatível na Espanha e cada vez mais temida no cenário continental.
(Foto: Getty Images)